21.3.08

As tais coincidências

Vamos começar pelo começo, pois nenhuma coincidência vem sozinha: uma é sempre o começo de outra, como um quebra-cabeça que se encaixa com o tempo dando respaldo às tais teorias cauvinistas sobre o destino humano.

Já estaria tudo escrito? Sinceramente, não sei. Há muitos coisa a se considerar até chegarmos a este ponto: deus (com d maíusculo) existe? Se sim, seria ele alfabetizado? Teria ele uma caneta e papel à disposição? Teria ele alguns bilhões de folhas de papel para escrever o destino de cada um? Teria ele tido tempo para escrever e inventar tanta história? Isso é muito complexo, então vamos a certas coincidências que ainda não estão escritas e que talvez não interessem a você leitor, porque estas coincidências são só minhas.

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1. Delhi, Indira Gandhi Airport - isso foi em abril de 2007: estava eu na fila da alfândega quando alguma coisa me chama a atenção na moça a minha frente: uma bolsa de uma marca brasileira.

- Você é brasileira, é?
- Siiiiiiiiiiiiiiiiimmmm!!!!

Era a Ana Luiza, que estava já há alguns meses viajando pela região. "Você é o primeiro brasileiro que encontro nesses meses".



Eu voltei pra Dubai, ela foi para a Tailândia.

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2. Shamaal - eis que participo lá em novembro de uma competição de caiaque... no meio do caminho, emparelho com uma moça, uma norte-americana, que ia no mesmo ritmo que o meu. Era a Julia. Fomos juntos até o momento em que eu desisti das ondas e da competição.

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3. Confraternização - após a prova, houve uma confraternização no Barasti. E lá fui eu bater um papo com a tal Julia. Conversa vai, conversa vem, ela me apresenta um mulherão, digo, uma mulher alta e forte, dessas que batem no marido. Mas o que me marcou foi o fato de seu nome ser Julie, parecido com Julia. Moça triatleta, fundadora de um clube de Triathlon em Dubai.

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4. Mudança de casa - no dia seguinte da prova, o Pete, sul-africano que ocupava um dos quartos da casa e que me obrigou a participar do Shamaal, mudou-se para um quarto na casa vizinha. E mal ele sai, já chega a nova moradora: um mulherão, digo, uma mulher alta e forte: a própria Julie, que havia conhecido justamente no dia anterior. E se não fosse um doce de pessoa, eu juraria que ela bateria no marido que não tem.

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5. Caiaques e Art Dubai - e assim, Julie muda-se para a casa, e traz para o jardim o seu caiaque que possui meio-a-meio com Julia, a norte-americana do Shamaal. Assim, Julie passa a ser companheira de eventuais investidas ao mar... mas hoje eu acordei tarde e só deu tempo de ajudá-la, ainda de pijama, a colocar o caiaque dentro de casa, às 9h da madrugada. Conversa vai, conversa vem, ela comenta que, por ser professora na American University, tinha um convite sobrando para o Art Dubai. Eu aceitei. E avisou: "essa noite vai haver uma festa lá em Bastakia... meus alunos vão tocar na vila 111".

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6. Bastakia - e lá vou eu para a Vila 111. Coincidência ou não, o Chris de casa também iria à festa: um amigo dele iria tocar lá. Então, lá fomos nós. Festa comportada, mas com um quê de inusitada: underground. Sim! Músicos improvisando, dois rapazes improvisando imagens, um em um telão, outro em uma TV de plasma. Nenhuma música pre-definida, nenhuma música que toca na rádio, nenhuma logomarca. Ninguém na porta dizendo: "Couples only". Enfim, vida como ela é. Senti uma ar fresco que não sentia há muito tempo, desde as noites paulistanas em algum canto da Rua Augusta ou Paraíso ou Vila Madalena, desde os tempos de Unicamp: reunião de jovens artistas que se unem para fazer algo diferente. E fazem...

... uma menina pára ao meu lado. Ela fala uma língua esquisita com a amiga - chochénchohhh - deve ser iraniana, pelo formato do rosto eu sei. É. Mas eu não vou puxar conversa com mulher porque em Dubai isso é ofensa capital. Já pensou? Hómi falá com mulé? Que feio!

O Chris lá da outra ponta me chama e apresenta o amigo e a namorada iraniana. Logo vem a outra - chochénchohhh - era a irmã:

- Nice to meet you!
- Where are you from?
- Iran!
- Oh! Noruz Mubarak!
- Thank you! And where are you from? What is your name?
- Brasil! Luis...
- Hey... funny! Your name is the same of a girl I met few days ago in India... a Brazilian girl...

É claro que a moça encontrou uma brasileira na Índia. De 180 milhões, pelo menos uma vai estar perdido na Índia...

- HEY! Can you repeat your name? She said I would meet a guy called Luís in Dubai!!!

É. Aí eu tenho que concordar que isso sim é meio coincidência... a Sara, a iraniana, passou um mês em um Achram na Índia fazendo um curso de ioga, onde encontrou com a Ana Luisa, que continua viajando... acabei de enviar para ela a foto abaixo:



A Sara, a menina da foto acima, é fotógrafa em Dubai, e como uma boa iraniana, lê muito e - por conseqüência? - escreve bastante. Escreve poesias (tradição persa?) e já publicou 2 livros em farsi. Desistiu de publicar o terceiro (que está pronto) após ter problemas com o governo de seu país por conta dos 2 primeiros...

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7. Hora de ir embora - Bom, já é muita informação para minha cabeça, vou embora. Até porque este é o sétimo tópico, número cabalístico que dá um tom mais convincente ao falarmos de coincidências. Mas antes de sair, peguei um exemplar de cada catálogo disponível na mesa de entrada. Abro um deles: "How I bought myself a diamond - Terminal Degree at the American University in Dubai". Vou folheando e encontro lá o nome da Julia (a do caiaque) e logo em seguida um nome familiar: Marcelo Lima. Mas isso nem é coincidência, mas curiosidade.

Olha só que bacana: um brasileiro professor de desenho, pintura e história da arte na American University, e editor do newsletter PANOPTIKON sobre cultura visual contemporânea.

Uau, agradáveis surpresas. Jamais imaginei que esse tipo de coisa existia em Dubai também. E agora eu vou dormir, porque já são 4:18h e eu tinha prometido que ia acordar cedo para andar de caiaque...

3 comentários:

Anônimo disse...

Falando nisso, qual o bairro ou a regiao que o Sheik mora ai em Dubai?

Cecília Lima disse...

gostaria de saber se na area de moda tem algum emprego por ai sou formada desde 2001, tendo uma empresa aqui no brasil - rj
Gostaria de mais contatos, pois estou sondadno empregos por dubai.

Anônimo disse...

No meio de tantas coincidências, dia destes o Sheik se enrosca, isto é, arruma mais uma para o seu harém.....