13.5.08

Fim de tarde

Cuidados com vestimentas

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Sheik Luís responde":

Sheik,
Gostei muito dos seus comentários sobre Dubai.
Farei uma viagem de trabalho e ficarei 2 dias em Dubai.
Voce disse que precisa ter alguns cuidados com as vestimentas para andar na rua e eu gostaria de algumas dicas, se possível.
Não se recomenda calça para mulheres, precisa usar lenço, etc?
Agradeço sua atenção.
Abraço.
Cléria


Postado por Anônimo no blog Dubai F. C. em Quinta-feira, 08 Maio, 2008

Olá Cléria,

Via de regra, você não precisa se preocupar: Dubai é a cidade árabe mais tolerante a costumes ocidentais do Golfo.

Você verá muitas garotinhas asiáticas e européias usando saias minúsculas e coladas pelas ruas e shoppings, mas na minha opinião, isso é uma atitude sensata por aqui. Não é à toa que o governo estuda uma lei para obrigar as mulheres a usarem calças ou saias longas em locais públicos...

Vista-se como você se vestiria para trabalhar no Brasil (calça ou saia longa, blusas não tão coladas ao corpo que cubra os braços e sem decotes atrevidos) e você não terá
problemas por aqui. Você verá bastante gente com roupas provocantes, mas as outras... são outras. Eu te garanto que seguindo essas regras simples você evitará problemas.

Abraço de sheik,

Luís

Sobre futebol

Prezados,

Tenho recebido muitas mensagens de gente em busca de oportunidades em Dubai. Infelizmente, o sheik aqui não pode ajudá-los, pelas razões que listo abaixo:

1) o mercado de futebol, como outros em Dubai, já está saturado. Todos hoje querem vir a Dubai. Como alguns jogadores já me disseram, para vir pra cá "precisa ser bom" e/ou ter um empresário influente por aqui;

2) eu não tenho o contato de nenhum empresário de futebol por aqui;

3) eu já tentei ajudar alguns jogadores antes, mas foi um esforço inútil;

4) para jogar no futebol profissional, existe uma idade mínima de 21 anos;

O que posso dizer é que há dezenas de brasileiros trabalhando com futebol nos Emirados Árabes: jogadores, técnicos, massagistas, preparadores físicos, ex-jogadores que hoje são professores de escola de futebol para crianças, enfim. Mas não tenho o contato deles. Em todos os casos, o fundamental é fazer contato com algum empresário disposto a te ajudar.

Não tenho contato com o pessoal do futebol, por isso, penso que para você que é do ramo, deve ser muito mais fácil de contatar alguém aqui do que eu.

Caso você consiga o contato com algum brasileiro trabalhando com futebol por aqui, não se zangue se a pessoa não responder: essas pessoas recebem muitos, mas muitos pedidos de emprego, especialmente do Brasil, e a maior parte acaba simplesmente ignorando-os, mais por uma inviabilidade de responder/ajudar a todos do que por qualquer outra razão.

Acho que é isso. No mais, considero o assunto "Futebol" esgotado por aqui. Boa sorte a todos os leitores boleiros!

Abraço de sheik,

Luís

Sheik Luis responde "express": TI

Há tempos que não escrevo para a sessão "Sheik Luís Responde" ou "Empregos". Então vamos a um conjunto de perguntas sobre a área de TI em Dubai:


Luis deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Procurando emprego em Dubai":

Olá Sheik!

Meu nome é Luis, moro em brasilia, tenho 24 anos e me formei em computação ano passado. Já trabalhei na IBM e agora estou trabalhando com programação em outra empresa.

Me interesso em ir pra Dubai, pois além da cidade me fascinar, falo árabe (fluente) pois sou filho de sirios, e meu ingles é avançado. Falta um pouco de prática somente.

Minha pergunta é a mesma do Samuel. Como está o mercado de TI em Dubai?

Qlq coisa, meu email é ...@hotmail.com

hauchi u baussi ;)


Postado por Luis no blog Dubai F. C. em Quinta-feira, 08 Maio, 2008

Olá Luís,

Belo e-mail!

Há muitos sírios em Dubai, eu mesmo cheguei a morar com duas garotas sírias. Uma delas adorava cozinhar, e o melhor, adorava me convidava para dar cabo da comida...

O fato de você falar árabe fluente pode te facilitar não apenas na obtenção de um emprego, mas na própria adaptação à cidade em si.

Dê uma olhada no histórico da sessão de empregos, já publiquei vários links para sites de emprego na região. Esses são a principal porta de entrada para quem deseja trabalhar por aqui e não possui nenhum conhecido na cidade para te indicar.

Abraço de sheik e xará,

Luís

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Sheik Luís responde: quem é o Sheik?":


Sheik,

Boa noite!
Sou Analista Programador e tenho muita experiência na área. Gostaria de saber como está o mercado de TI em Dubai. Achei fantástico o que estão fazendo em Dubai e pretendo trabalharia aí.
Se vc puder dar algumas dicas, meu e-mail é ...@click21.com.br.

grato,

Samuel Haddad


Postado por Anônimo no blog Dubai F. C. em Quarta-feira, 07 Maio, 2008

Olá Samuel,

Desculpe pela demora na resposta. Sua pergunta: como está o mercado de TI em Dubai... bem, vamos lá: o mercado está sim em crescimento, com todas as grandes empresas instaladas ou em vias de se instalar por aqui: IBM, Microsoft, Oracle, HP, ...

Salários: tudo depende da sua qualificação, experiência e nacionalidade.

Sim, nacionalidade. Essa não é uma coisa que se costuma comentar, mas é comum as empresas imporem quotas de contratação por nacionalidade, e nivelar os salários de acordo com cada país. As empresas adoram dizer que valorizam o sistema de meritocracia, mas o que se vê de fato é uma versão da lei da oferta x demanda: o salário é baseado no mínimo patamar em que alguém aceita receber pela posição.

Exemplo: hoje em dia, gracas a uma bem articulada propaganda, pessoas do mundo inteiro querem vir a Dubai, invertendo a posição em que as empresas se encontravam a 5 anos atrás, por exemplo. Cada vez mais, as empresas oferecem menos benefícios para que as pessoas venham trabalhar no país. Com a inflação (oficial) beirando os 10% a.a., cada vez mais fica mais caro viver por aqui. Em TI, caso em sua especialidade haja muitos indianos, espere uma grande concorrência e um achatamento do seu salário até mesmo para um patamar abaixo de 10 mil dirhams. Isso ocorre por pelo menos dois fatores: 1) há muitos profissionais de TI na Índia; 2) o câmbio entre UAE e Índia é de 10:1, o que significa que até mesmo um salário baixo torna-se atraente... mas vai por mim: salvo raras exceções, você não vai querer sair do Brasil para morar em Karama!

... é claro que isso não ocorre para posições mais qualificadas. Neste caso, a sua nacionalidade não importará tanto.

Para encontrar emprego: dê uma olhada no histórico da sessão de empregos, há links para diversos sites de emprego por lá. Estes são a principal forma de entrada para quem busca uma posição por aqui.

Como já disse: atente para os benefícios: vôo anual para o país, plano de saúde, auxílio de acomodação e transporte... para viver bem já no limite do aceitável, considere gastar ao menos 5 mil dirhams por um quarto por mês. Por aí você tira o que é um salário razoável...

Abraço,

Luís


Daniel deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Procurando emprego em Dubai":

Gostaria de trabalhar em Dubai luis.
Sou analista de suporte.
Estou no ultimo ano de sistemas de informação.

...@hotmail.com

Postado por Daniel no blog Dubai F. C. em Terça-feira, 15 Abril, 2008

Olá rapaz,

Penso que vale mais apenas você primeiro se formar, ganhar experiência e depois tentar algo aqui.

Exceto para cargos de gerência, os salários para o pessoal da área de operação não são lá muito generosos, especialmente se você não tem um diploma de curso superior... você terá dificuldade em pagar seu aluguel...

Se quiser tentar algo, o caminho é através dos sites de emprego daqui. Dê uma olhada na sessão de emprego do blog que há várias delas listadas por lá. Mas não diga que não avisei!

Abraço e boa sorte,

Luís

Francisco C Cavalcante deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Procurando emprego em Dubai":

Amigo, sou Brasileiro, não falo Inglês mais um amigo me disse que o paraiso na terra é DUBAI? pode me ajudar a ir para ai trabalhar Sou Analista de Sistemas, com larga experiência. Aguardo seu contato: ...@yahoo.com.br
Obrigado.

Postado por Francisco C Cavalcante no blog Dubai F. C. em Quinta-feira, 10 Abril, 2008

Olá Francisco,

Paraíso na terra é Dubai?! Bom, meu conselho é que você se informe melhor. Dubai tem coisas boas sim, mas o sentimento mais comum entre os brasileiros que chegam por aqui é frustração. Se você quer trabalhar por aqui, comece por reduzir suas expectativas... leva em média 6 meses para uma pessoa "normal" se adaptar e começar a acreditar que há coisas boas por aqui, especialmente se você chega no verão ou durante o Ramadã. Digo isso porque a turma chega aqui, não entende a cultura local e começa a achar todas as pequenas limitações do dia-a-dia um grande porre.

Ah, sobre o idioma, amigo, vou ser bem sincero: sem falar inglês ou árabe aqui eu diria que, a não ser que você venha para trabalhar em uma empresa brasileira, suas chances são praticamente nulas. Digo isso porque em geral, o recrutamento é feito pela internet e passa inevitavelmente por uma entrevista por telefone em inglês. Mesmo quem tem inglês nativo tem dificuldades no começo, devido à vasta gama de sotaques...

Abraço e boa sorte em suas escolhas,

Luís

Beto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Sheik Luís responde: quem é o Sheik?":


Boa tarde Sheik.
Achei muito interessante seu blog, e resolvi enviar um comentário. Sou brasileiro, meu nome é Alberto, Pós-graduado em Telecom, trabalho na área de Telecom e gostaria de saber como poderia trabalhar e viver em Dubai. Você poderia me aconselhar?
Um abraço,
Alberto

Postado por Beto no blog Dubai F. C. em Terça-feira, 08 Abril, 2008

Grande Alberto,

Há duas empresas fornecendo serviços de telecomunicações em Dubai: a DU e a Etisalat. Ambas publicam as vagas disponíveis em seus sites na rede.

Há muitas posições abertas na área de telecom aqui, não apenas nestas duas empresas, mas também nas empresas que fazem negócios com as operadoras: Nokia, Ericsson, HP, Motorola, ...

Se você trabalha com mediação ou billing, você poderá encontrar posições como contractor por aqui. Aliás, em qualquer parte do mundo...

Dê uma olhada na sessão Emprego para obter o link para sites de emprego na região.

Abraço de sheik,

Luís

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Recém-formados em Dubai":

Ola Luis, tudo bem?
Descobri seu blog através do site da Icaro. Trabalho na área de TI há 22 anos e nos últimos 6 focado com segurança da informação. Agradeceria se pudesse comentar um pouco sobre as possibilidade de tentar trabalho nesta área aí em Dubai.
Obrigado e um abraço
Edilson

Postado por Anônimo no blog Dubai F. C. em Quarta-feira, 02 Abril, 2008

Olá Edilson,

Há sim mercado para quem trabalha com segurança. Digo pelo que vejo: a iniciativa mais avançada ao meu ver em "segurança da informação" é talvez os proxies bonitinhos que as operadoras de telecom possuem aqui para bloquear sites perigosos, como o do Skype.

No mais, em geral, as políticas de segurança da informação por aqui são incipientes se comparadas ao Brasil. Mesmo a segurança predial, é comum encontrar empresas que não possuem um controle efetivo de quem/o que entra e sai de seus edifícios. E o mais surpreendente: você deixa carteira, notebook, celular em cima da mesa... e ninguém rouba!

O caminho é o mesmo que sempre recomendo: buscar vagas através dos sites de emprego da região (vide sessão empregos) ou nos sites de empresas se segurança com filiais por aqui.

Abraço de sheik,

Luís

Os irmãos de Navid

Dezembro de 2007. As pessoas ainda embarcavam no avião quando o rapaz que sentaria ao meu lado vira-se rispidamente em farsi.

- Sorry, na farsi baladin...

Então ele traduz:

- Senhor, será que você pode liberar um pouco de espaço para minhas coisas também no bagageiro?!

Sinceramente, se iranianos lotam suas malas de compras em Dubai, não é culpa minha:

- Desculpe, mas essas malas não são minhas...
- Oh, sorry...

Após uma longa discussão com a aeromoça, mais calmo, ele se senta ao lado e puxa conversa:

- Oh, desculpa pela confusão...
- Sem problemas...
- Você mora em Dubai?
- Sim, e você?

Navid era o seu nome. Nome, aliás, muito comum no Irã. Ele mora há 2 anos no Reino Unido e aproveita as férias de fim-de-ano para ver a família:

- Não é feriado no Irã, mas não poderei voltar para o Noruz (ano-novo iraniano, que dura 15 dias no mês de março).

Curioso, ele pede para ver meu passaporte:

- Você pode viajar para qualquer país?
- Sim, sou sheik. Por que?
- Não é para todo país que a gente pode ir. Israel, por exemplo... anos atrás, não podíamos entrar na África do Sul. Era uma retaliação do governo contra o Apartheid...

Curioso, pergunto sobre o passado:

- E a guerra Irã x Iraque, como afetou sua família?

Pergunta arriscada, mas ele responde com naturalidade: seus dois irmãos lutaram na guerra. Eles eram jovens: tinham entre 16 e 17 anos.

- Mas tão jovens assim, na guerra?

Ele explica que a invasão do Arvand Rud (Chat Al Arab, em árabe) aconteceu apenas um ano após o início da Revolução, em um momento que as forças armadas do país encontravam-se ainda desestruturadas.

- Foi uma histeria no país: todos os jovens queriam ir para a guerra. As escolas ficaram vazias...

A guerra Irã-Iraque ficou conhecida pelo uso de Ondas Humanas: os iranianos, em maior número e com menos equipamentos, simplesmente marchavam em direção ao inimigo. Guerra curiosa, em que o Iraque de Saddam Hussein era apoiado simultaneamente por EUA e URSS. Não fosse países neutros como os Emirados Árabes, o Irã ficaria sem provisões. Assim como ainda é feito hoje, empresas vendiam seus produtos para empresas nos Emirados Árabes, que realizavam a revenda para o Irã.

Para frear as ondas humanas, as tropas de Saddam usaram armas químicas e biológicas, que minou sua base internacional de apoio.

- E o que aconteceu com seus irmãos? - outra pergunta delicada. Mas ele não tem problemas em responder:

- Meu irmão mais velho levou um tiro de fusil no ombro direito, que saiu pelas costas do lado esquerdo. Ele sobreviveu, está bem, mas até hoje tem certos problemas de desbalanceamento... e meu irmão do meio estava em combate quando foi atacado por armas químicas. Passou 5 anos na cama de um hospital. Sofria de crises periódicas de falta-de-ar. Ficara com a cara roxa... hoje após anos de tratamento está bem, os problemas foram minimizados...

Navid é enfático em afirmar que Khomeini errou: em 82, após menos de 2 anos de conflito, o Irã já havia reconquistado todo o território invadido pelo Iraque, que agora propunha um cessar-fogo. Khomeini não o aceitou: "o exército iraniano marchará sobre Karbala", teria dito.

Karbala é um importante centro de peregrinação religiosa no Iraque, cidade onde o profeta xiita Hussein (filho de Ali, que era primo e genro de Maomé) foi morto junto com sua família em batalha. Talvez a rápida recuperação do território tenham feito o imã sonhar alto com uma única nação xiita: mais de 90% do Irã e 65% do Iraque segue esta corrente do Islã. Mas Karbala fica no centro do Iraque... muitas das estimadas 1,5 milhão de mortes nessa guerra poderiam ter sido evitadas se a guerra tivesse terminado ali e não se arrastado por mais 6 anos como se arrastou...

- Muita gente jovem e boa morreu nessa guerra. Gente que poderia ajudar o país hoje. E para que? Hoje o país ajuda a reconstruir o Iraque, é um país-irmão, dizem os governantes. Tantas mortes para nada... - diria o nosso motorista-guia, alguns dias depois em Passárgada.

Talvez hoje os 290 passageiros e tripulantes do vôo IR655 estivessem vivos: o avião civil da Iran Air, que fazia a linha Bandar Abbas-Dubai, foi abatido "por engano" por um míssil lançado pela embarcação USS Vincennes em 3 de julho de 1988, em um evento até hoje não muito bem esclarecido. Um incidente que acabou por acelerar a assinatura de um cessar-fogo entre os dois países (Irã e Iraque. Os EUA nunca explicitamente admitiram o erro ou se desculparam publicamente pelo abatimento do avião, embora tenha pago indenização às famílias das vítimas).

Talvez: isso não existe em História. O avião agora chacoalha com uma turbulência. Eu afundo na poltrona, Navid ri:

- Isso não é nada! Você precisa ver as turbulências no vôo entre Londres e Nova Iorque! - este é o tipo de curiosidade que não tenho.

O avião finalmente pousa no moderno Aeroporto Iman Khomeini. Navid nos orienta na saída do aeroporto e deixa seu telefone:

- Se estiver pela cidade, é só ligar!

Merci and Hoda hafez, Navid.

12.5.08

Minha querida aula de árabe II

xúf - ver
xúfak - vejo você
bucra - amanhã

ahút - enfiar
fi - em
tizak - sua perna/bunda

AAussu - cobrir
hara - merda

magnun - louco

Enta pitichtagal eih?/Xô amalak? - qual o seu trabalho?
aiwa - correto; de acordo; isso mesmo

Exemplos:

- Xô amalak? (qual é o seu emprego)
- Ahút fi tizak! (Ponha na sua bunda/perna! - uma maneira oblíqua de dizer "vai se foder")
- Ahút fi tizak?!?!
- Aiwa! AAussu hara! (Cubra de merda! - para bom entendedor, meia palavra basta: mais uma maneira de dizer "enfia no rabo")
- Ktir magnun (muito louco). Xúfak bucra (até amanhã)!
- Xúfak! (até)

Minha querida aula de árabe I

Wala - melhor
Ferekh - frango
Gamaya/djamaya - cooperativa
Etihad - união
Meia - 100
MENA - Middle East and North Africa

Exemplos:

- Meia-meia? (100%?)
- Meia-meia! Wala ferékh al gamaya. (100%! Melhor que o frango da cooperativa)

Etihad é uma companhia aérea baseada no emirado de Abu-Dhabi.

MENA Media Guide é um guia de endereços e telefones das empresas de mídia que atuam no Oriente Próximo e Norte da África.

África do Sul: "a guerra de nossos pais"

Já passa da meia-noite e ele está lá no terraço, com uma garrafa de vinho.

- Que foi, cara?
- Nada, boss... quer um copo?

Vinho não se toma sozinho, então subo, aceito.

- Eu ainda volto lá...
- Aonde?

Tomado pelo frenesi coletivo, alistou-se ao exército para defender algo que, segundo ele, só hoje compreende de fato. O que era para ser o serviço militar tornou-se sua profissão por cinco, sete anos...

- Imagine você, tão jovem - menos de 20 anos! - comandando um batalhão...

Memórias de uma conversa com uma garota da Emirates: ela contava que a amiga sul-africana estranhou quando recebeu o convite para estudar juntas:

- Você é a primeira branca que me faz esse convite... por que quer estudar comigo?

A noite segue no terraço:

- Éramos uma força semi-especial: eu , um outro branco, e quase uma centena de owambos.

África do Sul; África Sudoeste. Da base na fronteira, incursões Angola adentro, "in the bush", destocando emboscadas.

- Você já viu a selvas africanas? Mato alto... a gente ia beirando a estrada para evitar as minas. Os veículos derrubavam coqueiros maiores que esse aí...

- E a luta era para que?

- Nossa missão era acabar com os terroristas... hoje vejo: milícias. Gente boa, mas naquela época, estavam do outro lado; os comunistas...

Guerra complexa: naquela época, forças sul-africanas realizavam operações conjuntas com a UNITA de Jonas Savimbi no sul de Angola com o interesse de evitar a formação de bases guerrilheiras da SWAPO (South West Africa People's Organization) em sua luta pela independência da atual Namíbia. Ajudavam, assim, a UNITA a se defender dos avanços das tropas governamentais do MPLA, apoiadas por URSS e Cuba.

Dias atrás, na cozinha, conversava com o rapaz mais novo:

- Eu, na guerra? Já não é do meu tempo....
- E por que Dubai?
- Eu queria conhecer o mundo, viajar um pouco também... e a moeda aqui é mais forte. E no meu país, hoje é meio difícil... tem essas questões... - ele hesita - ...há algo que não se diz: ainda há muitos ressentimentos. De brancos com negros e de negros com brancos. E isso não se comenta, mas é preconceito também: se você procura um emprego, há uma preferência por negros... revanche?

Em uma escala em Viena, a garota da Emirates pede à amiga uma foto com o parque infantil ao fundo.

- Eu não gosto de parques infantis. Lá, eu não podia brincar: eram apenas para os brancos...

Épocas de Apartheid: parques, escolas, hospitais, praias separadas. Casamentos inter-raciais proibidos.

A garrafa já está quase no fim. Ele acende um charuto.

- Ainda quero voltar lá, só para ver como estão hoje as coisas. Eu vi fotos na internet dos locais exatos onde estávamos. Dizem que está tudo em paz. Para tirar esse peso das costas...

Seu amigo tinha 19 anos também. Conversa interrompida: ele estava ao seu lado, um tiro lhe varou a testa. Nesses momentos a guerra perde seu caráter ideológico e ganha novas motivações, contornos pessoais:

- Caçamos todos eles. Derrubamos um a um, 5 dias pelo no mato, sem dormir. Não sobrou nenhum, nenhum... Jesus! Éramos os dois únicos brancos no grupo mas todos os owambos choraram... as batalhas nos uniam.

Ele continua:

- Meu amigo... por que ele e não eu? Ele teria 42, como eu... a gente era muito jovem, no meio daquela grande merda, sem saber por que. Mas hoje eu sei: a gente lutava a guerra de nossos pais.

E na cozinha o rapaz encerra o assunto:

- Meu país é lindo, cara. Mas vai levar anos para o povo esquecer toda essa coisa ruim.

A garrafa já está vazia e meu copo também.

- Ei, boss: ainda vou voltar lá. Você vai receber um e-mail. Vai saber que é pra vir junto.

Aperto firme de mão: hora de dormir. Ele ainda fica com um resto de charuto e um dedo de vinho no terraço, pensando na vida, e nas mortes, talvez.

11.5.08

Por que não escrevo: depois do almoço

Caro leitor, noto somente agora que escrevo em primeira pessoa e sinto sobre minhas costas todo o peso da responsabilidade sobre este ato: a primeira pessoa - do singular ou do plural - confere ao texto um caráter confessional, e você - leitor ignorante - pode assumir que é tudo verdade. Ou pior: que é tudo mentira. É por isso que logo agora, antes de seguir, penitencio-me indo ao Mall of the Emirates e tentando estacionar a máquina poluidora que me serve em um estacionamento apinhado de outras máquinas. Condeno-me a enfrentar a fila do caixa do Carrefour. Vou à Chata Táuer às 9h da manhã... e espero o elevador (não existe penitência pior do que ter que esperar). Penitência cumprida, sigamos em frente. Escrevo tudo em detalhes, para não haver dúvidas quanto à veracidade (ou não) dos fatos.

O almoço foi no Shu, casa de xixa em frente ao Jumeira Beach Park, que aos sábados oferece um buffet de saladas e pratos quentes por meros 39 dirhams por pessoa. E eu me pergunto o que confere ao lugar um ar simpático: seriam os livros? Eles ficam bonitos ali, embora me pareçam um pouco deslocados: ninguém vai puxar um livro de 500 páginas para uma leitura despretenciosa enquanto fuma xixa. Visão um pouco utilitarista, mas esses blocos de papel fariam mais jus à sua existência se estivessem em um local mais adequado ao seu consumo, mas o que importa é que a comida é boa. Aprovada.

O almoço acabou tarde, quase 4h:

- Moça, quer chá?
- Não é uma má idéia... vamos ao Limetree?

Café Limeira, um bom lugar para fechar a tarde.

- O que você vai beber?
- Eu gosto de Earl Grey, mas se eu tomar isso agora, não durmo de noite. Vou de Jasmin. E você?
- Ah, eu vou tomar um suco.

Minutos depois, chegam à mesa dois chás: jasmin e laranja com canela.

- Mas você não pediu suco?
- É... mudei de idéia...

Mulheres: dizem uma coisa, fazem outra. Sempre.

- Quer ir comigo ao 360? É aniversário de um amigo gay - mulheres adoram dizer que têm amigos gays. E que possuem gatos, cachorros...
- Não, obrigado. Eu preciso escrever no blog.
- Hey, come on... eles não vão te dar cantadas.
- Eu sei.

Mulheres às vezes gostam de provocar:

- Quando é que você chegou à conclusão que você não é gay?
- Como assim?
- É. Desde quando você sabe que não gosta de homens.

Preconceito: como se todo homem fosse obrigado a ser gay. Meu pai, sheik de renome, sempre dizia: morria de medo de ter filho veado. E sempre dizia: "se alguém falar que você não é homem, mostra o pinto!".

Era um dia singelo na pré-escola quando a vizinha, em plena aula, provoca:

- Se você não faz isso, você não é homem.

Entusiasmado com a idéia de colocar em prática os ensinamentos paternos, lá se foi a calça para os joelhos, para o espanto da professora:

- O que é isso???

Compreensível o espanto dela. Caro leitor, eu imagino que você já saiba: sou sheik. Sheiks possuem genitálias enormes...

- Foi meu pai que mandou.

Imagine isso em um país muçulmano? Castigo: 2h olhando para a parede... ao chegar em casa, a mãe da garota falou sobre o muro: "não faça mais isso, hein?".

- Ok, eu te deixo em casa.

A professora de ioga entrou mais uma vez no quarto, coletou o biquini que jazia pendurado na porta do banheiro, a canga pendurada na porta do armário, mas se esqueceu da toalha na cadeira. Compreensível: para mulheres, uma estória sempre termina em reticências...

... mas eu sou homem. Não me provoque, que mostro a genitália. O que relatei aqui, justifica e muito a minha distância dos teclados. E é por essas e outras que qualquer hora, vou-me embora de Dubai. E assim sendo, termino este post sem reticências: apenas um ponto final.

Sharjah: para solteiro é mais caro

E você aí no Brasil se pergunta qual é a vantagem de se morar em um país regido por uma democracia...

... certamente o que aconteceu recentemente em Sharjah não aconteceria por aí: um aumento nas tarifas de água, gás e luz sem qualquer aviso-prévio, de acordo com a reportagem do Gulf News.

E é através da mesma reportagem que surge uma informação deveras interessante: no emirado, as tarifas são diferenciadas para solteiros e famílias. Solteiros pagam uma taxa básica de eletricidade, gás e água de 200 dirhams, enquanto famílias pagam 70 dirhams.

Bela iniciativa, Sharjah! Se todos os emirados tomassem medidas semelhantes, em breve o UAE conseguiria erradicar do mapa esta doença maldita (o celibato).

10.5.08

Aulas de árabe em Dubai



Então você realmente quer aprender árabe em Dubai? Está bem, está bem, segue então uma dica do Sr. Nelson Lomba sobre curso de árabe em Dubai:


Oi, Luis.

O instituto se chama ETON e fica em knowledge Village.

O curso para iniciantes é de 30 horas e custa 1200 dirhams (incluindo o material didático – 1 livro e alguns CDs).

Há uma turma aos domingos e terças, e uma outra às segundas e quartas. As aulas comecam às 19:30 e terminam às 21:00hs. Ate agora eu só fiz uma aula, que foi bem legal. O nome da professora é Saly. Ela e egípcia e dá as aulas em inglês. O inglês dela tambem é muito bom.

O site do curso é http://www.eton.ac/index.php

Eles também têm um curso de árabe intensivo. Tem um amigo que está fazendo, são 5 dias por semana.

Abraços,

Nelson


É isso aí. Vale lembrar que a garota bonita da página não está inclusa no curso.

Nelson Lomba é especialista em "Arcaísmo Contemporâneo" e ganha a vida dando palestras e consultorias em Dubai. Com a fortuna que já fez, já comprou o seu Rolex em Karama, colaborando assim para o fim do desemprego infantil na China, e agora esbanja luxo pelas ruas de Dubai.

Grande dica, seu Nelson!

Abraço de sheik.

Por que eu não escrevo: depois do banho

Saio do banho; a garota está estendida na cama.

- Se você não lê o livro, leio eu. - e começa a ler em voz alta:

The body is like grapes, and if you use rightly you can create the wine in you. The body is going to disappear, but the wine can remain, the spirit can remain.


Deito ao lado. Garotas ficam sensuais lendo:

- E aí, o que você acha disso?
- Conclusão: beba vinho e seja eterno!
- Chato!

A negação estimula o crente a converter o incrédulo. Ela continua:

"The death of the seed will be the birth of the tree (..) But how can this be known to the poor seed which has never been anything else? It is inconceivable. That's why God is inconceivable."


Isso me traz à memória uma entrevista de Leonardo Boff ao programa Conexão Roberto D'Ávila em que ele comentava suas últimas conversas com Darcy Ribeiro, já em estágio terminal. Ele tentava mostrá-lo como seria bom o pós-morte, a Pachamama que o abraçaria cheia de amor e vida... e viu um Darcy Ribeiro reticente:

- Leonardo, isso tudo é muito bonito e confortante. Eu juro que gostaria muito de conseguir acreditar em tudo isso.

Sara continua a leitura. Seu cabelo ainda cheira a mar:

"(...) And the leap happened to Jesus: he relaxed on the cross and he said: "Thy Kingdom come. Thy will be done..."


Agora ela se vira e me pega em flagrante olhando para a protuberância que se forma na camiseta sobre os seus seios sem sutiãs. Viva o ar condicionado! Protestos:

- Hey!! Você está prestando a atenção no que eu estou lendo??
- Imagino que muitos suicidas explosivos também ficam nervosos momentos antes de apertarem o botão. E encontram tranquilidade ao pensar que o Reino está próximo...

Deadlock: esse é uma palavrinha em inglês muito usada em computação cuja melhor tradução talvez seja "beco-sem-saída". Quando isso acontece em uma conversa, é melhor mudar de assunto, arejar um pouco:

- Vamos comer?

Na saída do quarto, o companheiro de casa estava atento:

- Eu conheço esta roupa...

Obrigado, Chris. Homem sente prazer ao ver outro homem pensando que você fez sexo. Prazer territorial que não é superior ao ato em si, mas seu deleite é mais duradouro, e curiosamente, independe da ocorrência do coito. Dizem que é feio mentir. Por isso não minto, apenas confirmo os fatos, nem um tiquinho a mais, nem um tiquinho a menos. Apenas um discreto piscar-de-olhos:

- Sim, é minha - adiantei.

Hora do almoço.

Por que eu não escrevo: a aula de caiaque

A aula de caiaque começou com ela entrando no meio quarto e indo direto para a estante dos livros:

- Você já começou a ler o livro?

Sabia que ela iria perguntar: dias atrás, após um papo existencial, ela me emprestara "I say unto you", do Osho, e insiste em tentar me convencer que "existe alguma coisa depois". Tá.

- Prometo que começo hoje. Vamos pro mar.

Eu sei que você está interessado em saber o que aconteceu na água, mas confie em mim: nada de mais. Depois de alguns tombos com o bumbum à vista para uma atenta e paciente platéia de rapazes de bigode de cócoras na praia, ela desistiu e ficamos ali naquele papo de praia, sentados na areia: castelinhos de areia com o pé que o mar derruba. Olho no relógio: 13:30h. Fome:

- Ei, vamos almoçar?
- Hmm... mas eu vou ter que passar em casa tomar um banho...
- Ué, você toma banho em casa.
- Ah, mas eu não tenho roupa.
- Mas eu tenho.
- Ok.

E assim voltamos para o quarto. Para uma professora de ioga, camiseta e calça com motivações "Índia é super legal". Mas ela se esqueceu de levar para o banheiro...

... e ela sai do banheiro com a toalha enrolada no corpo:

- Está frio aqui!!

Ela põe a camisa sobre e a calça sob a toalha. Depois a retira e enrola na cabeça. Hora de eu tomar um banho... frio.

9.5.08

Por que eu não escrevo: o sábado

Para fins religiosos, o dia sempre começa no dia anterior, quando o sol se põe. E posso dizer que sim, o sábado começou um pouco na sexta à noite, quando recebi outro SMS:

Paddling 2morrow @ 8:30 w Enrique



Enrique é peruano e já vive aqui há longa data. A nossa conversa começa em portuñol e termina em espanglês. Geralmente é ele que marca as remadas coletivas, mas hoje não sei o que aconteceu: não apareceu. Talvez tenha sido sábio: o dia amanheceu com ventos e neblina forte. Isso significa mar com ondas e sem visibilidade, o que não é lá muito bom para remar.



Saí na praia com a esperança de que todos tivessem desistido, mas já vi que as duas meninas já estavam lá. Homem não pode fazer feio, fui pra água também. Cheguei atrasado e lá fui eu no meio da neblina, contra as ondas, tentar alcançar as duas, mais uma vez a Sandra e a Julia. Meninas abusadas: seguiam sem colete salva-vidas. E eu? Sou sheik, tenho 15 concumbinas para criar, não posso me arriscar assim por pouco. E lá fomos nós: 1 km fora da costa até um navio que estava atracado e retorno, surfando as ondas. Da praia, não se via o navio, e do navio, não se via a praia. Três idas e voltas, com direito a tombo em alto-mar com ondas e tudo.

Chego em casa com a sensação do dever-cumprido: "agora é só tomar um banho, almoçar e começar a atualizar o blog". Mas aí chegou um SMS:


Hey Luis! R u going 2 the beach now?


Era a Sara, a professora de ioga. Ela quer aprender a andar no caiaque. Mas justo hoje, cheio de ondas? Mas os sheiks são generosos e benevolentes: "Sim, venha". Mas isso já não cabe aqui, é assunto para outro post.

Por que eu não escrevo: a sexta-feira

E você me pergunta:

- por que é que você não escreve?
Pergunta com toda razão. Mais eu te digo, leitor: eu me esforço, mas às vezes a vida dá voltas mais rápidas do que é possível planejar. Como exemplo, cito um fim-de-semana que passou: na quinta à noite coloquei metas para o blog. Antes mesmo de dormir, já percebi que estabelecer "metas" é muita pretensão... recebo um SMS dizendo assim:


2morrow paddling @ 9.30!


E o dia amanheceu perfeito: dia de sol, sem ventos. O mar, uma piscina sem ondas. E lá vamos nós: eu, a francesa Sandra e a norte-americana Julia, direto para o The World. Nada mal: 35 minutos de ida, 30 minutos de volta. 12 km no total.



E depois? Ah, aí chegou o momento reservado para a contemplação. Celebrar o ócio: "estou em Dubai..."



Sabe, leitor, confesso uma coisa: Dubai ficou muito melhor desde que você, aí do outro lado do mundo, começou com essa estória de que aqui é o Paraíso dos Arquitetos e dos Endinheirados. Quando eu voltei pra cá, ninguém falava em Dubai. Todo mundo dizia: "você é louco? Lá só tem terroristas, eixo do mal!". Falaram tanto que comecei a até mesmo duvidar de minhas convicções quando peguei logo na primeira noite 39 graus às 10h da noite no aeroporto...

Naquela época, nos pubs cheios de homens (como em quase todo lugar em Dubai), o assunto não era outro: o paraíso é a Europa! Um que acaba de chegar na cidade falava de praias com mulheres fazendo topless, outro dizia entre um copo e outro: "lá as pessoas são civilizadas...". O taxista não entendia: "ah, mulher brasileira... por que você veio pra cá?!".

Pois é, leitor, mas o tempo passa, não é mesmo? O sheik investiu pesado em propagandas justamente nos antigos paraísos: London, Paris, Tokyo, Milan. Brazil. Quase 2 anos depois, Dubai continua cheia de homens, e no verão, continua a fazer um calor deprimente mesmo de noite, mas agora, nos antigos paraísos não se fala em outra coisa a não ser em... Dubai. Ontem mesmo ouvi um executivo da Silverjet dizendo que Dubai é a segunda destinação preferida da Inglaterra. No ano passado, foram 4 milhões de passageiros para Nova Iorque e 3 milhões para Dubai...

É por essas e outras que eu, aqui no meu sofá, apenas sorrio com um prazer muito íntimo:

"Eu tenho o que você não tem".


Foi só então que percebi a profundidade expressa nos versos que ouço na voz de Marisa Monte:

"O teu desejo é o meu maior prazer."


E passei o dia assim, sentado no sofá, saboreando meu prazer. Mas aí veio o sábado, que fica para um outro post.