31.3.07

Ateístas, graças a ...


Hoje por aqui é feriado e ontem foi lei seca: aniversário de nascimento do profeta. Em um momento em que só se fala na visita do papa ao Brasil e do rabino preso por suspeita de furto, fica aqui como um contra-ponto Traité d'athéologie, de Michel Onfray (não encontrei nenhuma tradução para o português).

Tem ateu que não gostou do livro. Seguem algumas passagens:

Sobre a democracia:

Toda teocracia torna impossível a democracia.


Quando leio a frase acima, só consigo pensar nos bispos deputados e senadores, nas concessões de rádio e TV para os mesmos bispos e para a própria igreja católica, e para o lucrativo negócio que se tornou a religião no Brasil: um empreendimento sem riscos, sem leis e sem tributação... e ai do infiel que for contra!

Sobre a circuncisão:

(...) a exposição permanente ao atrito com os tecidos age de maneira abrasiva sobre a pele que se resseca e perde a sensibilidade. O desaparecimento desta superfície e o desaparecimento da lubrificação suprimem o conforto sexual para ambos os parceiros.


Na contra-capa do livro, reproduz-se a seguinte passagem:

Os três monoteísmos, animados por um mesmo impulso de morte genealógica, dividem uma série de desprezos idênticos: ódio à razão e à inteligência; ódio à liberdade; ódio a todos os livros em nome de um único; ódio à vida; ódio à sexualidade, às mulheres e ao prazer; ódio ao feminino; ódio aos corpos, aos desejos e aos impulsos. Em vez de tudo isso, judaísmo, cristianismo e islã defendem: a fé e a crença, obediência e submissão, o gosto pela morte e paixão pelo além, o anjo assexuado e a castidade, a virgindade e a fidelidade monogâmica, a esposa e o marido, a alma e o espírito. (...)


Bom, tem outras passagens interessantes, mas fica para quem o ler.

Chega ou não chega?

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Sheik Luís responde":

Ola sheik!! Adoro o seu blog! Bom, eu em inicios de abril vou trabalhar para o Dubai num hotel. o ordenado será 1500 dhs (pouquissimo) com alojamento, alimentaçao, voo, seguro de saúde e o visto é a empresa que tratou. Será que so para as minhas despesas esse valor chega?


Fala Anônimo!

Beleza? É sempre um prazer sua visita por aqui. Vamos direto ao ponto: 1.500 dh é pouco, mas como o hotel já está providenciando tudo, esse seu salário é limpo: só vai gastar se quiser. O mais caro você se livrou de pagar.

Não vou mentir para você: sua vida aqui será frugal e despojada. Você vai encontrar dificuldades para comprar itens de primeira necessidade, como um Porsche, um iate, uma casa na Palm, ... e também vai ter que ter um pouco mais de atenção ao sair às baladas, restaurantes, ao ir às compras. Nada de exageros!

Boa sorte! Quando aportar por aqui, manda um alô pro Sheik.

Dubai High Society


Do Thali, please!


Este é o Pankash, engenheiro civil de Delhi que já está há pouco mais de um ano em Dubai.

Thali

Vamos a um pouquinho mais de hindi:

Thali - pacote

Em um restaurante indiano, se você pede um thali, vem uma bandeja com arroz, umas cumbuquinhas de comida (apimentadas...) e uma de sobremesa. E você pode repetir à vontade!

Preço de thalis em Dubai:

Puranmal (próximo ao HSBC, Bur Dubai): 10 dirhams durante a semana, 11 dirhams às quintas e sextas;
Venus (em Al Karama, comida do sul da Índia): 9 dirhams;


Cotação:

1 dirham = R$ 0,60
1 € = 4,86 dirham
US$ 1 = 3,67 dirham

Cavalos


Não os vemos nas ruas, em carne e osso, mas eles estão em toda parte, em propagandas e esculturas.

O cavalo divide espaço com falcões e camelos no imaginário árabe local, e movimenta um bom dinheiro com as luxuosas corridas em Nad Al Sheeba (há inclusive um jóquei brasileiro trabalhando lá).

A imagem de um cavalo em uma propaganda é um clichê por aqui que sempre rende frutos, por remeter às origens, a um passado tribal não muito distante onde este animal era o meio de transporte viável mais rápido para atravessar as dunas do deserto entre um acampamento e outro. E quando o cliente compra o produto, leva para casa o orgulho do passado e o glamour do presente.

Eu particularmente gostei dessa foto pela expressão dos 2 animais (refiro-me aos cavalos).

Vamos à la playa

Estava vindo hoje para o escritório para checar algumas coisas, aí vi esse céu, essa praia...





Lembrei até de algumas musiquinhas infâmes:

Vamos dar as mãos,
1, 2, 3!
Quem errar o passo
perde a vez!




Companheiro,
Companheiro, vem!
Vem no balanço do mar!
Vem no balanço do mar...

London, London



While my eyes...


30.3.07

Vale a pena?

Tiago Megale deixou um novo comentário sobre a sua postagem "7 meses":

oi sheik, estou planejando com muito cuidado minha ida para
dubai.. pretendo ir no final de 2008 e vc se tornou minha leitura diária (assim
como o gulfnews)...


bom, apos ver esse balancete, a pergunta que fica é..

vale a pena?

[]s




Olá Tiago,

Fico feliz em saber que este blog, com tanta bobagem escrita, ainda interessa a alguém... obrigado! Se alguém vier pra Dubai por causa dele, vou me sentir até um pouco culpado, hehehehe...

Tiago, vale a pena? Não vale a pena? Isso é uma coisa muito pessoal.

Fernando Pessoa escreveu em Mar Português:

"Tudo vale a pena se a alma não é pequena."


Escritor irresponsável: essa frase vem inspirando há décadas diversas almas a fazerem loucuras...

Alma pequena, alma grande. Alma existe? Ou nossa consciência e personalidade são apenas uma feliz organização de átomos que se desmancha para todo o sempre com a morte? Fernando Pessoa vai mais além:

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.


Alma e dor. Questionável este ideal asceta de que todo sacrifício vale a pena, de que todo trabalho é recompensado... mas com ou sem dor, os tugas realmente passaram o Bojador e chegaram às Índias. Outro dia encontrei com uma moça de Goa. O nome dela? Amália. E explica: "Meus pais adoram fado!"...

Alma, Bojador, dor e fado. Talvez não estejamos falando de sacrifícios, mas de experiências. Experiência de alterar o seu fado e sair do país, da zona de conforto, de viver sob os domínios de outro senso comum, de outro bom senso, de outra normalidade. E nessa experiência, nem tudo é só alegria, simplesmente porque o mundo não é exatamente como a gente imagina ou como está nos livros. Se a sua alma não é pequena, aprenderá com o tempo a lidar com estas novas verdades que se desnudam a sua frente.

Vale a pena?

Tiago, há 4 meses eu não saberia te responder, mas hoje eu digo que sim, para mim está valendo a pena. Muita coisa aconteceu desde que deixei São Paulo para trás.

Dubai não é o lugar onde queira ficar por muito tempo: não me identifico com a cultura, a censura, com o calor do verão, com os valores que norteiam o crescimento da cidade - que toma como premissa uma dependência de motores e máquinas, com esse aluguel absurdo, mas tenho aprendido muita coisa também, a deixar o lado bairrista de lado e admitir que esta terra, ou melhor, areia, tem coisas boas também: as amizades que fiz, a diversidade cultural, a sensação de segurança, e outros determinados luxos gratuitos que no Brasil seriam inacessíveis ... ah, e tem outra: Dubai é uma cidade de praia. Como é bom atravessar a rua e ver o mar!

Oh mar salgado!

Vou ficando por aqui. Já passa das 17h e ainda quero pegar uma praia antes de escurecer.

Abraço de sheik!

29.3.07

7 meses

7 meses de Dubai. Vamos continuar com o balanço que eu disse que iniciaria no mês passado:

- no banheiro, alguém lava as mãos, os braços, o rosto. Tira o sapato, a meia e lava o pézão na mesma pia onde eu escovo o dente. Algo perfeitamente normal;

- no meio do expediente, um chama o outro que chama um. Todos vão juntos para o outro canto. Não, não estão indo fumar cigarro ou beber café. Estendem o tapete virado pra Meca e fazem uma oração conjunta. Algo muito natural também;

- acordo de manhã, vento oeste, que vem lá da Arábia Saudita. Tempestade de areia. Algo perfeitamente normal;

- acordo de manhã, está chovendo. Não, isto não é normal: nunca choveu tanto aqui no UAE. Aquecimento global...

- 1o mês: depressão. 2o mês: ódio. 3o mês: resignação. 4o mês: é... até que tem coisa legal por aqui...

- Dubai tem muita coisa legal. Em poucos lugares há tanta gente de tantas nacionalidades diferentes em um estado tão cru de adaptação...

- recebo uma mensagem: "tem aniversário na Emirates!", "tem futebol no Al Nasr", "tem tchuckball na praia". Com brasileiros por perto, sempre há o que fazer. Obrigado, galera!

- aluguel mais caro que Paris. Que lixo. Eu preferiria Paris;

- se eu não vou a Paris, Paris vem até mim: estão construindo uma réplica da Torre Eiffel e uma filial do Museu do Louvre...

- hoje vejo que minha visão do Oriente Médio antes era um pouco limitada. Nada como ver pessoalmente as coisas.

Enfim, não vão me alongar mais a risco de colocar conclusões ainda crus.

É isso aí, massalama.

Palm Jumeira



É tão grande que não cabe na foto.

(Foto de Alex Portela, tirada de cima da Shatta Tower)

Empregos: engenheiros no Golfo?

Site de empregos no Golfo, predominantemente com empregos para engenheiros. Mas há também ofertas para programadores e web designers, etc.

28.3.07

Sem generalizar

Talvez a explicação para tal repulsa esteja no choque entre a politesse francesa com o senso prático de um povo acostumado com uma densidade demográfica alta (a densidade demográfica na Índia é três vezes maior que a da França). É só uma suposição.

Mas não dá pra generalizar, tem muita gente! Comentei isso com um outro francês aqui e ele se revoltou:

Cet commentaire de la fille, c'est nul. Vive la divérsité!.

Contra a maré

População da França - 64 milhões.
População da Índia - mais de 1 bilhão.

Franceses no UAE - alguns milhares?
Indianos no UAE - 1,3 milhão.

Frase do dia

Parei de ir (dançar salsa) lá depois que os indianos invadiram o local.
Comentário que ouvi de uma francesa por aqui.

Sobre a verdade...

Por falar em verdade, esse filme deve ser bom. Se alguém vê-lo aí no Brasil, depois me conta o que achou.