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13.3.09

Dubai e a crise: o estouro da bolha

Tocou hoje o telefone aqui. Atendi e era o Norman. Grande, Norman! Ele veio lá da Tailândia visitar a família aqui em Paris. Saímos para por o papo em dia.



E não é que o cara lembrou de mim? Trouxe um pacote de biscoito lá da Tailândia. "É caseiro!", disse ele. Puxa, que legal. E o biscoito é bom... já quase matei o pacote enquanto escrevo esse post.



Isso me deixou meio saudoso. Chegando aqui em casa, resolvi olhar o passado e encontrei essas fotos:





Essa foto foi tirada em 2007. Dois anos depois, não sobrou um por lá para contar história: o Driss voltou pra Nice, o Pankaj casou com uma garota sugerida pelo pai e foi para Nova Iorque trabalhar, o Eduardo não casou mas também foi para os Estados Unidos, e por fim, o Norman, que foi para a Tailândia em busca do amor.

Estranho fenômeno esse das migrações. O que motiva essa gente toda, com histórias e motivações tão distintas, a entrar e sair de um país, como em um movimento sincronizado? Seria a crise ou simplesmente a concretização de um movimento natural, como as ondas do mar? Por esta lógica, nós todos da foto chegamos ao mesmo tempo, e teríamos já pré-programado um prazo-limite no país destino. Ou talvez seja a crise...

Seja qual for a razão, o fato é que muita gente tem abandonado o "sonho" e a "magia" (hahahahaha) de Dubai nos últimos meses. E não são poucas: tenho conversado bastante com meus amigos que lá estão, e as histórias são as mesmas:

- a Shaikh Zayed Road está vazia. Cadê os congestionamentos de antes?
- boatos dão conta de que em dezembro passado, os pedidos de cancelamento de vistos atingiram uma taxa de 5.000/dia;
- meu amigo Norman contesta o número acima, mas ele mesmo foi embora...
- o governo começa a organizar leilões de carros abandonados há meses no aeroporto de Dubai;
- empresas anunciam unilateralmente e deliberadamente reduções de salários (isso mesmo! Leis trabalhistas? Isso é coisa de paises que ainda usam esse sistema politico atrasado chamado "democracia");
- boatos de que o Sheik está "quebrado" (duvido!);

Mas até aí, boato é boato. Mas aí a coisa começa a ficar interessante quando os boatos começam a ser embasados por notícias de fontes sérias e oficiais. A Arabian Business informa que, ali no Qatar, o país-ilha ao lado, observou-se um aumento de 791% no número de carros abandonados.

Como assim, carros abandonados? Explico o óbvio: o cidadão vislumbrado, que se "encanta" pelas "magias" do Golfo, que adora ostentar, vai lá no banco e pega um financiamento de um carro cuja parcela custa metade do seu salário mensal. Com a outra metade, ele paga um financiamento de apartamento de luxo. Aí um belo dia ele descobre que foi demitido. O que ele faz? Isso: vai dirigindo até o aeroporto, estaciona calmamente o veículo direitinho no aeroporto e... bye-bye Oriente Médio! Vai com a roupa do corpo, deixa pra trás até animal de estimação, abandonado na rua.

E por mais boatos que circulem, todos os indicadores básicos mostram que sim, Dubai tem motivos para se preocupar e que a crise chegou:

O petróleo

O petróleo caiu de US$ 121/barril em maio/2008 para pouco mais de US$ 47/barril (cotação desta semana);

O turismo

Até o ano passado, Dubai era o principal destino aéreo do Reino Unido, transportando mais de 1 milhão de passageiros nessa linha em um ano. Foi mais gente de Londres à Dubai, do que de Londres à Nova Iorque! Só que agora... basta dizer que com a crise, a libra esterlina, que antes valia perto de 1,5 euros, está muito próximo da paridade com a moeda única européia. Dá pra imaginar o impacto dessa crise sobre esses "vôos recreacionais" que enchiam os malls da cidade, não? Isso afeta o carro-chefe de Dubai, que aposta no Turismo como tábua de salvação;

Fundos soberanos

Dizem que os fundos soberanos de Dubai (esse mesmo que o Ministro Mantega começou a tocar no assunto, mas que agora ninguém sabe, ninguém viu) estavam aplicados em grande parte nos mercados americano e britânico... que derreteram. Um bom exemplo (que não tem a ver com Dubai, mas que ilustra bem a situação) é o preço da ação do Citi: a ação do banco chegou a valer 55 dólares, e no pior momento da crise, era negociada a menos de 1 dólar. Um dos grandes recapitalizadores do Citi em mais de uma oportunidade foi o Rei Abdullah, da Arábia Saudita. Dinheiro que evaporou.

Crise de crédito

Como você já deve ter ouvido por aí, a crise mundial é de crédito. E em Dubai não é diferente. Vamos a um exemplo e suas conseqüências: quando cheguei em Dubai, no banco me deram 2 cartões de crédito cada um com 22 mil dirhams de crédito (dava pra comprar um carro zero no cartão!) e mil e uma ofertas de empréstimos à 4,5%a.a.: para mobiliar a casa, adiantar o aluguel...

... qual era o impacto de tanto dinheiro na praça?

1. Um monte de libanêses de camisa aberta e gel no cabelo e ingleses de cabeça raspada andando de porsche, mercedes e outros carros caros;
2. Uma espiral nos preços de aluguel e uma arrogância dos proprietários e agentes imobiliários: pagamento de aluguel? Só em um ou dois cheques anuais!

Agora a coisa mudou: o Norman me conta que, para conceder empréstimos, o HSBC exige comprovação de salário de no mínimo 20 mil dirhams/mês. E agora não é mais 4,5%. Já é 5, 6%...

... o impacto no setor imobiliário está sendo hilário e com um delicioso sabor de vingança contra esses bandidos que controlam o setor:

- você lembra da Damac? Isso, aquela que rifava jatinhos e ilhas, e dava um carro de luxo na compra de uma propriedade? Pois é, ela já dispensou mais de 200 funcionários e recebeu uma injeção de 60% de capital de um grupo egípcio.

- e agora, o mais gostoso: o preço dos imóveis dá indícios de entrar em queda-livre. O anúncio abaixo (no Dubizzle), uma casa nos Springs a 90 mil dirhams/ano, já representa 50% de queda em relação aos valores negociados no ano passado. E os proprietários, de uma hora pra outra, ficaram humildes, humildes, aceitando pagamento em 12 cheques:



E aqui, uma reportagem sobre a queda nos preços do mercado imobiliário em Dubai.

Conclusões

O comportamento do xeque

Não é a primeira vez que Dubai enfrenta uma crise, embora essa tenha características peculiares: petróleo em baixa, mercado imobiliário em queda.

Ele vai o que sempre fez em tempos de crise: continuar a investir.

Para os oportunistas do Real State

Se você é mais um "bem sucedido empreendedor do mundo imobiliario norte-americano" que teve a genial ideia de "expandir seus negócios" abrindo uma filial de sua "multinacional" de três funcionários em Dubai, amiguinho, a farra acabou!

Foi-se o tempo em que você ganhava em comissão de venda de uma casa mais que o salário anual de um engenheiro qualificado. Agora é re-a-li-da-de, camarada! Todo mundo está acordando para o fato que ganhar o pão do dia-a-dia é mais difícil do que se imagina.

Mas na crise de uns pode estar a oportunidade de outros: se você recebeu agora uma oportunidade para seguir para o Golfo, se tiver margem para negociar seu salário, você encontrará uma Dubai mais humilde, com agentes imobiliários mais modestos. E com sorte, pagará pelo preço do aluguel de uma casa um valor mais próximo do "justo".

Dica: a hora da revanche

Na hora de fechar um contrato de aluguel, faça como a maioria dos bandidos que trabalhavam no setor imobiliário ate o ano passado (isso o Amaury Júnior e a Hebe não contam, né?). Aperte a mão do cidadão, diga verbalmente que "fechou". Continue, mesmo após dar a sua palavra, a negociar com outros agentes. Na hora de assinar o contrato, diga que mudou de ideia e que voce só paga 75% do valor acertado. Vigança é um prato que se saboreia frio... e a mesa está pronta.

14.12.08

Táxi x aluguel de carro e habilitação

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Procurando emprego em Dubai":

Olá Sheik Luis,

Tenho acompanhado seu blog a algum tempo, pois no início de Janeiro irei para Dubai a trabalho.

Uma coisa que me preocupa muito, é a questão do transporte. Li em alguns posts onde voce comenta que transporte publico praticamente não existe e taxi é uma alternativa. Voce tambem citou a possibilidade de alugar um carro, que seria algo bem em conta.

Por isso quero te perguntar:
1- Qual é em média o custo de taxi por ai?
2- Qual é o custo de se alugar um carro básico semi-novo por mês ou semana?
3- Qual o custo da gasolina?
4- E carteira de habilitação? Nós brasileiros podemos utilizar nossa carteira por quanto tempo? Temos que tirar nova licença? Como funciona habilitação?

Grato pela ajuda e parabéns pelo blog.

Abraços
Wesley



Ex-sheik Luis responde:

Fala rapaz,

Essa é fácil:

1- Qual é em média o custo de taxi por ai?


Uma corrida sai por aproximadamente 1,5 dh por km. Uma corrida de 25 km sai por volta de uns 35 dh. É barato. Mas em Dubai, tudo é longe. No final das contas, fica caro.

2- Qual é o custo de se alugar um carro básico semi-novo por mês ou semana?


Carro básico semi-novo... não entendi esse último detalhe. Geralmente aqui as empresas de aluguel de carro tem um padrão mínimo de qualidade, e todos os carros são novos e bem cuidados. O modelo mais barato é o Mitsubishi Lancer com motor 1.3, câmbio manual.

Você vai gastar entre 1500-2000 dh/mês. Com a gasolina barata, sai mais barato que táxi!

Uma empresa do setor: http://www.diamondlease.com

3- Qual o custo da gasolina?


A gasolina custa 6,25 dirham/galão imperial.
Um galão imperial tem aproximadamente 3,8 litros.

4- E carteira de habilitação? Nós brasileiros podemos utilizar nossa carteira por quanto tempo? Temos que tirar nova licença? Como funciona habilitação?


Há duas condições primordiais para estar apto a dirigir e portanto, alugar carro:

1. você tem um visto de turista e uma carteira internacional de habilitação;
2. você tem um visto de residente e uma carteira local de habilitação;

ATENÇÃO: a partir do momento que o visto de residência é aplicado ao seu passaporte, você NÃO PODE MAIS dirigir com a carteira internacional. Aí é táxi até você conseguir passar na gincaninha da carteira de habilitação (alguns meses de contínua frustração).

Prepare-se, pois mais desagradável do que tirar a carteira de motorista em Dubai, só mesmo encontrar um lugar decente para morar com preço aceitável.

O lado bom é que a época de janeiro a março é a mais agradável em Dubai: você vai poder andar à pé ou bicicleta ao ar-livre. Aproveite, pois depois...

É isso aí: boa sorte!

Abraço de ex-sheik,

Luis

24.9.08

Ultimato para as "shared villas" em Dubai

Iterrompo aqui a série "As prostitutas chinesas" porque eu quero a sua opinião, caro leitor: o que você acha deste ultimato de um mês dado pelo governo de Dubai aos moradores de colocação em Dubai (as "shared villas") para saírem de suas residências ?

Apenas algumas informações:

- o aluguel de um quarto com banheiro em Dubai em uma "shared villa" custa entre 4.000 e 8.000 dirhams por mês. Como ilegal, tudo é feito sem contrato. Mais caro que alugar um apartamento em Paris, com contrato no seu nome, e tudo mais;

- alternativas para quem mora uma "shared villa" em Dubai:

- alugar um estúdio em International Village a um preço equivalente (a 15 km da cidade no meio do deserto e mal-provida de transporte público);

- alugar um estúdio em empreendimentos de luxo como Marina, Al Barsha... detalhe: um estúdio na Marina não sai por menos de 10 mil dirhams por mês. E tem que pagar o aluguel anual com um ou dois cheques de uma só vez. Quem é que agüenta?

- ah sim! Há outras opções, como morar em Sharjah, onde o consumo de álcool dá cadeia, ou ainda em Ajman. E passar 5h do dia atravancado em congestionamentos;

É no mínimo curiosa esta "cruzada contra os solteiros" neste exato momento de crise no setor imobiliário internacional, em que especialistas no setor apontam para um aumento na oferta de imóveis vagos em Dubai e quem sabe, uma correção nos preços dos apartamentos (ou você realmente acha que há motivo para um apartamento em Dubai custar tão caro quanto em Paris?).

Fica um cheiro de deslealdade no ar: o governo querendo resolver os problemas de seus amiguinhos especuladores com o dinheiro e destino de quem ajuda a tornar Dubai o que é.

E cá entre nós, imagine esta situação: você ganha um salário de, digamos, 15 mil dirhams/mês. Você paga o seu aluguel de 5.000 dirhams mensalmente para morar em um quarto em frente ao mar. Você acha que valeria a pena continuar em Dubai sendo forçado em um mês a trocar o seu quartinho perto do mar e no centro da cidade por um estúdio cafofo no meio do deserto, tendo ainda que pagar um ano adiantado em dois cheques? O ainda melhor: comprometer-se com um aluguel de 10 mil dirhams/mês na Marina, que consome mais de 50% de seu salário, e para tal, terá que fazer um financiamento no banco para o adiantamento. Você acha que valeria a pena ficar em Dubai?

Pois é exatamente essa a realidade da maioria das pessoas que vivem em casas compartilhadas em Dubai. E se essa gente pesar bem as coisas, vai ver que não vale mais a pena ficar na cidade, que o sonho ou nunca existiu, ou já acabou faz tempo.

Arrumar as malas e ir embora é o maior trunfo na mão de um expatriado em Dubai. Porque sem ele, solteiro ou não, Dubai não é nada.

22.5.08

Isto é tchicu

Isto é o tchicu...



... que vem da Índia.



Parece kiwi, mas não é (é muito melhor).

Em uma cafeteria em Deira: Chicoo Milk shake LARGE - 10 dirhams

18.5.08

Para tomar tchicu


Oriente Médio. Golfo... um dia qualquer nas vizinhanças do Eixo do Mal. Tomo uma decisão: vou ao banco. O objetivo: transferir dinheiro para o Brasil. Dinheiro para comprar uma fazenda, ou talvez, alguns deputados (eles adoram...). Ou talvez, as duas coisas.

Sabe leitor: deputados adoram fazendas. Então nada melhor do que colocá-los lá, em um enorme rebanho... tudo bem, não falo mais de deputados, esta espécime rara. "Você sabe com quem está falando?", já se pronunciou um deles.


O Banco fica lá em Jebel Ali Free Zone (Zona Franca da Montanha Ali), pertinho do porto de mesmo nome. De montanha mesmo, não há muito mais do que uma colina, quase uma duna, onde estão algumas antenas parabólicas enormes. Por que Ali? Mania de querer saber o por quê de tudo. Mas eu explico: Ali foi primo e genro de Maomé. Mas porque ele virou nome de montanha, aí já não sei. É como querer explicar porque o nome o profeta varia tanto: Mohamed, Muhammed, Muhammad, Ahmad, Ahmed, Mahmud, ...

A transferência internacional no banco custa 80 dirhams, via internet, 50 dirhams. Mas como é muito dinheiro (malas e malas, leitor! Não seja pobre: fazendas custam caro), não há outra opção a não ser ir pessoalmente, com a minha caravana de camelos (Sim, eu sou um endinheirado. Ana tchor flos).

Nossa que calor! Enquanto a menina conta as inúmeras notas de 1000 dirhams, aproveito para tomar água. Água fesquinha, quase nem percebi quando a garota terminou de contar:

- Óquêi, sãr. Hévagudêi.

Dever cumprido, fome: hora de comer.


Entre um banco e outro, dois restaurantes: Muhammed Khalifa Restaurant. Eat & Drink Restaurant. Ótimo. Entro no mais bonitinho: Eat & Drink: 6 mesas de quatro lugares. Todos os assentos ocupados. Todos homens. Melhor tentar o outro. Mas a bexiga está cheia, não dá pra sentar.


- Vocês têm banheiro aqui?
- Sorry, sir...

Vamos tentar algo lá fora. Vamos perguntar para esse senhor sentado no bloco de cimento:

- Hi, do you know where the bathroom is?
- Sorry?
- Bathroom, restroom.
- Arab?
- No...
- Sorry, sir. No English.
- Toilet. Tovalet. Xixi. Cocô.
- No, sir...

Vamos lá. Eu consigo. Isso aqui deve ser uma mesquita... e bingo! Um banheiro. Mas a voz no microfone indica que é horário da oração e rapidamente, uma fila de barbudos se forma na entrada do banheiro. E todos olham para mim. Na parede, uma placa:

Proibida a entrada de não-muçulmanos

De certo, não haveria problemas em fazer um xixizinho. Menos feio do que tirar o pipi e fazer ali no deserto, na frente de todos. Mas essas coisas inibem a gente, e até a vontade de xixi passa. Ótimo, já dá para sentar. Volto ao restaurante. Este aqui tem mais mesas que aquele ao lado. O garçom aparece:

- Hi, sir!
- Can I see the menu?
- Yes, sir... - ele sai e vai à prateleira e sem nenhuma dúvida, puxa um pacote de batatas-fritas, derrubando tudo o que estava na prateleira. Isso o distrai: ele volta com o pacote de batatas-fritas e começa a reorganizar a prateleira. Um outro garçom se aproxima:

- Hi, sir!
- The menu...
- No menu, sir...
- O que você tem?
- Dagaladagalagadagalagada... and chicken biryani... and dagaladagalagadagalagada... dal.

Aceito o dal, que é feito de batata. Dal e pão, feito na hora. E só: era o que ele tinha de vegetariano. Na hora de pagar, tiro uma nota de 100 dirhams.

- Sorry, sir. It's only 3 dirhams. No change?

Três dirhams e eu apenas com uma nota de 100. Constrangedor:

- Hmm... no...
- Ok. No problems, sir.

E o que era quase de graça, sai constrangedoramente de graça. Mas também não matou a fome. Outra idéia, volto ao Eat & Drink:

- Hi sir! Do you have... chickoo drink?
- Yes, sir!

Está com fome? Pare em qualquer restaurante ou cafeteria indiana e peça um Chickoo Milkshake. Tchicu é uma frutinha marrom bem doce que no Brasil é mais alongada e chamada de sapoti. É muito comum na Índia e outros países da Ásia.

Enquanto espero a bebida, observo o fluxo: os garçons alternam-se entre atender a clientela e empacotar os pedidos para viagem. O telefone toca freneticamente.

Em uma mesa com rodinhas há um balde com talheres de plástico, e sacolas plásticas onde os pacotes para viagem são preparados. Entre um pacote e outro, um garfo vai ao
chão. O outro garçom passa e dá sua contribuição para o evitar o aquecimento global: pega o garfinho do chão e - óbvio - coloca-o novamente no balde de garfinhos limpos.

- Ok, sir.
- How much?
- 12

Pronto. Passo no restaurante ao lado e com o troco, pago o Dal. Hora de tomar tchicu.

10.5.08

Aulas de árabe em Dubai



Então você realmente quer aprender árabe em Dubai? Está bem, está bem, segue então uma dica do Sr. Nelson Lomba sobre curso de árabe em Dubai:


Oi, Luis.

O instituto se chama ETON e fica em knowledge Village.

O curso para iniciantes é de 30 horas e custa 1200 dirhams (incluindo o material didático – 1 livro e alguns CDs).

Há uma turma aos domingos e terças, e uma outra às segundas e quartas. As aulas comecam às 19:30 e terminam às 21:00hs. Ate agora eu só fiz uma aula, que foi bem legal. O nome da professora é Saly. Ela e egípcia e dá as aulas em inglês. O inglês dela tambem é muito bom.

O site do curso é http://www.eton.ac/index.php

Eles também têm um curso de árabe intensivo. Tem um amigo que está fazendo, são 5 dias por semana.

Abraços,

Nelson


É isso aí. Vale lembrar que a garota bonita da página não está inclusa no curso.

Nelson Lomba é especialista em "Arcaísmo Contemporâneo" e ganha a vida dando palestras e consultorias em Dubai. Com a fortuna que já fez, já comprou o seu Rolex em Karama, colaborando assim para o fim do desemprego infantil na China, e agora esbanja luxo pelas ruas de Dubai.

Grande dica, seu Nelson!

Abraço de sheik.

23.4.08

E há espaço?

E há espaço para mais um veículo de comunicação? Essa era a discussão em um programa de rádio esta semana, e um dos editor de jornais entrevistados acha que sim: "o mercado de publicidade no Golfo é de 1 bilhão de dólares".

Um bilhão de dólares: acho que ouvi errado. 1000 vezes 1 milhão de dólares para que não haja confusão... recentemente soube por um amigo que um estúdio (leia-se um apartamento de pequenas dimensões) em um empreendimento imobiliário lançado recentemente custa na planta justamente 1 milhão de dólares (já falarei em breve a respeito). Pensando bem, inflada ou não, a cifra de 1 bilhão é até plausível.

Façamos então uma nova abstração: imagine que ao invés de utilizar dinheiro para negociar publicidade na mídia por aqui, as empresas utilizassem estúdios nesse novo empreendimento como moeda. Estamos falando de um mercado onde as pessoas negociariam apenas 1000 estúdios de 50 m quardados. Pensando bem, êita mercado minúsculo! Que coisa de pobre. Acho que eu realmente ouvi errado: esta cifra deve ser para o UAE, e não o golfo todo.

13.4.08

O pinto e a importância do arroz

E esse papo de commodities - feijão pinto pra cá, pinto pra lá, arroz... - me lembrou de coisas interessantes que vêm acontecendo nas últimas semanas devido à alta nos preços de grãos, principalmente arroz:

- proliferam protestos pelo mundo contra a alta dos preços dos alimentos: Camarões, Costa do Marfim, Mauritânia, Burkina-Faso, Senegal, Moçambique, Egito, Indonésia, Filipinas, e agora Haiti;

- para conter a alta dos preços do arroz Basmati (a variedade mais consumida na Índia), o governo indiano implementou cotas de exportação. O que contém os preços no mercado interno indiano, faz desparar o preço desta variedade no exterior, para o desespero dos NRIs;

Li uma reflexão interessante de um jornalista da Folha sobre este fenômeno. Clique aqui.

O Brasil é um dos poucos países que se beneficia desta crise: o sonho de se tornar o "celeiro do mundo" parece se realizar e os produtos agrícolas têm sido o carro-chefe das exportações brasileiras, e aparentemente, a alta dos produtos no exterior ainda não afetou significativamente o mercado interno. Mas eu não estou no Brasil para dizer. E você que está aí, o que pensa? De longe, comparando os preços, vejo que o Brasil é hoje um país caro, ao que tudo indica, devido principalmente à enorme carga tributária do país e não à alta internacional nos preços de commodities.

Celso Furtado* sustentava que, em um resumo grosseiro, o ciclo de industrialização do Brasil inicia-se apenas devido à acumulação e concentração de riquezas proporcionadas pela cultura do café. Não por acaso, São Paulo, o maior produtor de café até a crise de 29, é ainda hoje o estado mais desenvolvido e industrializado do país. Não por acaso que os estados que tem maiores taxas de crescimento atualmente são Mato-Grosso, Bahia, ligados à cultura da soja. O Cerrado e a Floresta Amazônica que se cuidem!

Mas eu cá comentava às minhas concumbinas como é que essa alta nos preços nos afetava. Descobri de um modo muito prático e sutil, e fútil, neste fim-de-semana: fui à Igreja Capitalista Ibn Battuta Mall para fazer a oração semanal ao ao deus Consumo. Aproveitei e pedi um Veggie Kebab no Shamiana. Quando o prato chega - surpresa! - algo está diferente: o arroz Basmati foi substituído por batata-frita. E comendo batatas-fritas, elas estão ficando todas pançudas, berebentas, manteguentas.



* Vide Formação Econômica do Brasil

16.2.08

Entretenimento em Dubai

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Valentine's Day x DSF":

Olá,
Gostei bastante do seu blog!
Recebi uma proposta de trabalho aí em Dubai, na área de T.I., ainda estou analisando, mas queria trocar uma idéia sobre o custo de vida aí?

Principalmente refeições e entretenimento (já que ninguém só trabalha nessa vida).

Hospedagem será paga pela empresa que está me "assediando".

Se tiver msn, gtalk, skype ou qq coisa do gênero ajuda na nossa conversa!

Ah! Também me interesso pelas diferenças culturais...me assustei com o post sobre as mulheres e já desisti de levar minha noiva, pelo menos por enquanto.

Abraço

Postado por Anônimo no blog Dubai F. C. em Sexta-feira, 15 Fevereiro, 2008


Olá Douglas,

Vamos a suas dúvidas:

1) custo-de-vida: já publiquei muitos posts sobre este assunto, e como já disse, o mais caro aqui é acomodação. Com relação à alimentação, apesar da inflação, os preços de supermercado são semelhantes ou até mais baratos do que no Brasil. Quanto a restaurantes, tudo depende de onde sua empresa está instalada: em geral, em áreas empresariais, o preço de um prozaico almoço em um restaurante gira em torno de 40 dh, algo não muito diferente de cidades como São Paulo. Café e sucos são bem mais caros do que no Brasil;

2) Entretenimento: Dubai é uma cidade que oferece muitas oportunidades neste âmbito. Algumas opções:

- cinema: 35 dh;
- baladas: muitas opções... traga a sua noiva se quiser entrar!
- restaurantes: opções para todos os bolsos;
- Ski Dubai: em torno de 200 dh/2h;
- corrida de kart: em torno de 150 dh;
- pentball: em torno de 150 dh;
- futebol: é preciso alugar uma quadra, sai em torno de 30 dh/pessoa;
- kite surf: o material todo sai por uns 4000 dh, aulas em torno de 600 dh/mês;
- caiaque: um caiaque novo sai por uns 4500 dh, um usado, em torno de 2000 dh. Aulas no clube 1x/semana, por 600 dh/mês;
- academias de ginástica: há muitas...
- hockey no gelo: sim, há uma quadra de gelo no complexo "Al Nasr Leisureland";
- triatlo;
- ciclismo: há os passeios semanais gratuitos (em bicicletas speed) da Wolfi's Bikeshop. Duro é levantar na sexta às 5h da manhã. Há também a turma que treina durante a semana em torno de Nad Al Sheba;
- caraoquê: há um na galeria das Emirates Towers;
- boliche: há pelo menos 2 casas de boliche em Dubai;
- bilhar: outro dia vi um lugar desses, mas não me lembro onde. Há brasileiros que acharam mais fácil comprar uma mesa e enfeitar a sala, hehehe...
- salsa: há uma infinidade de cursos de salsa em Dubai, um dos melhores lugares para se conhecer mulheres. De 35 a 50 dh/aula;
- tango: há também um grupinho consistente de praticantes de tango na cidade. Ponto para os argentinos;
- massagem e "fitness": eufemismo para prostituição. Não serei moralista a ponto de negar algo que sempre existiu, nem insensato a ponto de fazer apologia ao crime: prostituição não é algo legalizado por aqui e que vem sendo reprimido fortemente pelo governo. O mais intrigante é ainda ver alguns anúncios de "massagem e fitness" nos jornais... ainda há muita prostituta aqui (chinesas, russas, africanas), os preços variam de 300 a 1500 dirhams e saiba que se você for pego em flagrante no "fitness", pode ir para cadeia com direito a deportação no final;
- passeios no deserto: muitas operadoras realizando esses tours. Em torno de 200 dh/pessoa;
- caminhadas outdoor: compre um 4x4, guia "UAE offroad", uma barraca no Carrefour, e corra para as piscinas de Hatta, Mussandam (em Omã), Fossil Rock, Stairway to Heaven, Jebel Hatta, Ray... e aproveite enquanto o verão não chega;
- playstation: ah... o verão chegou? Chora neném... boa diversão com seu Playstation portátil no seu quarto, com o ar condicionado ligado;
- fazer filhos: este é um dos entretenimentos preferidos das famílias aqui em Dubai, locais ou de expatriados (corrigo: das famílias de expatriados que podem bancar o visto de seus familiares). Você certamente notará a quantidade de famílias com carrinhos de bebê e a quantidade de crianças nos shoppings e restaurantes da cidade;

3) Sua noiva: rapaz, é como eu disse, não há motivo para pânico. Desde que ela siga as recomendações, não há o que temer. De qualquer modo, se você vier antes e já ajeitar algumas coisas como aluguel, vai fazer a experiência dela menos traumática.

É isso aí.

Abraço de sheik,

Luís

14.2.08

Valentine's Day x DSF


Valentine's Day - dia dos namorados nos países capitalistas ocidentais
DSF - não, não tem nada a ver com Dubai SiFú: Dubai Shopping Festival, que acontece todo ano em fevereiro.

Passei ontem a noite pelo Spinneys e tinha uma bancada enorme na entrada, cheia de flores. Ao lado uma plaquinha:

- bouquet de rosas colombianas: 350 DH

Mas fui atraído pela lojinha de roupas de praia, logo ao lado:

- camisa de láicra (sim, senti um prazer em aportuguesar esta palavra): de 125 DH por 35 DH

Trinta e cinco dirhams (já ia aportuguesar de novo: derrames. Melhor, abrasileirar - portugueses escreveriam dirâmes. Mas derrames fica bruto, chocante: um derramamento de dinheiro na terra dos endinheirados. Ou o efeito que causa em alguns quando as latinhas insistem em escorregar do bolso) por uma (o período entre parênteses logo atrás ficou mesmo longo, mas tudo bem. Não sou eu que vou ler mesmo) camisa de praia, que protege do raios nocivos do sol, do frio das congelantes águas do Golfo (no inverno). Do calor das águas no verão (sopa. O bom de pescar no calor é que o peixe já sai cozido).

Você diz: frescura! Sim, frescura. Nos primeiros relatos de ingleses que aportaram por aqui - os únicos registros sobre o passado na região - dão conta de pessoas paupérrimas, pele queimada e cabelo comprido que viviam em casas de barasti, as folhas das palmeiras de tâmaras. Vestimenta? Apenas um pano enrolado na cintura. As roupas tradicionais de hoje foram adotadas após a descoberta do petróleo na região, que aumentou sensivelmente a renda dos pescadores de pérolas que aqui viviam. E eles sobreviveram, com sol e tudo, apenas com um paninho enrolado na cintura, sem frescura de camisa protetora de raios solares nocivos. Naquela época a palavra nocivo provavelmente sequer existia.

Frescura? Comprei a camisa. 35 derrames: se não almoçar hoje, já está paga. Não me julgue muquirana: o jejum purifica. Voltei ao Spinneys: um buquê de rosas pelo preço de dez camisas. E rosas não protegem contra os malvados raios solares. E rosas murcham em dois dias e já se acabou. Ainda bem que concumbinas não se importam com esses tradições ocidentais, cosméticas e vãs. O que importa mesmo é o amor, esta coisa bonita que une até produtores de rosas colombianos a meninas apaixonadas em Dubai.

4.2.08

Camisas



3 camisas sociais: 95 dirhams (R$ 42,50)

22.1.08

Barganhar or not barganhar

Carlos deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Salários x custo-de-vida em Dubai":

Sheik,

grande Blog esse seu, viu! Muito legal mesmo. Divertido e cultural, ah se toda a web fosse assim. Mas, bom, vamos ao o que interessa, ou seja, minha pergunta, hehehe. Como é que os árabes dos EAU são na hora de negociar? Me refiro a tudo: aluguel, salário, preço de carro usado, bicicleta, camelo, areia e por aí vai. É verdade que tudo é negociável e que eles sempre começam vendendo acima do preço ou oferecendo menos do que vale? É considerado rude negociar?
Eu estou quase com um pé no deserto e queria saber se esse paradigma é verdadeiro ou se é só mais uma lenda.

Abraço,

Carlos


Postado por Carlos no blog Dubai F. C. em Sexta-feira, 18 Janeiro, 2008

Grande Carlos,

Depende. Eles sempre põem o preço lá em cima, mas há setores em que você terá maior ou menor flexibilidade para negociar.

Obviamente, em supermercados e shopping centers, o preço geralmente é fixo. Nos souqs (mercados), em comércio de carros, itens usados e aluguéis, há sim margem para negociação.

Não espere muita coisa ao negociar aluguéis. Essa é a experiência mais desagradável de Dubai: o preço começa (bem) lá em cima e fica por lá mesmo. Agradeça se o pilantra do dono da casa ou da imobiliária não cancelar o negócio depois de já ter fechado verbalmente com você. Ética nos negócios é algo que simplesmente não existe nestes setores.

Boa sorte!

Abraço de Sheik.

11.12.07

Consulado do Irã

No site, diz: "ao lado do Iranian Hospital (...)". Iranian Hospital é por assim dizer um complexo hospitalar decorado de mosaicos de azulejo com inscrições em árabe. Ou será em farsi? O alfabeto é o mesmo, com algumas letrinhas a mais. Provavelmente, são versos do Corão. De um lado da Al Wasl Road, o Hospital. Do outro, uma mesquita feminina, interligados por uma passarela.

- Onde é o consulado?
- Mais a frente, sir!

Se fosse verão, eu estaria perdido. Ou melhor: molhado. É nessas horas que se lembra de como é bom o inverno, esse tenebroso frio de congelantes 26 graus. Brrr. No verão, não dá nem pra considerar andar um quarteirão longo desses se o objetivo é chegar ao destino final "apresentável".

Prédio bonito esse do consulado. Dentro dele, tudo em árabe (ou farsi), com algumas palavrinhas em inglês, não mais que o essencial: information, counter, visa, exit. Fotos de barbudos pelas paredes. Gente fedida cortando fila, como de praxe em Dubai.

Chega minha vez. Para eu falar com o rapaz que está do outro lado do vidro eu tenho que abaixar pra falar pelo buraquinho:

- Oi! Eu vi no site que brasileiros têm visto automático no aeroporto para 7 dias. Mas eu comprei uma passagem em uma promoção da Emirates e gostaria de saber se...

- Filled form, photo and passport, please!

- Mas eu gostari...

- You get the form in the counter.

- Tá bom. Está aqui esta merda de formulário já preenchido. Vai. Pega aí, seu grosso.

- Why are you going there?


- Turismo.

- Do you have friends in Teheran?

- Não. Mas eu conheço uma iraniana aqui em Dubai que se chama Golnaz. Que nome!

- When do you go?

- Eu vou no dia tal.

- For how long?

- Eu volto no dia ta...

- FOR HOW LOONG?

- Estúpido. (1,2,3..)... hmmm... 12 dias.

Ele folheia o passaporte e franze a testa:

- But I cannot give you a visa for more than 7 days... - ele continua folheando o passaporte - hmmm... you are resident in UAE!

- Claro, oras! Sou sheik, porra. Vamos resolver logo esta merda que já estou atrasado.

O rapaz rabisca um número em algarismos árabes e diz:

- Counter, then back here.

275 dirhams. É o preço de um tênis "de marca" (ainda bem que os sheiks usam sandálias). Volto ele ele me entrega um selinho porco escrito: "volte em 3 dias". Simples demais. Deve ter algo errado. Ele nem ficou com a cópia da passagem.

- Meu senhor, você não quer a cópia da passagem?

Do outro lado do vidro, ele me olha, rabisca "110 dirhams" em outro papel e diz:

- Counter!

Fiquei parado com meu novo troféu a minha frente. O iraniano ao lado riu e explicou: "Você tem urgência em viajar? Isto é só para o caso de você precisar com urgência do visto. Pagando isso, sai em 24h!".

Ah bom, não tenho pressa. 3 dias depois, estava lá meu passaporte com um novo papelzinho colado: "visto para 15 dias".

Resumindo

Visto para o Irã:

Para brasileiros, visto de 7 dias que pode ser comprado direto no aeroporto Iman Khomeini em Teerã.

Período superior a 7 dias: se você é residente em Dubai, vá até o Consulado Geral do Irã, na Al Wasl Road.

Preço: 275 dirhams por visto de 15 dias (sai em 3 dias). Adicionar mais 110 dirhams em caso de urgência (sai em 24h).

3.12.07

R.O.L.E.X.



Dubai, a terra dos endinheirados. Segundo alguns, "um lugar onde se pode usar artigos de luxo sem medo de ser roubado". Pois! Quem é que não tem um ROLEX? Só pobre que não tem.

Aliás, tem que ser muito pobre: desde que as grandes fabricantes de relógios de luxo expandiram seus negócios para China e Índia, nunca foi tão barato ter um ROLEX. E não só: Mont Blanc? Patek Philippe? Breitling? Em Dubai, custa 120 dirhams, sirrrr!

Ah, as benesses da globalização: não reclamem, pobres leitores, dos empregos perdidos por causa do temido neoliberalismo, essa coisa do capeta. Ela permite que você economize nos tickets-restaurantes para poder, ao final do mês, comprar um relogião bonito para impressionar a namorada. Ela olha e diz: "Hummm, ROLEX. Ele deve ser importante! Deve sair na TV!".

Pessoalmente, fico impressionado pelo modelo de negócio implantado na Ásia pelos nobres fabricantes de relógios europeus: uma parceria com os chineses - capitalismo? Lave a sua boca com sabão, leitor imundo! Socialismo com características chinesas - e pronto! Várias fábricas espalhadas pela China, competindo entre si pela produção de motores de tic-tac. A solução definitiva para o desemprego infantil na China! Mas a maior inovação mesmo foi o aproveitamento da rede mundial de computadores em seus negócios. Um destes modelos informava o local de fabricação: "MADE IN INTERNET" (E o pipoqueiro chora de alegria).

Fruto desta grande competição entre fábricas maoístas de motores de relógio, sobraram hoje apenas dois grandes jardins de infância concorrentes: a dos motores à pilha e a dos motores à corda (incrível! É só chacoalhar e funciona!). Estes jardins de infância resolveram o problema da crise no setor calçadista chinês (depois que o Brasil, país pujante, país do futuro, fez um PACto pelo crescimento e começou a exportar calçados, muitas crianças perderam, além dos dedinhos, o empreguinho nas fábricas de tênis Mike e "Double Sport". Agora, com petróleo então? Ninguém segura esse Brasilzão, esse "país que dá certo"): estes jardins de infância disputam a tapa as crianças com menos dedinhos, capazes de manipular pecinhas cada vez menores. Apresentam para isso, salários cada vez mais atraentes: além do tradicional salário-pirulito, oferecem competitivos prêmios como o pastel de pombo e a sopa de cachorro. Honra ao mérito!

Perfeito: onde há competição, há bom preço. E as fabricantes européias aproveitam! Aplicaram o mesmo princípio na distribuição de seus produtos, em uma grande parceria com os indianos: é tecnologia européia fabricada na China e na Internet e exportada por indianos para Dubai e para o mundo! Mais uma vez, grande concorrência: os indianos em Karama se digladiam para vender os mesmos relógios, fabricados pelas mesmas mãozinhas. E o indiano tenta justificar para o Fidalgo da Corte a diferença de preço entre um Patek Philippe e o modelo ao lado: "mas veja bem, sir: este não é qualquer relógio... este aqui é um Mont Blanc!". O Fidalgo da Corte não se contém: "Fuoooodasssi"...

7.9.07

Pré-Ramadan

Eita janta longa, não é?

Pois é. Mas antes de eu começar a falar sobre a semana passada, vamos falar de presente e futuro.

A uma semana do início do Ramadã, período no qual todas as principais casas noturnas da cidade permanecerão fechadas, é festa em todo lugar: todo bar arranjou um jeito de trazer um DJ famoso na Inglaterra para tocar e assim, colocar os preços lá na estratosfera.

Ontem dei um pulo na Trilogy. Vamos falar de preços:

- entrada - 120 DH (R$ 60 / 24 €)
- cerveja mexicana "Corona" - 40 DH (R$ 20 / 8 €)
- garrafa de água (375 ml) - 20 DH (R$ 10 / 4 €)

A garrafa de água parece um vidro de perfume e vem lá da Noruega...

DJ inglês, cerveja mexicana, água norueguesa: são os habitantes de Dubai consumindo globalmente e assim, dando sua contribuição inteligente para o aquecimento do planeta.

10.7.07

Dubai Duty Free


Uma rifa não-usual: mil números de 500 DH por um carro esportivo. É o Dubai Duty Free dando a sua contribuição inteligente para o aquecimento global.

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An unusual raffle: one thousand tickets of 500 DH each for a sport car. This is Dubai Duty Free giving its intelligent contribution for the global warming.

19.6.07

Ao vencedor...


Olhe bem para as cebolas acima: ambas estão à venda lado-a-lado no Spinneys. Uma proveniente dos EUA, a outra é paquistanesa. Uma custa 4,5 DH/Kg, a outra 2,25 DH/kg.

Quando uma embalagem informa que um produto é geneticamente modificado, a primeira reação em geral é de rejeição. O mesmo acontece quando há duas embalagens igualmente bonitas, uma delas com as palavrinhas mágicas "produto orgânico" ou "ecologicamente correto". A escolha recai sempre para esta que possui a senha para um mundo melhor. Se o preço não é impeditivo, é claro.

Olho novamente para as cebolas. Com todo o respeito aos pequenos produtores paquistaneses, mas é difícil sentir qualquer tipo de simpatia por suas cebolas vendo-as assim, ao lado das cebolas estadunidenses, maiores, de casca lisa, brilhante e uniforme; sem marcas de mofo ou umidade e que aparentam ter crescido na estante da sala, com direito a limpeza e polimento semanal.

Entre elas, uma diferença tecnológica provável de um século. Mas qual seria a melhor escolha para o planeta? Qual é a melhor para mim?

"Ao vencedor, as batatas". E as cebolas, seu Machado, vão pra quem? O Spinneys está fechando... o filipino na balança me olha curioso e impaciente... pronto: 2 estadunidenses, 1 paquistanesa.

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To the winner...

Take a look at these onions above: both were on sale side-by-side at Spinneys. One from USA, another from Pakistan. One being sold at 4.5 DH/Kg , another at 2.25 DH/Kg.

When a packing informs that a product is genetically modified, first reaction in general is of rejection. The same happens when in front of two packing equally beautiful, one of them with the magic words “organic product” or “ecologically correct”. The choice falls on the one which porsuits the password for a better world. If the price is not restrictive, of course.

But I look again to these onions. With all respect to the small Pakistani farmers, but is difficult to fell any kind of empathy for their onions seeing them in this way, close to the American onions, bigger, with a uniform, brilliant and smooth shell, without any traces of mildew or moisture and that seem to be grown on the top of a furniture in th living room, with weekly cleaning and polishing.

Between then, a probable technological difference of one century. But which is better for the Planet, which is better for me?

“To the winner, potatoes”. And what about onions, Mr. Machado, who deserves them? Spinneys is closing, the Filipino clerk look at me curious and impatient… ok: 2 American and 1 Pakistani.

17.6.07

Free delivery


In Dubai, quase todo restaurante, bar, cafeteria, farmácia, supermercado, mercadinho tem serviço de entrega gratuito.

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In Dubai, almost all restaurant, bar, cafeteria, pharmacy, supermarket, grocery has free delivery service.

O preço das coisas


Homus - 7 dh
Tabule - 7 dh
Mutabal - 7dh
Fatuche - 10 dh

Suco de chikoo (grande) - 10 dh

Entrega - gratuita

Homus - 7 dh
Taboule - 7 dh
Mutabal - 7 dh
Fatoush - 10 dh

Chikoo's juice (large) - 10 dh

Delivery - Free

12.6.07

Tênis



Converse All Star, made in Brazil (Rua Augusta, São Paulo, Brazil):

R$ 52 = US$ 26 = 98 DH
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Double Sport, made in China (Carefour, Mall of the Emirates, Dubai, UAE):

24,95 DH = US$ 6,79 = R$ 13,23