2.11.07

Dever cumprido


O rapaz sai do metrô, voltando do trabalho. Relaxamento provocado pelo sentimento de dever cumprido, caminha lentamente aberto às novidades das vitrines.

Sex shop. Não se sabe se aí entrou por curiosidade ou por uma vontade crescente de fazer xixi, mas o fato é que entrou na loja, olhou alguns produtos e perguntou ao balconista:

- Bon soir, monsieur! Le toilet?
- Au dessous, monsieur.

O rapaz desce as escadas e segue direto para o banheiro. Dever cumprido, volta novamente aberto às novidades do entorno. Ao atravessar as cabines de vídeo (pelo custo de 2 €, tem-se uma cabine à disposição para assistir a um filme com privacidade), um rapaz abre a porta e lhe aborda:

- Excusez-moi, monsieur...

Há muitos homossexuais na cidade. Ele segue seu caminho para a escada:

- Pardon, ça ne m'intéresse pas.

Mas o rapaz insiste - je ne suis pas homossexuel! - e explica seu intento: sua esposa está na cabine e seu desejo é vê-la sendo possuída por outro homem.

Ah bom. Se não era nada homossexual, considerou que talvez pudesse auxiliar de alguma maneira.

Entrou na cabine. A esposa já estava nua. Nada mal. Abaixou a calça, mostrou o pipi. Recebeu carícias, mamou, foi mamado. Por fim, dada a ausência de preservativos, considerou sentato terminar a estória por ali: levantou-se e espalhou seu código genético sobre a moça.

Dever cumprido. Relaxado, agora o rapaz volta a notar as novidades do entorno: um marido que possui vorazmente sua esposa, corpo com corpo, genitália com genitália, sem se importar com o código genético alheio que agora lambuza ambos os corpos.

- Bon soir! - o rapaz sobe a calça e sai da cabine.

Ao chegar na saída, é interceptado pelo balconista: roubara ele alguma coisa? Já fazia meia-hora que ele havia descido. O rapaz apenas responde enxugando o suor das têmporas e levando uma das mãos à barriga:

- Caca!

E assim segue seu caminho para casa após o trabalho, ciente do dever cumprido.

2 comentários:

Eduardo disse...

Igualzinho a Dubai.

(Caralho, que história! =D)

Gnomo disse...

Não, não, não. Diga que é ficção, diga que é ficção!