13.10.06

O centro velho

Sexta-feira, aproveito para fazer um passeio pelo Old Souq. Aguardem fotos e vídeos. Tudo diferente, parece outra cidade. Mas a cena que mais me chocou não foi a do mercado, mas sim de um avô carregando sua neta no colo, aparentemente de uns 3 anos.

O avô parando em frente a uma m´quina de garrafas d'´gua e comprando uma para sua neta. Ao final, a garota beija a m´quina e bate palmas para um avô que ri, bobo de felicidade.

Seria uma cena normal, se a menina não fosse menor do que uma boneca de colo, menor que um bebè prematuro. Ela tinha cabelo comprido e devidamente cortado, e conversava fluentemente com seu avà. Digo avô, porque tinha cabelos grisalhos e uma cara de alegria desconcertada que só os avós diante do primeiro neto possuem.

Em geral, indianos são um povo muito simples, inocente, curioso: quando vê algo diferente, pára e fica olhando. Foi por essa razão que tirei o capacete quando parei a bicicleta para tirar fotos: quando notei, havia três à minha volta, parados e olhando com um olho enorme para mim e para minha câmera. Mas ali no Souq foi demais: enquanto o senhor comprava a água, formou-se uma roda com mais de 30 indianos para observar o "espetáculo". A garota, que deveria possuir 2 ou 3 palmos de altura, possuía o nariz e os olhos assimétricos, ligeiramente deformados. Ela batia palmas de alegria, e seu avô, alheio a tudo e a todos, seguiu seu caminho, abrindo um buraco na roda de curiosos que se formou a sua volta.

Há certas coisas que não se fotografa.

11.10.06

O bom do elevador congestionado é...

... que nos 15 minutos de espera, a gente sempre acaba conhecendo gente.

Conheci hoje um franco-libanês (mãe francesa, pai libanês) que trabalha no HSBC (!!!) e que estava vindo para uma entrevista... já está há um ano por aqui.

A conta no HSBC

Há mais de um mês atrás, solicitei ao gerente de vendas do HSBC a abertura de uma conta. O rapaz veio até a empresa, Adriano, um simpático filipino. Deu-me uma pasta com apresentações sobre o banco, e por fim, disse: os cartões chegam em uma semana (cartão de débito, crédito VISA e Mastercard).

Dia 12/09/2006, recebi um SMS: "Bom dia, sr. Luís: sua conta foi aberta, número tal e tal.".

Há duas semanas, liguei para o gerente que abriu minha conta: "onde estão meu cartões?". Ele se desculpou e disse que tinham feito uma mudança de versão no sistema do banco e que nesta mudança, o meu pedido se perdeu e prometeu os cartões em uma semana.

Hoje, dia 11 de outubro. Passou-se um mês e ainda não recebi nem o cartão de débito, muito menos os de crédito. Encontrei em um arquivo de correspondências perdidas da empresa uma carta do HSBC para mim: é a senha para o phone banking.

Chega de esperar: fui até a agência, em Jebel-Ali, a 25 Dh de táxi para ir, outros 25 DH para voltar. Um almoço em um bom restaurante sai por 30 DH. Chego lá e a mocinha o atendimento me surpreende: "chegou apenas um talão de cheque para você, mas não há nenhum registro de pedido de cartão de débito e crédito". Tento ligar para o filipino, caixa postal.

Refiz o pedido para o cartão de débito, o que me interessa. A promessa é que domingo posso passar na agência para pegá-lo pessoalmente. Quanto menos intermediários, melhor...

Errata

Como me informaram o Alisson e o Danilo, o canal ARTE não é suíço: é franco-alemão. Obrigado!

9.10.06

Censura

"Lamentamos que o site que você está tentando visitar foi bloqueado devido a seu conteúdo ser inconsistente com os valores religiosos, culturais, políticos e morais dos Emirados Árabes Unidos.

Se você pensa que este site não deveria ser bloqueado, por favor visite o 'Formulário de retorno' disponível em nosso website."

Eu fico feliz por existir um Estado tão bondoso e protetor para me impedir de ver coisas indecentes na internet. Reconheço: sou um incapacitado intelectualmente, incapaz de controlar meus impulsos. Eu preciso ser tutelado.
Às vezes, sinto uma vontade incontrolável de ver coisas indecentes e imorais, como a página do Skype. Ainda bem que existe a censura para me impedir!

8.10.06

E não é que...

... o canadense lembrou de me passar o contato da locadora de carros?

Recebi ontem o SMS dele: "PRIVILEGE RENT A CAR 04 265 0001 mike from double decker".

Cara de palavra: prometeu, cumpriu.

7.10.06

A novela da internet: o dono da bola

Todo mundo que já jogou bola uma vez na vida certamente já passou pela experiência de depender do dono da bola: geralmente é o rapaz mais mimado e o que joga pior, mas que sempre precisa é bajulado por todos para que o jogo ocorra. É ao mesmo tempo, centroavante e juiz: fica na banheira esperando a bola, e o jogo começa e termina quando quer. Assim está o acesso à internet em casa.

Reviravoltas: após desiludir-me quanto ao acesso à internet, um fato desagradável traz à tona a esperança novamente: a inglesa é dispensada do trabalho.

Prontamente, ofereço-me para assumir os todos gastos com internet, transferir titularidade e lhe comprar o modem que a empresa deixou com ela, já que o computador ela devolveu. "Não é necessário, eu não vou devolvê-lo". A conta já estava no nome do Robert, então ficaria fácil: converso com ele, e assumo os gastos daqui em diante. E assim fiquei 2 dias com uma esplêndida conexão sem fio. Consegui até a usar o skype, após algumas malandragens.

Durou pouco a lua-de-mel: na sexta-feira, acordo, e nada de conexão. Tive que esperar até às 13h, quando a menina acordou, para checar o que aconteceu, uma vez que o modem ainda está em seu quarto (o conector telefônico só há em seu quarto...): ela havia desligado o modem, porque as luzes incomodam para dormir. Sábado de manhã, a mesma coisa. Encontro com ela saindo do quarto e vou lá meio sem-graça: "você desligou o modem?". A resposta foi "não" e a porta na minha cara. De fato o modem estava ligado, mas ao lado da TV, que enquanto ligada, causa aparentemente interferência no sinal...

Propus-me assim a comprar um cabo longo de telefone e instalar o modem no hall de entrada, uma vez que mais gente na casa se interessou em usar a conexão. Comprei cabo telefônico, voltei, porta fechada. São 21h, bato na porta. Ela abre com cara de sono: "estou dormindo, depois conversamos".

Depois conversamos. Eu com um monte de coisas para resolver através da internet, e depois conversamos. Depois de meia-hora andando em círculos no quarto, ouço ela abrindo a porta e vou lá explicar que não estou pedindo, estou exigindo, e que não quero, eu preciso. A resposta: "Luís, por favor, não me aborreça com isso agora: não quero deixar o modem no corredor. Ainda vou decidir o que fazer, mas amanhã."

Voltei a afirmar que eu compro o modem e assumo as contas. Fiquei falando sozinho: ela me ignorou, entrou no banheiro com seu cachorrinho e fechou a porta...

23h de sábado, no domingo eu trabalho. Pedalei 10 km de casa até Bur Dubai para encontrar um provedor de acesso, e mais outros 10 km para voltar pra casa. E a inglesa, dona da bola, ficou lá no seu quarto, com um modem que não pode usar porque não tem computador, decidindo o que fazer com a conexão que está no nome do Robert. Eu tenho uma sugestão, mas seria muito indecoroso mandá-la enfiar no cu aqui, neste blog, lido por tanta gente.

6.10.06

Enquanto isso em São Paulo...


... a cidade se prepara para a 30a. Mostra Internacional de Cinema. De 20 de outubro a 2 de novembro.

Pubs, canadense de Barcelona e o chá

Pub é o nome genérico para bares anglo-saxões. Um pub pode ser inglês, irlandês ou australiano, ou ainda um misto dos três, o que no final das contas, não faz muita diferença. Em todos eles, há cerveja de qualidade, a música é rock e se faz apologia ao rugby.

Os pubs, assim como os Mc Donalds e hotéis de nível internacional, são um dos produtos da globalização que são o porto seguro de um viajante confuso e por vezes oprimido pelo choque cultural: é um lugar-comum, algo que você sabe como é e que funciona essencialmente da mesma maneira em qualquer parte do mundo. Assim o Double Decker, o pub onde estamos, não é muito diferente do O’ Malleys, localizado em uma das travessas da rua da Consolação, nos Jardins, ali em São Paulo. É até melhor: não se paga para entrar, e há cerveja de qualidade por preços inferiores aos praticados no Brasil. Uma pint (500 ml) de Guinness, Heineken, Stella Artois sai por 17 dirhams (R$ 10,00). Achou caro? Nas casas noturnas, uma long neck custa 30 dirhams...

Logo na entrada, encontro com o português Daniel, e com os brasileiros Márcio e Willian. Lá dentro encontraríamos ainda com o Anderson, com o Vítor e com o Bruno. O bar está cheio: é uma das poucas opções para os ocidentais durante o Ramadã. Garotas inglesas altas tiram fotos com rapazes ingleses barrigudos. Nas mesas, um grupo de asiáticas tímidas conversa diante de um prato de batatas-fritas.

Conversávamos em um grupo então quando alguém me puxa para outra roda de homens e me cumprimenta. Eu não conheço ninguém, tento ser simpático – Cheers! – mas o rapaz loiro e bêbado insiste: “Eu te conheço eu sei de onde você é”.

- Ah é? – desafiei com ar incrédulo – então de onde eu sou?
- De Nazaréééé... oh, oh, oh...

Gargalhadas na roda. Bêbado é uma merda, né? Tudo bem, eu sou Jesus Cristo, e vocês? Começo então a conhecer o grupo: dois engenheiros civis libaneses que trabalham nas obras do metrô de Dubai, e um canadense que trabalha com hotelaria. O libanês me apresenta o rapaz que me puxou para a roda: “ele é israelense! É de Haifa, conhece?”. Pela ira e preocupação que isso despertou no rapaz, começo mesmo a acreditar que ele era mesmo israelense de dupla nacionalidade...

O canadense puxa conversa. O rapaz aparenta seus 35 anos e é alto, barrigudo e calvo, mas insiste em deixar o cabelo crescer. Então fica aquele rabo-de-cavalo amarrado logo abaixo de uma lustrosa careca. Ele não percebe, mas eu faço um esforço sobre-humano para entender o seu sotaque enquanto ele fala cada vez mais rápido.

Quando descobre que sou brasileiro, abre um sorriso na cara, e diz todo empolgado: “eu também falo espanhol!” Faz questão de explicar, agora tudo em espanhol:

- Soy de Toronto, peró hay 6 años que vivo en Barcelona. Hablo español y un poquito de catalán, la lengua que...hmm... hablan there. Y ahora, Dubai... conoces Barcelona?

Desanda então a fazer uma inconveniente comparação entre Dubai e Barcelona, a contar de baladas que só acabam quando o sol nasce e das noites de Ramadã em Dubai. Esse maluco começa a comparar espanholas elegantes de saias curtas com mulheres de vestido e véu preto. É interessante como as pessoas tendem a idealizar o que lhe falta: a nossa volta, não há uma mulher sequer de preto, no entanto o canadense se lamenta. Por sorte apareceu um inglês para me salvar. Ele nos interrompe e serve um shot para cada um:

- Tem que virar!! – viramos. Oportunidade para mudar de assunto.

Contei pra eles que estou tentando seguir o jejum. Longa gargalhada: “Jesus jejuando no deserto...”.


Ele por fim, muda de assunto e volta a falar o seu inglês que desafia meus ouvidos. Fala da caixa de garrafas de absinto que tem em sua casa e de um esquema ilegal para alugar carros sem carteira de motorista local ou internacional... mas se a polícia pega...


Sou interrompido mais uma vez: agora é o suposto israelense, que começa a gritar comigo em alta voz com o dedo em riste próximo ao meu nariz. O que é que eu fiz? Fiquei paralisado e não entendi nada do que dizia. Por fim, saiu e voltou minutos depois com duas pints de Heineken. Entregou uma para mim, xingou-me mais uma vez e saiu trançando as pernas. Vai entender.

Não liga não, está bêbado - diz Hassam, o engenheiro libanês. Ele conta que aprendeu francês na escola, mas que nunca teve oportunidade de falar. Começa então a fazer profecias sobre o futuro do metrô de Dubai em um idioma misto e alcoólico, que tende ao francês:

- Não vai dar certo. Eu sou árabe, eu sei: árabe gosta de se mostrar, de ostentar. Não vai querer se esconder debaixo da terra se ele pode mostrar seu carro para todo mundo...


A luz acende e o som pára. São 2h da manhã, hora de ir embora. Agora um batalhão de funcionários gentilmente empurra todos para fora da casa, e cada qual busca o seu táxi. O suposto israelense sai carregado. O canadense mostra meu telefone marcado na palma de sua mão e me diz: "Amanhã eu te ligo, sobre o esquema dos carros. Prometo!". Não ligou.


Em casa, fome: Earl Grey tea com leite, e hawala, doce libanês. Durmo como um nenê.

Enjôos, táxi e cinema Pashtu

Sexta-feira, 10:50h. Acordo, ainda meio enjoado pela noite de ontem que passo a descrever em minutos e faço um plano para o dia: tomar banho, limpar o quarto, arrumar o acesso à internet, ir no supermercado, no IKEA... ligo no 800-9090, descubro que o ônibus número 12 segue até Al Barsha, perto do Carrefour, e que para ir até o IKEA, preciso pegar 2 ônibus: até a estação de Bur Dubai, e de lá, o ônibus 44 até o Dubai Festival City. Ônibus existe, mas talvez eu leve o dia todo para me locomover...


Na caixa de som, silenciam sons de cítaras e vozes que variam de entonação, Marisa Monte passa a cantar: “ tempos tento encontrar um bom momento / alguma ocasião propícia...”. Imerso em uma cultura diferente, voltar-se para si mesmo às vezes é uma boa fuga, especialmente em uma sexta-feira, o nosso domingo.


Descubro que mesmo durante o Ramadã, alguns bares têm permissão de vender álcool, desde que não toquem música ao vivo. Um deles é um pub, o Double Decker. Estou em Jumeira 1, os demais brasileiros e portugueses estão no Hotel Number One, de frente para a Sheik Zayed Road, à metade do caminho para o recinto. Então eu vou em um táxi, eles em outro.


Depois que minha conexão com a internet caiu ontem à noite, tentei inutilmente reconectá-la. Provavelmente a inglesa saiu e desligou tudo. Isso não pode ficar assim... noto que já estou atrasado: já são 23:20h. Fecho tudo, troco de roupa e caminho até a Al Urouba Road, onde pego um táxi. Taxista paquistanês, que me passa uma impressão de má vontade, só ganha pelo outro paquistanês que me trouxe na volta, às 3h da manhã. Este último, após as duas perguntas iniciais de praxe (“De onde você é? E de que cidade?”) mudou de assunto. Ganhou um silêncio que perdurou até o final da viagem, e perdeu a gorjeta. Taxista para ganhar gorjeta precisa ser prestativo, de um país bem distante, falar idiomas de nomes impronunciáveis e ter uma boa história, feliz ou triste, para contar. Não possuindo estas qualidades, tem que ao menos ter boas perguntas para fazer. Preenchidas estas condições, pode até errar o caminho ou levar o dobro do tempo para chegar. Felizmente, este não foi o caso – errar o caminho – do primeiro taxista. Voltemos, então, à nossa conversa, enquanto o tráfego parou próximo à rotatória sobre o túnel da Sheik Zayed que nos leva próximo à Burj Dubai, a torre mais alta do mundo, ainda em construção, perto da qual se localiza o Double Decker.


Ele se chama Mamoud Ali, ou algo assim. Acho graça: lembra Wood Allen. O nosso Wood Allen paquistanês já está há 30 anos em Dubai e há 13 horas trabalhando, sem previsão de parada... meu humor também não seria dos melhores nestas condições. Ele vem de Peshawar. Então Urdu é sua língua materna, não? – pergunto. Na verdade – explica ele – minha língua materna é o Pushtu. Urdu utilizamos para nos comunicar com as pessoas das demais províncias do país, que falam outros idiomas. Urdu é a língua de unidade nacional”, conclui.


Pushtu. “É a mesma coisa que Pashtu?”. Claro – responde ele. É incrível como aqui nenhum conhecimento adquirido se perde, e aos poucos vão se encaixando, mesmo que muitos dias depois, como em um intrincado quebra-cabeças: semanas atrás, quando ainda estava no hotel, assisti em um canal franco-alemão chamado ARTE (muito bom, com programação ora em alemão legendado em francês, ora em francês legendado em alemão, http://www.arte.tv/) justamente um documentário sobre a forte tradição do cinema Pashtu. Coincidência ou não, o nosso Wood Allen vem desta mesma região.


Os filmes desta parte do mundo são caracterizados pela simplicidade, improviso e apelo desmedido para a violência e insinuações sexuais. Neste contexto, o longo cano da espingarda do mocinho que salvou a mocinha vira objeto fálico a ser cultuado e delicadamente alisado pela garota prostrada de joelhos a sua frente em sinal de gratidão, até que o rapaz aponta a arma para o alto e atira...


“Mocinha” é modo de dizer: ela não possui em nada o estereotipo das garotas de Hollywood, tem formas roliças, cabelo desgrenhado e maquiagem borrada. Olhos grandes, boca grande e lábios enormes pintados de batom vermelho, e as roupas não são de grife.


O documentário ainda conta que com a implantação das leis islâmicas no país, a exibição destes filmes foi proibida, mas ainda assim, esta cultura resiste: nos cinemas, há códigos que todos sabem. Em determinadas sessões para homens, um filme qualquer passa no cinema por 15 minutos, e em seguida, inicia-se o filme proibido para o deleite da platéia...


Mamoud comenta que é fácil comprar DVDs dos filmes de seu país, mas não disse onde. E passou a falar com orgulho de sua terra, talvez idealizada em sua memória após tanto tempo de Dubai: ele fala de montanhas verdes, rios e terras férteis e de uma brisa fresca que bate no final da tarde quando o sol se põe. “Aqui é só deserto, nada mais”.


O táxi pára, a corrida fica em 9 dirhams, pago 10. É uma merreca de gorjeta, mas é 10%, está de bom tamanho. Por aqui, quase meio-dia e o álbum de Marisa Monte acabou: “Vai sabe...”. Não há mais nada a dizer sobre o senhor Mamoud Ali, Wood Allen paquistanês há 30 anos em Dubai e trabalhando há 13 horas, que fala pushtu, urdu e inglês.

Sheik Luís responde


Olá Luis!
Bom, deixa eu me apresentar:
Meu nome é Thiago, moro e trabalho no Kenya com um grupo de brasileiros em uma empresa de telefonia celular daqui (Safaricom) a mais de 1 ano e 1/2.
Viajamos para Grécia, Egito e estamos com passagem marcada e hotel reservado em Dubai para o fim do mês (20 a 23 de outubro).
Gostaríamos de pedir umas dicas sobre o que fazer e o que não fazer em Dubai, visto que não teremos muito tempo. Estamos interessados no Ski, Passeio de barco, um tour no deserto, e alugar um carro também.
Pretendemos comprar os passeios em Dubai mesmo... então, se pudesse dar uma ajuda quanto as operadoras...
Estamos preocupados por ser Ramadan! Como será com comida e bebida?!?! Aqui no Kenya não tem McDonalds e a mulherada tá louca pra comer aí! Vai ter como?
E os eletronicos? São bem baratos mesmo? Ipod por exemplo.
Sei que este é um canal de comunicação com sua família e amigos, mas ficaria muito agradecido se puder me ajudar!
Muito obrigado!
Thiago Zanin
Nairobi / Kenya



Grande Thiago!

É um prazer receber a sua mensagem: você provavelmente trabalha na mesma operadora onde algumas pessoas que conheci aqui trabalharam. O Renato, de São Paulo, trabalhou em um projeto de implantação do BSCS e o Marc, francês casado com uma brasileira, trabalhou também aí em um projeto na área de infraestrutura da rede GSM. Talvez você os conheça...

Quanto a Dubai: vem tranqüilo, que para turista é legal, e a temperatura já está ficando abaixo dos 40 graus. Seguem as dicas:

Passeios

Quanto aos passeios: fica tranqüilo que quando você chegar, haverá vários folhetos de propaganda deles no seu hotel. O passeio pelo deserto com jantar na tenda árabe e dança do ventre custam em torno de 140-170 dirhams, dependendo da quantidade de pessoas. O preço é meio padrão... quando chegar, tente ligar para o guia que nos levou, o Karim: 050 587 3998. O rapaz é nota 10!

Se você quiser entrar no Burj Al Arab, tem que fazer pelo menos uma reserva no restaurante, pelo menos para um café da manhã. Sai caro... algumas centenas de dirhams por cabeça. Se quiser arriscar:
4 3017600. De qualquer modo, você poderá bater bonitas fotos dele a partir da praia...

Quando estiver ali perto, aproveita para entrar no Jumeirah Beach Hotel. É do lado e não paga para entrar
. Atrás dele tem o bar 360 graus, no meio do mar, com uma bela vista dos dois hotéis. E só paga o que consumir.

Outra dica de passeio é ir para o centrão. O melhor esquema é ir para Bur Dubai, mergulhar no souq (mercado) de eletrônicos (quarteirões de galerias de lojas de eletrônicos), caminhar através do
souq de tecidos até chegar ao creek (canal). Ali você pega um barquinho típico por alguns dirhams e atravessa para o outro lado, Deira, o verdadeiro centrão, onde se localiza o famoso Gold Souq (mercado do ouro). Por ironia do destino, ainda não fiz este passeio.

Se quiser ir às praias, em Jumeira você encontra praias privadas como a Jumeira Beach Park (5 dirhams/pessoa) ou abertas. A praia aberta mais visitada é a que fica ao lado do Burj Al Arab.

Ramadã

Fica tranqüilo, cara. Dia 23 é o último dia do Ramadã e tudo aqui vai estar em clima de Natal. Durante o Ramadã, a recomendação - principalmente para mulheres - é a de não usar bermudas ou mostrar os ombros (camiseta regata). Embora muitos estrangeiros o façam aqui em Dubai, isso é visto pelos locais como falta de respeito.

Outra coisa: não comer ou beber nada em público antes do pôr-do-sol. Isso não significa que você é obrigado a ficar em jejum: os restaurantes abrem, mas você vai notar que estarão com portas fechadas e janelas cobertas por grossas cortinas ou algum papel fosco colado nas portas de vidro. Não se acanhe: pode abrir a porta que vai ter um monte de gente lá dentro!

A sugestão para o Ramadã é ir a um banquete de Iftar, o jantar de desjejum. Vários hotéis e quase todos os restaurantes fazem pacotes para o Iftar. Nos restaurantes de shopping, em geral paga-se de 35 dirham por pessoa, há um mais chique no Ibn Batuta que cobra 60 dirhams por pessoa, e ouvi dizer que no Jumeirah Beach Hotel está 150 dirhams por pessoa. Vale a pena até jejuar durante o dia para se acabar de comer em um desses lugares.

Depois do banquete, os mais empolgados embalam em uma sessão de
shisha até 8h, 9h, 10h da noite, e em seguida, vão visitar a casa de algum amigo até tarde da noite.

Quanto ao Iftar, fica a dica: você tem que chegar no lugar às 6h. Se demorar pra chegar, uma multidão de muçulmanos famintos deixará apenas os restos do
buffet para você.

Ski na neve

Cara, o ski fica no Mall of the Emirates, de fácil acesso via Sheik Zayed Road, e custa 140 dirhams por 1:30h. Fica esperto que eles perguntam se você já tem experiência com ski ou snowboad. Se não tiver, pode pagar para ter aulas. Não muda muita coisa: 165 dirhams pelo mesmo período.

Eletrônicos

Apesar do bairro de eletrônicos do centro ser muito legal, os preços mais baratos que vi foram os dos hipermercados Carrefour (Mall of the Emirates) e do Giant (Ibn Batuta Mall). Um iPod de 30 GB sai por 1000 dirham, notebook varia de 3000 a 5000 dirhams. Se quiser um Sony VAIO sai um pouco mais caro: 8000 dirhams o
top de linha.

Não deixe de visitar estes dois shoppings, são os maiores e mais completos de Dubai.

Mc Donalds

Aqui você vai encontrar toda sorte de fast-foods: Mc Donalds, Pizza Hut, KFC, e outros de comida árabe, como o Zaatar.

Mc Donalds, especificamente, você encontra nos diversos shopping centers do centro e se não encontrar, pode ir até o Mall of Emirates, onde há pelo menos 2 deles.

Boa sorte! E quando chegar, entre em contato. Talvez eu viaje nestas datas, mas quando chegar, entre em contato.

Abraços,

Sheik Luís

5.10.06

Relações de troca

Ontem fui com outros brasileiros a Bur Dubai, na região dos eletrônicos. Desta vez não fui para comprar: levei meu disco rígido portátil e fui direto até a loja do indiano onde comprei caixas de som para meu notebook na semana passada, a loja do sr. Prem.

Relações de troca: passei diversos álbuns de samba. Voltei com quase 1 GB (aproximadamente 13h) de música que ele classificou como música clássica indiana. Muito bacana! Ele disse que gosta de ouvir músicas de outros países. Segundo ele, pela música a gente ouve a alma de cada país e conhece um pouco mais da natureza humana.

- Você tem aquela música "Guantanamera"? É samba, não é?
- Bem, isso é música cubana. Não é bem samba... mas é bom também.

Por fim, o sr. Prem me deu um caloroso aperto de mão e me indicou com entusiasmo um restaurante indiano chamado Vênus que, segundo ele, não é tão picante. "Você tem que procurar os restaurantes do norte da Índia, pois são menos apimentados. A comida do sul é sempre picante. Se eu estivesse fechando a loja, com certeza eu te levava lá!", finalizou, mexendo a cabeça no ritmo da batucada que saía de seu computador e ecoava agora pelo corredor.

Alon in Dubai

Alon é cara que mora no quarto ao lado do meu. Rapaz bacana, e apesar do que sugere seu nome, nunca está sozinho: tem uma namorada em seu país, e outras 3 por aqui. “Eu não sei, cara, eu me apaixono muito fácil. Eu gosto de todas elas!”, disse ele.

Outro dia, estava na cozinha, e vejo saindo com ele da casa uma oriental, de camisola e travesseiro debaixo do braço. Daqui a pouco aparece ele, todo feliz: “Hey, buddy, are you fine?” Iniciamos uma conversa e seu celular tocou.

- É ela, a titular!
- Ligando da África do Sul?
- Não, é a iraniana que conheci na semana passada. Estou apaixonado, cara!

E lá foi ele, tomar um banho e sair para encontrar a titular.

Na tarde do sábado seguinte, ele aparece com um problema logístico sério: sua namorada sul-africana ligou avisando que vai comprar uma passagem aérea e que está vindo pra cá. Justo agora que a coisa com a iraniana está fervendo...

- Vou falar pra ela não vir porque ainda está muito quente.

Bom, pelo menos ele falou a verdade.