Era uma vez um rapaz muito religioso e muito gordo. Ele não conseguia controlar o seu desejo de comer. E comia de tudo: cebola, cabritos, doces, coisas apimentadas. Fazia calor no local de trabalho, o que facilitava a transformação de tudo aquilo que decompunha em seu estômago (cebola, cabritos, doces, coisas apimentadas) em odor, que exalava fortemente por suas axilas. Seu odor variava com a sua alimentação: por vezes, doce, por vezes sufocantemente acre. Mas invariavelmente pesado nos meses de verão, quando suas glândulas sudoríparas trabalhavam a todo vapor, deixam para trás um enorme rastro de anõesinhos mortos.
O rapaz não era muito afeito a certos luxos ocidentais, dentre eles o desnecessário gasto diário de água para deixar suas partes do corpo com cheiros inumanos: lavanda, rosas, creme de aveia. Talvez porque em sua terra natal tal hábito fosse, mais do que um luxo, algo inadmissível: no deserto, a água destinada a um banho pode ser a diferença entre ter ou não água por vários dias.
Seus colegas de trabalho não tinham o menor interesse em compreender sua razões e já arquitetavam planos para forçá-lo a adaptar-se aos hábitos de uma cidade que, apesar de desértica, garantia água-doce a seus habitantes através de usinas de dessalinização. “Viva o progresso! Viva o cheiro de lavanda!”, diziam seus amigos que reclamavam de seu odor. “Carniça pura!”, diziam alguns, “Se ele passar espátula nas axilas, sai um creme!” diziam outros. Outros com imaginação mais fértil diziam que perto dele o ar era tão pesado que se poderia cortá-lo com faca. Arquitetaram assim um plano que colocariam em prática tão logo ele voltasse de suas orações.
O rapaz era muito religioso, já disse: religiosamente realizava suas orações. Atento a outras modernidades, possuía no celular um iman eletrônico, que o avisava cantando em alto e bom tom para ele e todos os coleguinhas de trabalho o horário das orações. “Alahu al akbar!”.
Ele religiosamente se levantava e seguia para o banheiro. Estrategicamente, utilizava sapatos mocassim, sem cadarço, que facilitava o ritual: lavava o rosto, lavava mãos e antebraços. Por fim sacava o sapato, as meias e lavava ali mesmo, na pia, os próprios pés. Lavava cuidadosamente entre os artelhos, por vezes com o próprio sabão líquido disponível. Isto feito, secava-os com as próprias meias os pés e seguia para a sala destinada às orações, com os tapetes já dispostos na direção de Meca.
Logo ao voltar, um amigo lhe dá despretenciosos tapinhas nas costas: “E aí, camarada? Enta kifãk?”. Ele não entendeu muito bem, mas seguiu trabalhando. Os colegas riam, ele ria também. Por fim, desligou o computador e seguiu para casa. Foi então que a esposa retirou desconcertada um pedaço de papel colado em suas costas: “Sou fedido, e daí?”
A partir deste dia, o rapaz religioso passou a ter mais atenção com a aparência e com a higiene pessoal, tomando banho e trocando de roupa com mais freqüência (ao menos uma vez por semana).
Moral da história: quem lava o pé, não tem chulé.
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23.11.07
O gênio da lâmpada
Era uma vez um sheik que ia de camelo para o trabalho. No seu caminho, ele passava por uma avenida onde muitas pessoas, não conscientes do dever a cumprir com a pátria, com as criancinhas e com o planeta, apostavam corrida. Ele sempre sofria com as pessoas que corriam no caminho para chegar primeiro na fila do elevador da favela onde ele trabalhava. E no andar em que trabalhava, era como um galinheiro: sujo, fedido, e barulhento.
Eis que um dia, um poluidor muito malvado tentou ultrapassar outro poluidor e passou pertinho do camelo do sheik. O camelo se assustou e derrubou o sheik de cabeça em uma duna do deserto. Quando o sheik levantou da cratera que fez na areia, achou ali uma lâmpada.
- Olha, que legaaaal... uma lâmpada de ouro! Estou rico! Endinheirado! - disse o sheik. E começou a lustrar a jóia que encontrara - agora poderei comprar o meu ROLEX...
R-O-L-E-X: ele disse a palavra mágica. Neste momento, sai uma nuvem da lâmpada, e dela surge um homem tossindo:
- Cof, cof, cof! Marhaba sheik! Chocran ktir, tizak hambra! Eu estava preso nesta merda de lâmpada há anos. Ainda bem que Sua Alteza me libertou desta bosta de vida. Concedo-lhe, assim, 3 desejos.
O sheik então pensou. Olhou para seu camelo, para a corrida de malvados, olhou para o gênio e disse sem titubear:
- Respeitável Gênio. Para não contrariar Vossa Excelência, eu aceito a sua oferta. Meus desejos são:
1 - eu quero para sempre uma estrada só pra mim, para eu poder ir para o trabalho tranqüilo em meu camelo;
2 - eu quero para sempre trabalhar em uma favela onde eu não precise esperar 30 minutos pelo elevador;
3 - eu quero para sempre trabalhar em um lugar limpo e silencioso;
O gênio pensou, estalou os dedos e disse:
- Seus pedidos são uma ordem! Seus desejos serão atendidos em breve, ainda hoje... - chacoalhou então o seu ROLEX e foi para a praia ao lado andar de kite surf.
- Obrigado, Gênio. Mas... mas... e o que eu faço com esta lâmpada?
O gênio gritou lá de longe:
- Enfia!
O sheik então enfiou a lâmpada em seu alforje e seguiu ansioso para seu trabalho. "Mal posso esperar", disse ele.
Mas ficou desconfiado quando viu que o trânsito no caminho continuava uma merda. Quando chegou no elevador e esperou 40 minutos para subir, com um monte de bigodudos fedidos cortando a fila e encostando, teve certeza:
- Aquele gênio me enganou! Filho-da-puta!
Chegou chorando ao seu andar. Que lástima. Abriu desanimado o computador e compreendeu que o gênio não havia se esquecido dele. Lá estava um e-mail enviado com um dedo do gênio. O e-mail dizia assim:



E foi assim que o Sheik trabalhou durante todo o fim-de-semana, que obviamente, durou uma eternidade. Teve a estrada do caminho para o trabalho só para ele e seu camelo, não pegou filas no elevador, trabalhou em silêncio. Curiosamente, naquele exato final de semana, uma das praias que o sheik costumava freqüentar sofreu um ataque de loiras ninfomaníacas enquanto o sheik trabalhava, que molestaram todos os homens que ali estavam. Estes depois classificaram o episódio como "o melhor momento de suas vidas".
MORAL DA ESTÓRIA
Não existe almoço grátis. E se alguém falar que é "Gênio da Lâmpada", encha-o de porrada.
Eis que um dia, um poluidor muito malvado tentou ultrapassar outro poluidor e passou pertinho do camelo do sheik. O camelo se assustou e derrubou o sheik de cabeça em uma duna do deserto. Quando o sheik levantou da cratera que fez na areia, achou ali uma lâmpada.
- Olha, que legaaaal... uma lâmpada de ouro! Estou rico! Endinheirado! - disse o sheik. E começou a lustrar a jóia que encontrara - agora poderei comprar o meu ROLEX...
R-O-L-E-X: ele disse a palavra mágica. Neste momento, sai uma nuvem da lâmpada, e dela surge um homem tossindo:
- Cof, cof, cof! Marhaba sheik! Chocran ktir, tizak hambra! Eu estava preso nesta merda de lâmpada há anos. Ainda bem que Sua Alteza me libertou desta bosta de vida. Concedo-lhe, assim, 3 desejos.
O sheik então pensou. Olhou para seu camelo, para a corrida de malvados, olhou para o gênio e disse sem titubear:
- Respeitável Gênio. Para não contrariar Vossa Excelência, eu aceito a sua oferta. Meus desejos são:
1 - eu quero para sempre uma estrada só pra mim, para eu poder ir para o trabalho tranqüilo em meu camelo;
2 - eu quero para sempre trabalhar em uma favela onde eu não precise esperar 30 minutos pelo elevador;
3 - eu quero para sempre trabalhar em um lugar limpo e silencioso;
O gênio pensou, estalou os dedos e disse:
- Seus pedidos são uma ordem! Seus desejos serão atendidos em breve, ainda hoje... - chacoalhou então o seu ROLEX e foi para a praia ao lado andar de kite surf.
- Obrigado, Gênio. Mas... mas... e o que eu faço com esta lâmpada?
O gênio gritou lá de longe:
- Enfia!
O sheik então enfiou a lâmpada em seu alforje e seguiu ansioso para seu trabalho. "Mal posso esperar", disse ele.
Mas ficou desconfiado quando viu que o trânsito no caminho continuava uma merda. Quando chegou no elevador e esperou 40 minutos para subir, com um monte de bigodudos fedidos cortando a fila e encostando, teve certeza:
- Aquele gênio me enganou! Filho-da-puta!
Chegou chorando ao seu andar. Que lástima. Abriu desanimado o computador e compreendeu que o gênio não havia se esquecido dele. Lá estava um e-mail enviado com um dedo do gênio. O e-mail dizia assim:
Prezado Sheik,
Extraordinariamente neste fim-de-semana vamos estar fazendo uma manutenção nos sistemas e vamos estar contando com a sua colaboração para um esforço extra, enquanto eu estarei me divertindo com minhas concumbinas.
Por favor, esteja aqui na empresa durante todo o fim-de-semana às 8 da manhã.
Ass. O Poderoso, Impiedoso e Inquestionável Sheik Chefe
E foi assim que o Sheik trabalhou durante todo o fim-de-semana, que obviamente, durou uma eternidade. Teve a estrada do caminho para o trabalho só para ele e seu camelo, não pegou filas no elevador, trabalhou em silêncio. Curiosamente, naquele exato final de semana, uma das praias que o sheik costumava freqüentar sofreu um ataque de loiras ninfomaníacas enquanto o sheik trabalhava, que molestaram todos os homens que ali estavam. Estes depois classificaram o episódio como "o melhor momento de suas vidas".
MORAL DA ESTÓRIA
Não existe almoço grátis. E se alguém falar que é "Gênio da Lâmpada", encha-o de porrada.
Sheik para as crianças
E a comunidade infantil em Dubai não pára de crescer. Desta forma, ciente do seu dever a cumprir com a pátria e com as criancinhas, o sheik lança agora uma nova sessão, "Sheik para as crianças", onde ele ensina as novas gerações a sobreviver no paraíso dos endinheirados em tempos de aquecimento global.
Cada estória é uma releitura de famosos e consagrados contos infantis, terminando sempre com uma MORAL DA ESTÓRIA.
E com vocês, uma foto da Lara. É isso aí.
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