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13.3.09

Dubai e a crise: o estouro da bolha

Tocou hoje o telefone aqui. Atendi e era o Norman. Grande, Norman! Ele veio lá da Tailândia visitar a família aqui em Paris. Saímos para por o papo em dia.



E não é que o cara lembrou de mim? Trouxe um pacote de biscoito lá da Tailândia. "É caseiro!", disse ele. Puxa, que legal. E o biscoito é bom... já quase matei o pacote enquanto escrevo esse post.



Isso me deixou meio saudoso. Chegando aqui em casa, resolvi olhar o passado e encontrei essas fotos:





Essa foto foi tirada em 2007. Dois anos depois, não sobrou um por lá para contar história: o Driss voltou pra Nice, o Pankaj casou com uma garota sugerida pelo pai e foi para Nova Iorque trabalhar, o Eduardo não casou mas também foi para os Estados Unidos, e por fim, o Norman, que foi para a Tailândia em busca do amor.

Estranho fenômeno esse das migrações. O que motiva essa gente toda, com histórias e motivações tão distintas, a entrar e sair de um país, como em um movimento sincronizado? Seria a crise ou simplesmente a concretização de um movimento natural, como as ondas do mar? Por esta lógica, nós todos da foto chegamos ao mesmo tempo, e teríamos já pré-programado um prazo-limite no país destino. Ou talvez seja a crise...

Seja qual for a razão, o fato é que muita gente tem abandonado o "sonho" e a "magia" (hahahahaha) de Dubai nos últimos meses. E não são poucas: tenho conversado bastante com meus amigos que lá estão, e as histórias são as mesmas:

- a Shaikh Zayed Road está vazia. Cadê os congestionamentos de antes?
- boatos dão conta de que em dezembro passado, os pedidos de cancelamento de vistos atingiram uma taxa de 5.000/dia;
- meu amigo Norman contesta o número acima, mas ele mesmo foi embora...
- o governo começa a organizar leilões de carros abandonados há meses no aeroporto de Dubai;
- empresas anunciam unilateralmente e deliberadamente reduções de salários (isso mesmo! Leis trabalhistas? Isso é coisa de paises que ainda usam esse sistema politico atrasado chamado "democracia");
- boatos de que o Sheik está "quebrado" (duvido!);

Mas até aí, boato é boato. Mas aí a coisa começa a ficar interessante quando os boatos começam a ser embasados por notícias de fontes sérias e oficiais. A Arabian Business informa que, ali no Qatar, o país-ilha ao lado, observou-se um aumento de 791% no número de carros abandonados.

Como assim, carros abandonados? Explico o óbvio: o cidadão vislumbrado, que se "encanta" pelas "magias" do Golfo, que adora ostentar, vai lá no banco e pega um financiamento de um carro cuja parcela custa metade do seu salário mensal. Com a outra metade, ele paga um financiamento de apartamento de luxo. Aí um belo dia ele descobre que foi demitido. O que ele faz? Isso: vai dirigindo até o aeroporto, estaciona calmamente o veículo direitinho no aeroporto e... bye-bye Oriente Médio! Vai com a roupa do corpo, deixa pra trás até animal de estimação, abandonado na rua.

E por mais boatos que circulem, todos os indicadores básicos mostram que sim, Dubai tem motivos para se preocupar e que a crise chegou:

O petróleo

O petróleo caiu de US$ 121/barril em maio/2008 para pouco mais de US$ 47/barril (cotação desta semana);

O turismo

Até o ano passado, Dubai era o principal destino aéreo do Reino Unido, transportando mais de 1 milhão de passageiros nessa linha em um ano. Foi mais gente de Londres à Dubai, do que de Londres à Nova Iorque! Só que agora... basta dizer que com a crise, a libra esterlina, que antes valia perto de 1,5 euros, está muito próximo da paridade com a moeda única européia. Dá pra imaginar o impacto dessa crise sobre esses "vôos recreacionais" que enchiam os malls da cidade, não? Isso afeta o carro-chefe de Dubai, que aposta no Turismo como tábua de salvação;

Fundos soberanos

Dizem que os fundos soberanos de Dubai (esse mesmo que o Ministro Mantega começou a tocar no assunto, mas que agora ninguém sabe, ninguém viu) estavam aplicados em grande parte nos mercados americano e britânico... que derreteram. Um bom exemplo (que não tem a ver com Dubai, mas que ilustra bem a situação) é o preço da ação do Citi: a ação do banco chegou a valer 55 dólares, e no pior momento da crise, era negociada a menos de 1 dólar. Um dos grandes recapitalizadores do Citi em mais de uma oportunidade foi o Rei Abdullah, da Arábia Saudita. Dinheiro que evaporou.

Crise de crédito

Como você já deve ter ouvido por aí, a crise mundial é de crédito. E em Dubai não é diferente. Vamos a um exemplo e suas conseqüências: quando cheguei em Dubai, no banco me deram 2 cartões de crédito cada um com 22 mil dirhams de crédito (dava pra comprar um carro zero no cartão!) e mil e uma ofertas de empréstimos à 4,5%a.a.: para mobiliar a casa, adiantar o aluguel...

... qual era o impacto de tanto dinheiro na praça?

1. Um monte de libanêses de camisa aberta e gel no cabelo e ingleses de cabeça raspada andando de porsche, mercedes e outros carros caros;
2. Uma espiral nos preços de aluguel e uma arrogância dos proprietários e agentes imobiliários: pagamento de aluguel? Só em um ou dois cheques anuais!

Agora a coisa mudou: o Norman me conta que, para conceder empréstimos, o HSBC exige comprovação de salário de no mínimo 20 mil dirhams/mês. E agora não é mais 4,5%. Já é 5, 6%...

... o impacto no setor imobiliário está sendo hilário e com um delicioso sabor de vingança contra esses bandidos que controlam o setor:

- você lembra da Damac? Isso, aquela que rifava jatinhos e ilhas, e dava um carro de luxo na compra de uma propriedade? Pois é, ela já dispensou mais de 200 funcionários e recebeu uma injeção de 60% de capital de um grupo egípcio.

- e agora, o mais gostoso: o preço dos imóveis dá indícios de entrar em queda-livre. O anúncio abaixo (no Dubizzle), uma casa nos Springs a 90 mil dirhams/ano, já representa 50% de queda em relação aos valores negociados no ano passado. E os proprietários, de uma hora pra outra, ficaram humildes, humildes, aceitando pagamento em 12 cheques:



E aqui, uma reportagem sobre a queda nos preços do mercado imobiliário em Dubai.

Conclusões

O comportamento do xeque

Não é a primeira vez que Dubai enfrenta uma crise, embora essa tenha características peculiares: petróleo em baixa, mercado imobiliário em queda.

Ele vai o que sempre fez em tempos de crise: continuar a investir.

Para os oportunistas do Real State

Se você é mais um "bem sucedido empreendedor do mundo imobiliario norte-americano" que teve a genial ideia de "expandir seus negócios" abrindo uma filial de sua "multinacional" de três funcionários em Dubai, amiguinho, a farra acabou!

Foi-se o tempo em que você ganhava em comissão de venda de uma casa mais que o salário anual de um engenheiro qualificado. Agora é re-a-li-da-de, camarada! Todo mundo está acordando para o fato que ganhar o pão do dia-a-dia é mais difícil do que se imagina.

Mas na crise de uns pode estar a oportunidade de outros: se você recebeu agora uma oportunidade para seguir para o Golfo, se tiver margem para negociar seu salário, você encontrará uma Dubai mais humilde, com agentes imobiliários mais modestos. E com sorte, pagará pelo preço do aluguel de uma casa um valor mais próximo do "justo".

Dica: a hora da revanche

Na hora de fechar um contrato de aluguel, faça como a maioria dos bandidos que trabalhavam no setor imobiliário ate o ano passado (isso o Amaury Júnior e a Hebe não contam, né?). Aperte a mão do cidadão, diga verbalmente que "fechou". Continue, mesmo após dar a sua palavra, a negociar com outros agentes. Na hora de assinar o contrato, diga que mudou de ideia e que voce só paga 75% do valor acertado. Vigança é um prato que se saboreia frio... e a mesa está pronta.

24.9.08

Ultimato para as "shared villas" em Dubai

Iterrompo aqui a série "As prostitutas chinesas" porque eu quero a sua opinião, caro leitor: o que você acha deste ultimato de um mês dado pelo governo de Dubai aos moradores de colocação em Dubai (as "shared villas") para saírem de suas residências ?

Apenas algumas informações:

- o aluguel de um quarto com banheiro em Dubai em uma "shared villa" custa entre 4.000 e 8.000 dirhams por mês. Como ilegal, tudo é feito sem contrato. Mais caro que alugar um apartamento em Paris, com contrato no seu nome, e tudo mais;

- alternativas para quem mora uma "shared villa" em Dubai:

- alugar um estúdio em International Village a um preço equivalente (a 15 km da cidade no meio do deserto e mal-provida de transporte público);

- alugar um estúdio em empreendimentos de luxo como Marina, Al Barsha... detalhe: um estúdio na Marina não sai por menos de 10 mil dirhams por mês. E tem que pagar o aluguel anual com um ou dois cheques de uma só vez. Quem é que agüenta?

- ah sim! Há outras opções, como morar em Sharjah, onde o consumo de álcool dá cadeia, ou ainda em Ajman. E passar 5h do dia atravancado em congestionamentos;

É no mínimo curiosa esta "cruzada contra os solteiros" neste exato momento de crise no setor imobiliário internacional, em que especialistas no setor apontam para um aumento na oferta de imóveis vagos em Dubai e quem sabe, uma correção nos preços dos apartamentos (ou você realmente acha que há motivo para um apartamento em Dubai custar tão caro quanto em Paris?).

Fica um cheiro de deslealdade no ar: o governo querendo resolver os problemas de seus amiguinhos especuladores com o dinheiro e destino de quem ajuda a tornar Dubai o que é.

E cá entre nós, imagine esta situação: você ganha um salário de, digamos, 15 mil dirhams/mês. Você paga o seu aluguel de 5.000 dirhams mensalmente para morar em um quarto em frente ao mar. Você acha que valeria a pena continuar em Dubai sendo forçado em um mês a trocar o seu quartinho perto do mar e no centro da cidade por um estúdio cafofo no meio do deserto, tendo ainda que pagar um ano adiantado em dois cheques? O ainda melhor: comprometer-se com um aluguel de 10 mil dirhams/mês na Marina, que consome mais de 50% de seu salário, e para tal, terá que fazer um financiamento no banco para o adiantamento. Você acha que valeria a pena ficar em Dubai?

Pois é exatamente essa a realidade da maioria das pessoas que vivem em casas compartilhadas em Dubai. E se essa gente pesar bem as coisas, vai ver que não vale mais a pena ficar na cidade, que o sonho ou nunca existiu, ou já acabou faz tempo.

Arrumar as malas e ir embora é o maior trunfo na mão de um expatriado em Dubai. Porque sem ele, solteiro ou não, Dubai não é nada.

22.8.08

Iate

Dubai...
Petrodólares...
O Paraíso dos Endinheirados...

... Ferraris.
... Masserattis.
... Campos de Golfe.

Quem joga golfe é muuuito mais feliz. Não é mesmo?

... isso, minha gente. Continuem a masturbação. Para te ajudar, lá vai uma foto do iate do xeque de Dubai, no Porto Rached, em maio deste ano:



Oooooooooooh...

17.8.08

5a noite brasileira com DJ Igor

Saiu até nota no Gulf News:

In Dubai

5th Brazilian Night with DJ Igor dishing out the best of Brazilian rythyms and international hits at Jimmy Dix, Movenpick Hotel.
Entry Dh35, ladies free admission.



Parabéns ao Ígor e ao Elton, que seguem firme com a baladinha brasileira. Quem sabe um dia Dubai não ganha uns 2 ou 3 forrózinhos semanais, como Paris?

Nota: nas primeiras edições da festa, lá no Golden Tulip Hotel, a entrada era gratuita, tanto para homens quanto para mulheres. Agora que a coisa cresceu, já mudou de figura: 35 dh para homem, gratuito para mulher.

Machismo? Aí eu tenho que defender os garotos. Se não é assim, a balada vira uma sauna masculina, conseqüência da desproporcional relação homem x mulher de Dubai, digna de um garimpo. Ainda mais com a promessa de presença de meninas brasileiras, que são consideradas hot.

Dubai 40 graus

O meu primeiro dia em Dubai foi também o mais quente que tenho em memória: lembro-me de que eram 10h da noite e os termômetros na saída do aeroporto marcavam 39 graus. O motorista do hotel que foi-me buscar possuía providenciais toalhinhas umidecidas guardadas em um isopor com gelo. Estávamos na primeira quinzena de agosto de 2006.

Passados 2 anos, a memória começa a fraquejar, e confesso que até eu, que vivi essa experiência nojenta, começava a duvidar de mim mesmo: "39 graus às 10h da noite... isso não existe!".

Pois bem, hoje entrei aqui no serviço meteorológico. Dubai, meia-noite: 38 graus.



Resolvi variar a fonte, e encontrei 37 graus à meia-noite e meia...



... mas a umidade do ar está abaixo dos 40%, portanto, a sensação térmica não deve ser das piores.

Muita gente não entende como é esse calor: você abre a janela à noite de olhos fechados e sente aquela brasa que esquenta o rosto, como se fosse meio-dia... aí você abre os olhos e é de noite. Hora de fechar a janela. Brisa fresca?! Esquece, isso é só lá pra final de setembro, começo de outubro, inchalah.

+++

Ultimamente não tenho postado, e sinto que quando posto, acabo postando algo desmerecedor. Mas fiquem tranqüilos: prometo postar coisas mais alegrinhas e bonitinhas, para que você aí no Brasil, Portugal ou sei lá onde realmente acredite que é o máximo morar no deserto. Afinal, é isso que você procura aqui, correto?

Beijinhos de um ex-sheik.

20.6.08

Paris F. C.

E você deve estar se perguntando: acabou o Dubai F.C.?

Veja bem... não acabou, mas anda me faltando tempo para atualizar...

... falta de tempo, concordo: bela desculpa. Falta de tempo não existe, o que ocorre de fato é uma mudança de prioridades. E enquanto a prioridade não chega de volta ao Dubai F.C., fica aqui um novo endereço: Paris F.C..

É isso aí.

Beijocas de um ex-sheik,

Luís

6.6.08

"A morte de um sheikh?!" ou "Em busca de Passárgada"

Paris, 06 de junho de 2008



(repare leitor, já começo este post arrotando caviar. O que escrevo abaixo deve ser importante...)



Caro leitor,


Lendo agora o título acima, penso que é forte e desmedido: talvez eu o mude para "O exílio de um Sheikh", pois é o que de fato ocorreu.

Sim, leitor: fugi às pressas de Dubai, apenas com alguns alforjes e um camelo. Viagem longa: da despedida em Dubai foram muitos dias de viagem até aqui chegar:



... de barco até Bandar Lengeh (Irã)...



... de ônibus até Shiraz com temperaturas acima de 45 graus ...



... de camelo atravessei planícies agrícolas, montanhas e desertos...




... até chegar em Isfahan, a cidade mais bonita da Pérsia:





E como cheguei até aqui? Longa história, leitor. Você é demasiado curioso.





Fuga, mas também um período de imersão. Imersão na hospitalidade persa.




Imersão em reflexões sobre o tempo e sobre a brevidade de nossa existência, seja como indivíduo, seja como nação, nas ruínas de Persépolis, Passárgada, Nagh-e-Rostam...





Repare no guarda tirando catota do nariz ao lado da coluna onde está escrito "Eu sou Ciro, Rei da Pérsia", em Passárgada. O guarda ali e eu aqui, tentando entender Manuel Bandeira...

Durante esse período refleti muito sobre o novo papel desse blog. Dei cabeçadas na parede. Enfiei farpas de palha sob minhas unhas. Lixei meus dentes nas pedras das ruínas. Pedalei em subidas com sol quente, em planícies com vento-contra. Fiz cocô em latrinas e limpei com o dedo.

Acalme-se, leitor. Este blog continua a ser redigido em meu exílio. Era assim na década de 70 no Brasil, né? Cantores cansavam de lutar contra o regime e se exilavam em Paris, Londres... que luxo.

Que luxo? Quem já foi rei, nunca perde a majestade. Confesso que estou ainda muito triste: estou com uma saudade enorme da quantidade de homens de Dubai, do aperto nos elevadores da Shatta Tower. Do barulho constante dos aparelhos de ar-condicionado. Mas aí tomo um café, como uma baguete, vejo meninas pedalando pelas ruas... e ela logo passa.

Não me entenda mal: minha intenção não é lutar contra o regime. Não quero mudar o mundo. Esta nova fase deste blog não é uma fase de revanche, o que importa é o amor. Dias atrás um rapaz aqui me abordou:

Dubai?! Por que é que você saiu de lá? Dubai é lindo! Dubai é um paraíso! Eu vi na TV!


Esse comentário entrou pelos meus ouvidos como um pão seco descendo pela garganta, sem água. Veja bem...

... é como eu disse: não quero mudar o mundo. Continuarei dando dicas até que elas se esgotem por si só, tornem-se antigas. A diferença é que agora o faço apenas com um pouquinho mais de liberdade, menos temores.

E o ex-sheikh aqui ficará feliz se a leitura deste blog (e de todo o histórico aqui acumulado em quase 2 anos) ajude a reduzir a distância entre as (enormes) expectativas de quem vê Dubai pela TV e de quem chega na cidade para morar. E que cada um consiga encontrar a sua Passárgada, inclusive eu.

É isso. Beijos e abraços de um ex-sheik.

Luís

20.5.08

Dubai World Cup: a calcinha com franjas

Ao final do evento, a amiga belga liga para a Anna:

- Estamos na área corporativa! Venham para cá!

Na entrada, uma loira de vestido relativamente curto e e penacho na cabeça já descalça vem nos entregar os crachás:

- Hi, my name is... and yours?
- Anna
- ... and you...
- Luís
- Oh! Na verdade, eu já tinha te visto antes. Eu estava comentando com minha amiga hoje à tarde... você é diferente... vocês são namorados?
- Não, somos amigos - foi o que a Anna disse.
- Ah, então não tem problema - a moça australiana se empolga e pega no meu braço - você é lindo!

Mesmo entre amigos este tipo de comentário causa constrangimento. Saída diplomática rumo ao casal belga. Fotos. O garçom aparece e assume que gosto de uísque:

- Red Label? Jack Danniel's?

Essa história de beber uísque de barriga vazia após algumas cervejas não é algo sensato. Mas não estou dirigindo, então tudo bem. Mas não quero ressaca, melhor comer. Na mesa, aperitivos: queijos, salgados, doces. Na volta, a loira me intercepta, agora com outra amiga:

- Oi, esta é minha amiga colombiana. Amiga, este é o Luís...

A colombiana diz algo ao ouvido da australiana, que responde em voz alta:

- Não! Não tem problema, eles são só amigos!
- Aaaah booom! Então não tem problema!!! - agora as duas me puxam, uma por cada braço, e me jogam no sofá. A colombiana está ao meu lado cruza os braços com o meu. A australiana senta-se na mesinha baixa (daquelas mesas de sala que as mães não deixam os filhos apoiarem o pé enquanto assistem TV) cruza as pernas e com uma das mãos, alisa minha perna. Eu, um acessório de luxo, colocado entre elas, enquanto conversam. "Ele é tímido! Que fofo!", diz uma delas. E elas tinham muito assunto para conversar:

- Cicatriz? Vou te mostrar o que é uma - então a colombiana se levanta e abre o corte do vestido longo para mostrar uma enorme cicatriz no quadril, na altura da cintura. Belas pernas, mas a cicatriz, coisa feia. Coisa para uns 20 pontos.

- Eu estava no carro com minha mãe. Foi um acidente...

O garçom chega com mais uísque. Ah, a eterna disputa darwiniana... os seres humanos tentam disfarçar, mas no fundo, até uma inocente conversa sobre cicatrizes se resume a uma medição de forças ... a australiana se levanta:

- então vou te mostrar a cicatriz que tenho.

Ela sobe o vestido até acima do umbigo. Barriguinha de quem faz ginástica. Calcinha - bem dizer, calcinha, não: tanguinha - branca com detalhes verdes que combinam com o vestido - branco de detalhes verdes. Tanguinha muito pequena para aquilo que esconde: Tanguinha com franjinhas... e eu aqui me pergunto por que uma loira tem pelos pubianos castanhos. Na altura do rim direito, uma série de marcas de cortes.

- Suas cicatrizes são lindas.

Sou interrompido com um rapaz sorridente que chega, e para o qual a colombiana se levanta e dá um longo e apertado abraço. A colombiana volta a se sentar enquanto ele diz algo à australiana e vai embora. É prudente realizar uma vistoria, e a colombiana tem um anel no dedo esquerdo:

- El es tu marido?

A esta altura, a Anna já está longe, sorriso-padrão, fingindo que não me vê, conversando com dois ou três homens. É quase meia-noite. Era o nosso trato para ir embora... a colombiana dá uma longa risada para a australiana:

- Você viu isso? Ele achou que o Fulano de Tal é meu marido! - e agora as duas riem juntas - hahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha!

A australiana põe ternamente a mão em minha perna e me explica com ar didático:

- O Fulano de Tal é meu marido. O marido dela é aquele ali - e aponta para um inglês que está no balcão, e que a algum tempo olha para nós com aquele sorriso "não doeu".

Ele se aproxima sorrisa e me comprimenta. Aperto de mão longo, apertado. Longo. Apertado. Bom, eu não tenho nada com isso:

- Eu vou ali e já volto.

Aproximo-me do garçom:

- Água?
- Sim, sim. Mas tome também esse vinho do Porto.

Anna agora está sentada em uma mesa mais afastada do resto das mesas e conversa com um árabe de Omã. Mas ela já me disse que não quer nada com árabes. Ela cruza a perna esquerda sobre a direita. O rapaz, de fraque, dá os ombros para o resto do pessoal, fechando a vista.

Volto ao sofá: o marido inglês agora ocupa o meu lugar e segura firmemente a mão da garota. E segue com o mesmo sorriso... mas já é quase 1h, estou quase dormindo em pé. Como interromper uma conversa sem parecer ciumento?

- Oi, ... é ... então, Anna, já são quase 1h...
- Quando quiser ir embora, me avisa...
- Só vou ao banheiro e já volto...
- Ok.

O rapaz me olha com uma cara de reprovação. Eu me desculpo:

- Não quero interromper, mas... pegue o telefone dela, depois vocês combinam alguma coisa...

Reconheço: essa história de sugerir para trocar o telefone soou meio artificial. Ciúmes, eu? Na hora de me despedir, a australiana não se intimida. Abraçada ao marido, diz em alto e bom som:

- Nice to meet you. Você foi o cara mais atraente que conheci hoje.

Lá fora, silêncio... tento quebrar o gelo:

- É... acho que a moça foi meio inconveniente...
- Mas ela não é casada?
- É...
- Que coisa...
- É... que coisa.

E até hoje, quando lembro da calcinha com franjas, arrependo-me de não ter pego o telefone. Pensando bem, melhor assim. Ou não.

19.5.08

Dubai World Cup


Vou escrever um pouquinho sobre o Dubai World Cup, a corrida internacional de cavalos que ocorreu este ano no final de março, marcando assim o fim da estação em que se pode andar de terno à tarde... foi o evento mais luxuoso que já participei.

O local

O local faz jus ao nome: Nad-Al Xiba. Não tem nada por lá, além de areia. As gruas são da construção de Meydan, anunciada no ano passado e que ocupa a área onde antes havia um clube de Golfe. Bem maior que a atual, a previsão é que a nova pista esteja pronta para o ano que vem, inch'Allah.


A organização

Em uma cidade com um transporte público deficiente e onde cada cidadão tem um carro, a organização preparou estacionamentos gigantes no deserto ao redor de Nad Al Xiba, com micro-ônibus realizando o traslado gratuitamente até a entrada. O problema foi a fila: a organização errou ao deixar apenas dois portões para a maior parte do público pagante que se dirigia à International Village. Resultado: quem chegou cedo, como eu, perdeu apenas a chance de participar das "apostas" gratuitas e as garotas, como a Anna, amiga armênia que me acompanhou, perderam a chance de participar no "Concurso de moda". Enfim... nada grave.

Agora, quem chegou tarde... esses amargaram ao menos 1:30h na fila, e perderam a primeira e a segunda corrida. Se bem, que uma vez lá dentro, fica-se com a impressão que a competição é o de menos...

Pessoas

Árabes em trajes nacionais. Japoneses em quimonos. Escoceses em quiltes. Indianos com seus turbantes. Garotas de vestidos exóticos, chapéus que parecem algodão-doce.
É sem dúvida, o evento de gala mais esperado do ano, e todos se produzem para vir até aqui. E é acessível: 180 dirhams a entrada, coisa de 90 reais. E no Brasil, quando custaria a entrada a um evento destes? Sem contar que havia também a área gratuita...


O evento

As corridas ocorreram durante toda a tarde até o final da noite, enquanto boa parte dos presentes preferiam a agitação do Bubble lounge, dos estandes dos restaurantes e bares que vendiam toda sorte de bebidas alcoólicas.

Após a última corrida, o prêmio foi entregue ao vencedor pelo próprio sheik, seguido de apresentações artísticas e queima de fogos.

Não sou fã de cavalos, tampouco de corridas de cavalos. Mas foi uma experiência interessante.


A saída

A saída, assim como a entrada, foi um caos. Mesmo depois da meia-noite, mais de 3h após o encerramento da festa, a saída era um congestionamento só, e as pessoas disputavam a tapa um lugar nos micro-ônibus que levavam aos estacionamentos. A coisa só não foi pior graças ao bom-humor de alguns motoristas de micro-ônibus.

Tenho ainda alguns vídeos aqui, talvez depois eu os publique.

11.5.08

Por que não escrevo: depois do almoço

Caro leitor, noto somente agora que escrevo em primeira pessoa e sinto sobre minhas costas todo o peso da responsabilidade sobre este ato: a primeira pessoa - do singular ou do plural - confere ao texto um caráter confessional, e você - leitor ignorante - pode assumir que é tudo verdade. Ou pior: que é tudo mentira. É por isso que logo agora, antes de seguir, penitencio-me indo ao Mall of the Emirates e tentando estacionar a máquina poluidora que me serve em um estacionamento apinhado de outras máquinas. Condeno-me a enfrentar a fila do caixa do Carrefour. Vou à Chata Táuer às 9h da manhã... e espero o elevador (não existe penitência pior do que ter que esperar). Penitência cumprida, sigamos em frente. Escrevo tudo em detalhes, para não haver dúvidas quanto à veracidade (ou não) dos fatos.

O almoço foi no Shu, casa de xixa em frente ao Jumeira Beach Park, que aos sábados oferece um buffet de saladas e pratos quentes por meros 39 dirhams por pessoa. E eu me pergunto o que confere ao lugar um ar simpático: seriam os livros? Eles ficam bonitos ali, embora me pareçam um pouco deslocados: ninguém vai puxar um livro de 500 páginas para uma leitura despretenciosa enquanto fuma xixa. Visão um pouco utilitarista, mas esses blocos de papel fariam mais jus à sua existência se estivessem em um local mais adequado ao seu consumo, mas o que importa é que a comida é boa. Aprovada.

O almoço acabou tarde, quase 4h:

- Moça, quer chá?
- Não é uma má idéia... vamos ao Limetree?

Café Limeira, um bom lugar para fechar a tarde.

- O que você vai beber?
- Eu gosto de Earl Grey, mas se eu tomar isso agora, não durmo de noite. Vou de Jasmin. E você?
- Ah, eu vou tomar um suco.

Minutos depois, chegam à mesa dois chás: jasmin e laranja com canela.

- Mas você não pediu suco?
- É... mudei de idéia...

Mulheres: dizem uma coisa, fazem outra. Sempre.

- Quer ir comigo ao 360? É aniversário de um amigo gay - mulheres adoram dizer que têm amigos gays. E que possuem gatos, cachorros...
- Não, obrigado. Eu preciso escrever no blog.
- Hey, come on... eles não vão te dar cantadas.
- Eu sei.

Mulheres às vezes gostam de provocar:

- Quando é que você chegou à conclusão que você não é gay?
- Como assim?
- É. Desde quando você sabe que não gosta de homens.

Preconceito: como se todo homem fosse obrigado a ser gay. Meu pai, sheik de renome, sempre dizia: morria de medo de ter filho veado. E sempre dizia: "se alguém falar que você não é homem, mostra o pinto!".

Era um dia singelo na pré-escola quando a vizinha, em plena aula, provoca:

- Se você não faz isso, você não é homem.

Entusiasmado com a idéia de colocar em prática os ensinamentos paternos, lá se foi a calça para os joelhos, para o espanto da professora:

- O que é isso???

Compreensível o espanto dela. Caro leitor, eu imagino que você já saiba: sou sheik. Sheiks possuem genitálias enormes...

- Foi meu pai que mandou.

Imagine isso em um país muçulmano? Castigo: 2h olhando para a parede... ao chegar em casa, a mãe da garota falou sobre o muro: "não faça mais isso, hein?".

- Ok, eu te deixo em casa.

A professora de ioga entrou mais uma vez no quarto, coletou o biquini que jazia pendurado na porta do banheiro, a canga pendurada na porta do armário, mas se esqueceu da toalha na cadeira. Compreensível: para mulheres, uma estória sempre termina em reticências...

... mas eu sou homem. Não me provoque, que mostro a genitália. O que relatei aqui, justifica e muito a minha distância dos teclados. E é por essas e outras que qualquer hora, vou-me embora de Dubai. E assim sendo, termino este post sem reticências: apenas um ponto final.

10.5.08

Por que eu não escrevo: depois do banho

Saio do banho; a garota está estendida na cama.

- Se você não lê o livro, leio eu. - e começa a ler em voz alta:

The body is like grapes, and if you use rightly you can create the wine in you. The body is going to disappear, but the wine can remain, the spirit can remain.


Deito ao lado. Garotas ficam sensuais lendo:

- E aí, o que você acha disso?
- Conclusão: beba vinho e seja eterno!
- Chato!

A negação estimula o crente a converter o incrédulo. Ela continua:

"The death of the seed will be the birth of the tree (..) But how can this be known to the poor seed which has never been anything else? It is inconceivable. That's why God is inconceivable."


Isso me traz à memória uma entrevista de Leonardo Boff ao programa Conexão Roberto D'Ávila em que ele comentava suas últimas conversas com Darcy Ribeiro, já em estágio terminal. Ele tentava mostrá-lo como seria bom o pós-morte, a Pachamama que o abraçaria cheia de amor e vida... e viu um Darcy Ribeiro reticente:

- Leonardo, isso tudo é muito bonito e confortante. Eu juro que gostaria muito de conseguir acreditar em tudo isso.

Sara continua a leitura. Seu cabelo ainda cheira a mar:

"(...) And the leap happened to Jesus: he relaxed on the cross and he said: "Thy Kingdom come. Thy will be done..."


Agora ela se vira e me pega em flagrante olhando para a protuberância que se forma na camiseta sobre os seus seios sem sutiãs. Viva o ar condicionado! Protestos:

- Hey!! Você está prestando a atenção no que eu estou lendo??
- Imagino que muitos suicidas explosivos também ficam nervosos momentos antes de apertarem o botão. E encontram tranquilidade ao pensar que o Reino está próximo...

Deadlock: esse é uma palavrinha em inglês muito usada em computação cuja melhor tradução talvez seja "beco-sem-saída". Quando isso acontece em uma conversa, é melhor mudar de assunto, arejar um pouco:

- Vamos comer?

Na saída do quarto, o companheiro de casa estava atento:

- Eu conheço esta roupa...

Obrigado, Chris. Homem sente prazer ao ver outro homem pensando que você fez sexo. Prazer territorial que não é superior ao ato em si, mas seu deleite é mais duradouro, e curiosamente, independe da ocorrência do coito. Dizem que é feio mentir. Por isso não minto, apenas confirmo os fatos, nem um tiquinho a mais, nem um tiquinho a menos. Apenas um discreto piscar-de-olhos:

- Sim, é minha - adiantei.

Hora do almoço.

Por que eu não escrevo: a aula de caiaque

A aula de caiaque começou com ela entrando no meio quarto e indo direto para a estante dos livros:

- Você já começou a ler o livro?

Sabia que ela iria perguntar: dias atrás, após um papo existencial, ela me emprestara "I say unto you", do Osho, e insiste em tentar me convencer que "existe alguma coisa depois". Tá.

- Prometo que começo hoje. Vamos pro mar.

Eu sei que você está interessado em saber o que aconteceu na água, mas confie em mim: nada de mais. Depois de alguns tombos com o bumbum à vista para uma atenta e paciente platéia de rapazes de bigode de cócoras na praia, ela desistiu e ficamos ali naquele papo de praia, sentados na areia: castelinhos de areia com o pé que o mar derruba. Olho no relógio: 13:30h. Fome:

- Ei, vamos almoçar?
- Hmm... mas eu vou ter que passar em casa tomar um banho...
- Ué, você toma banho em casa.
- Ah, mas eu não tenho roupa.
- Mas eu tenho.
- Ok.

E assim voltamos para o quarto. Para uma professora de ioga, camiseta e calça com motivações "Índia é super legal". Mas ela se esqueceu de levar para o banheiro...

... e ela sai do banheiro com a toalha enrolada no corpo:

- Está frio aqui!!

Ela põe a camisa sobre e a calça sob a toalha. Depois a retira e enrola na cabeça. Hora de eu tomar um banho... frio.

9.5.08

Por que eu não escrevo: o sábado

Para fins religiosos, o dia sempre começa no dia anterior, quando o sol se põe. E posso dizer que sim, o sábado começou um pouco na sexta à noite, quando recebi outro SMS:

Paddling 2morrow @ 8:30 w Enrique



Enrique é peruano e já vive aqui há longa data. A nossa conversa começa em portuñol e termina em espanglês. Geralmente é ele que marca as remadas coletivas, mas hoje não sei o que aconteceu: não apareceu. Talvez tenha sido sábio: o dia amanheceu com ventos e neblina forte. Isso significa mar com ondas e sem visibilidade, o que não é lá muito bom para remar.



Saí na praia com a esperança de que todos tivessem desistido, mas já vi que as duas meninas já estavam lá. Homem não pode fazer feio, fui pra água também. Cheguei atrasado e lá fui eu no meio da neblina, contra as ondas, tentar alcançar as duas, mais uma vez a Sandra e a Julia. Meninas abusadas: seguiam sem colete salva-vidas. E eu? Sou sheik, tenho 15 concumbinas para criar, não posso me arriscar assim por pouco. E lá fomos nós: 1 km fora da costa até um navio que estava atracado e retorno, surfando as ondas. Da praia, não se via o navio, e do navio, não se via a praia. Três idas e voltas, com direito a tombo em alto-mar com ondas e tudo.

Chego em casa com a sensação do dever-cumprido: "agora é só tomar um banho, almoçar e começar a atualizar o blog". Mas aí chegou um SMS:


Hey Luis! R u going 2 the beach now?


Era a Sara, a professora de ioga. Ela quer aprender a andar no caiaque. Mas justo hoje, cheio de ondas? Mas os sheiks são generosos e benevolentes: "Sim, venha". Mas isso já não cabe aqui, é assunto para outro post.

Por que eu não escrevo: a sexta-feira

E você me pergunta:

- por que é que você não escreve?
Pergunta com toda razão. Mais eu te digo, leitor: eu me esforço, mas às vezes a vida dá voltas mais rápidas do que é possível planejar. Como exemplo, cito um fim-de-semana que passou: na quinta à noite coloquei metas para o blog. Antes mesmo de dormir, já percebi que estabelecer "metas" é muita pretensão... recebo um SMS dizendo assim:


2morrow paddling @ 9.30!


E o dia amanheceu perfeito: dia de sol, sem ventos. O mar, uma piscina sem ondas. E lá vamos nós: eu, a francesa Sandra e a norte-americana Julia, direto para o The World. Nada mal: 35 minutos de ida, 30 minutos de volta. 12 km no total.



E depois? Ah, aí chegou o momento reservado para a contemplação. Celebrar o ócio: "estou em Dubai..."



Sabe, leitor, confesso uma coisa: Dubai ficou muito melhor desde que você, aí do outro lado do mundo, começou com essa estória de que aqui é o Paraíso dos Arquitetos e dos Endinheirados. Quando eu voltei pra cá, ninguém falava em Dubai. Todo mundo dizia: "você é louco? Lá só tem terroristas, eixo do mal!". Falaram tanto que comecei a até mesmo duvidar de minhas convicções quando peguei logo na primeira noite 39 graus às 10h da noite no aeroporto...

Naquela época, nos pubs cheios de homens (como em quase todo lugar em Dubai), o assunto não era outro: o paraíso é a Europa! Um que acaba de chegar na cidade falava de praias com mulheres fazendo topless, outro dizia entre um copo e outro: "lá as pessoas são civilizadas...". O taxista não entendia: "ah, mulher brasileira... por que você veio pra cá?!".

Pois é, leitor, mas o tempo passa, não é mesmo? O sheik investiu pesado em propagandas justamente nos antigos paraísos: London, Paris, Tokyo, Milan. Brazil. Quase 2 anos depois, Dubai continua cheia de homens, e no verão, continua a fazer um calor deprimente mesmo de noite, mas agora, nos antigos paraísos não se fala em outra coisa a não ser em... Dubai. Ontem mesmo ouvi um executivo da Silverjet dizendo que Dubai é a segunda destinação preferida da Inglaterra. No ano passado, foram 4 milhões de passageiros para Nova Iorque e 3 milhões para Dubai...

É por essas e outras que eu, aqui no meu sofá, apenas sorrio com um prazer muito íntimo:

"Eu tenho o que você não tem".


Foi só então que percebi a profundidade expressa nos versos que ouço na voz de Marisa Monte:

"O teu desejo é o meu maior prazer."


E passei o dia assim, sentado no sofá, saboreando meu prazer. Mas aí veio o sábado, que fica para um outro post.

28.4.08

The Wild West



"THE WILD WEST - Gentlemen's Hair Designs and Body Care Center", Bur Dubai.

Obs.: não é fila para cortar cabelo. É apenas um jogo de críquete na TV.

23.4.08

Novo jornal: The National

E começou a circular um novo jornal nos Emirados Árabes: The National.



Editado pela empresa Abu Dhabi Media Company, o jornal é, obviamente, baseado em Abu Dhabi, e portanto, vem com um enfoque mais centrado no cotidiano desta cidade. De certo modo, um contra-ponto, em um momento em que Dubai monopoliza os meios que controlam corações e mentes além das fronteiras do Iúl-Êi-Í. Cada jornal custa 2 dirhams, mas aqui na empresa, é distribuído gratuitamente (por enquanto), a exemplo do que ocorria com o Business 24|7.

E nisso, não há muito o que discutir: jornais, rádios, TVs e agências de notícias européias têm filiais em Dubai. CNN, BBC, Reuters, ... quando canais de TV foram fechados no Paquistão recentemente, estes continuaram a sua programação a partir de Dubai (até o Sheik aceitar o pedido do governo paquistanês e ordenar o seu fechamento). No Irã, embora ilegal, a instalação de antenas parabólicas é prática comum, de modo que os persas são muito familiarizados com a programação de canais abertos de Dubai, como o Dubai One, em inglês e árabe.

16.4.08

Around the clock



Vista da Shatta Tower, ontem às 6h da manhã...



... e o local do meu passatempo, no mesmo horário. Há suas vantagens: não há problema de elevador nesse horário. Isso é que é vantagem, hein??