22.1.08

Atores: a Bruxa de Portobello


Eis que estou passando pelo Spinneys e resolvo dar uma olhadinha nos classificados. Mas o que é isso, um curta-metragem sobre o livro do Paulo Coelho?

E estão precisando de:

- Um guia turístico
- Um Sheikh (eu?!)
- 3 turistas alemães
- Viorel (garoto jovem)



Mas atenção para os requisitos:

Atores devem ser confiantes e estar aptos a atuar e dançar livremente. Atores devem ser comprometidos + disponíveis de janeiro a março de 2008.

Encruzilhada

21.1.08

Inconfidência Mineira

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Visitando Israel":


comedores de pão-de-queijo se orgulham de seu "Libertas quae sera tamem"

sou mineiro e gostaria de explicações sobre isso. devo encarar como uma ofensa?



Postado por Anônimo no blog Dubai F. C. em Segunda-feira, 21 Janeiro, 2008

Caro Anônimo,

Os leitores, por vezes, surpreendem o sheik. Como você conclui que eu me referia a um mineiro? Oras...

E o leitor varonil lança um brado beligerante e ufanista - Calúnia! - e já conspira contra o Sheik, estudando maneiras e artimanhas para extorquir alguns de seus camelos e concumbinas.

Ah, as conspirações mineiras... tranqüilize-se, caro leitor: uma das qualidades do Sheik é a misericórdia. Ele (o Sheik) não utilizará dos mesmos métodos que utilizaram seus patrícios de além-mar contra o pobre dentista (dá pra chamar de dentista alguém com o apelido de Tiradentes? Se bem que há muitos dentistas hoje em dia que merecem tal alcunha), que não contentes em enforcar o pobre coitado, esquartejaram seu corpo e espalharam suas peças de carne pelas ruas. O Sheik é da paz, e trilha o caminho da argumentação, da persuasão (embora Sheik seja Sheik, e tenha sempre a última e suprema palavra sobre os mortais).

comedores de pão-de-queijo se orgulham de seu "Libertas quae sera tamem"


Os Sheiks são assim: colocam o dedo na ferida. Ofensa? A asserção acima ilustra, tal como as demais, tal qual sua reação, como identidades não se constroem apenas em torno de vitórias. E nada mais. Pão-de-queijo? Portugueses produzem e consomem vinhos. Mineiros? Dizem que até nas festas da Embaixada Brasileira no Irã não se consome Ferrero Rocher (como obviamente se haveria de supor) mas o dito pain au frommage.

Tiradentes: herói ou uma construção? Interessante: quando eu era criança e estudava no deserto a história da terra estranha onde nasci, sempre confundia seus retratos com os de Jesus Cristo. Coincidência ou não, o fato é que mataram o sujeito. Nestas horas, lembro sempre dos ensinamentos de meu velho pai, que me dizia enquanto ordenhava uma camela: "Mais vale um covarde vivo que um herói morto". Talvez por isso, eu tenha sempre uma simpatia por aqueles que se curvam diante de mim (os Sheiks são assim, modestos). Feliz a pátria que não necessita de heróis.

Libertas quae sera tamem. Ofensa? Abstenho-me de comentários. Deixo-o com palavras de seu conterrâneo:


(...)
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
(...)


Obs.: Pão-de-queijo... faz tempo. Preciso dar um pulinho no Carrefour.

Beijocas de polvilho nas axilas,

do Sheik.

Visitando Israel

Ludi deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Falando com o sheik":

Caro Sheik Luis, espero que esteja tudo bem com vossa alteza!
Escrevo novamente para tirar uma dúvida sobre as histórias que escutamos aqui no ocidente sobre os países árabes. Ouvi dizer que no Kuwait uma pessoa que possua o carimbo de Israel no passaporte, independente de nacionalidade e crença, não consegue o visto de entrada no país e é barrado automaticamente. Gostaria de saber como isso funciona nos Emirados. Não sou judia, mas gostaria de passar por Israel, será que depois consigo entrar nos Emirados?

Abraços. Seu blog continua o melhor.

Ludi

Postado por Ludi no blog Dubai F. C. em Segunda-feira, 21 Janeiro, 2008

Olá Ludi,

As histórias que você ouviu estão corretas: com o carimbo da Palestina ocupada (como Israel é referido em mapas, diversas publicações e até em comunicados oficiais na maioria dos países do Golfo), você não vai conseguir entrar em muitos países por aqui. Nos Emirados Árabes não é diferente.

Guerras terminam (terminam?), ressentimentos ficam. Na Argentina, vê-se uma placa com a inscrição "Las Islas Malvinas son argentinas!" em cada posto fronteiriço; na Armênia, o Monte Ararat, hoje devidamente guardado do outro lado da fronteira, é um símbolo oficial; norte-americanos (tá bom, estadunidenses para os pelegos) insistem e fazer filmes sobre o Vietnã; comedores de pão-de-queijo se orgulham de seu "Libertas quae sera tamem"; na província canadense (canadiana, para o deleite luso) do Quebec, a frase Je me souviens (eu me lembro) enfeita placas de automóveis, deixando ufanistas de plantão com lágrimas nos olhos. Snif, snif.

Enxuguemos nossos olhos e narizes com lencinho Kleenex (a espessa massa verde já começa a escorrer nas narinas infantis) e voltemos a sua questão. Isso não quer dizer que você não possa visitar este país: basta pedir para as autoridades israelenses o visto e os carimbos de entrada e saída em um papel separado de seu passaporte.

Essa prática é também muito utilizada por quem vai cortar cana em Cuba nas férias e deseja fazer compras em Miami na volta.

Caso você já tenha visitado Israel e o seu passaporte já esteja carimbado, não há outra solução a não ser renovar o passaporte. Há notícias aqui e ali de que nas alfândegas a polícia faz vista grossa, mas é um risco muito alto considerando o preço de uma viagem ao Oriente Médio, não?

Bitocas muáqui-muáqui do Sheik.

16.1.08

E se por um lado não foi feriado ontem...

... por conta da visita do Sarkozy, hoje foi decretado feriado escolar em Dubai, Sharjah e demais emirados no norte.

O motivo: a chuva mais forte dos últimos 7 anos, que alagou Sharjah e Dubai e deixou um saldo de mortes e acidentes de trânsitos.

Desenhadas para um clima árido, a estrutura de escoamento de águas pluviais dos Emirados não dá vazão a grandes volumes de água e o que se vê é a cidade e estradas alagadas.

Não é por aí

O leitor do post anterior pode pensar que o Sheik é um defensor do eixo do mal.

Longe de defender ou atacar o regime instalado por terras persas, o sheik pensa que isso é um assunto persa, a ser resolvido por persas, e não pela polícia do mundo. Aliás, toda tentativa de intervenção externa no Irã no recente passado deste país - com boas ou más intenções - revelou-se um desastre.

Inclusive hoje, parece-me que a própria intransigência nas negociações acerca dos reatores nucleares iranianos - questão considerada soberana por qualquer iraniano - e coisas como o embargo é o que tem alimentado ressentimentos nacionalistas na população que terminam por se traduzir em um apoio ao governo atual, impedindo assim que outros assuntos venham à pauta, que o país avance. Algo tão improdutivo para o país quanto o embate PT x PSDB no Brasil. Em Teerã, por exemplo, o dono de um hotel ficou indignado ao descobrir que o domínio de seu website - fundamental para atrair turistas - havia sido cancelado: "Eu tenho cara de terrorista?".

O clima bélico não é bom para o povo, mas é bom para governos: bom para o governo iraniano, que encontra assim sustentação com o mote da "ameaça externa", bom para os governo dos EUA e França, que lucram com vendas de armas e reatores nucleares para os países vizinhos. Bom para o governo russo, que aumenta seu controle sobre o Mar Cáspio em troca de apoio político e militar.

No mais, há pontos em comum entre o governo norte-americano e o governo persa: ambos possuem grande suporte em áreas rurais e nos setores mais conservadores de seus respectivos países. Ambos têm o suporte de religiosos fervorosos - cristãos ou muçulmanos. Ambos discursam sobre o bem e o mal (que bom se tudo fosse tão simples). O apoio a ambos é menor em áreas urbanas, em grupos com maior escolaridade e entre jovens.

15.1.08

Dúvidas cruéis

1) Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes têm o consentimento dos protetores mundiais da democracia, da liberdade e das criancinhas para construir reatores nucleares. E por que não o Irã?

2) democracia e liberdade são importantes? Existe democracia com censura?

3) se a resposta é não, então por que se investe tanto em China, e em certos países, digamos, do Golfo?

4) se a resposta é sim, então por que não investir no Irã?

5) embargo derruba governo ou o fortalece?

6) por que vendas de armas e reatores nucleares com fins pacíficos coincidem com altas no petróleo?

7) botes iranianos a menos de 20 km da costa iraniana são uma ameaça... ao mundo?

8) ontem Dubai recebe o presidente francês, Nicolas Sarkozy. POR QUE NÃO FOI FERIADO? POR QUE? POR QUE? POR QUE????

Antes x depois

Antes: dia 12.01 9:00h, vento xamal (norte).





Depois: hoje, 15.01 7:00h, chuvão.



E parece que toda a água que não caiu em dezembro veio agora, de uma vez só. Mas não dá pra reclamar: pode ser a última chuva do ano...

Falando com o sheik

Roberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Temperatura real, umidade e sensação térmica":


Olá, Sheik Luis! Como vai?

Quero comprar camelos para vendê-los aqui na minha concessionária. Como podemos contactá-lo? Há um telefone? Um e-mail? Estamos no aguardo de sua resposta. Obrigado. Roberto Rodrigues.


Olá Roberto,

Dê uma olhadinha neste post aqui.

Manda pra mim um e-mail que a gente conversa com calma.

Abraço de sheik!

Luís

14.1.08

Meu querido diário: estado-de-sítio

São 5:20h da manhã: o telefone toca (maldito). Telefone que toca de madrugada (maldito) é mal sinal. Logo no feriado...

... Eid Al Bush, coisa nova: um presidente visita o país e, por questões de segurança, decreta-se um feriado. Ah! As vantagens de não se viver em um país democrático! Bush deve ter morrido de inveja.

São 20h do dia anterior. Recebo uma mensagem: "Mais algum felizardo agraciado com um feriado? Vamos remar amanhã às 10h!". É o Enrique, peruano que já está aqui há um bom tempo. Foi para uma lista de gente que não tem medo de água fria.

São 7h da manhã, um SMS: "O Gavin foi barrado pela guarda-costeira. Vou tentar mesmo assim as 10h!".

São 10h da manhã: o mesmo motivo que me interrompeu o sono impede agora de cumprir palavra. Ao menos não me impede de sair na rua de pijama as 10:30h de segunda-feira.

Barulho de avião. Mas o tráfego aéreo não está interrompido? Ele vem lá dos lados de Abu Dhabi voando baixo escoltado por 2 helicópteros e ao passar pelo Burj (Al Arab), faz uma curva pra esquerda. Está se posicionando sobre o mar para aterrisar (obviamente) lá no aeroporto. O Kim, que volta da praia comenta: "Air Force 1."

Sigo em frente (de pijama). O pessoal retorna antes do mar: a guarda-costeira parou. Caiaque? Só pertinho da praia, mas longe do Burj (Al Arab)! Uma das inglesas do grupo reclama: "It's not a holiday, it's a curfew!". Ela tentou pedalar perto do Burj (Al Arab) de manhã e - óbvio - foi barrada.

Curfew, palavra bonita. Nos jornais ela está sempre pertinho de outras como rallye e riot. Quase nenhum carro na rua, silêncio, ar puro. Curfew. Mas agora já é 12:30h, lá vem os imãs.

Idéia: filmar a cacofonia. Vista estratégica dos minaretes, só no telhado. Como sempre, o imã tosse antes de gritar. Na casa ao lado, no telhado, um gato caça passarinho. No quintal, um galo corre atrás de uma galinha. Horas antes, antes do imã, ele já havia dito: "Có-co-gú-cuuuuuuuu!".

Curfew: estado-de-sítio. A inglesa tem razão.

13.1.08

"Eid Al Bush" holiday

Pois é,

Coisas inacreditáveis andam acontecendo em Dubai. Como o furto da bicicleta do Camilo, que viaja com o Arthur (que Arthur? Que Camilo? Depois entro em detalhes). Como esse chuvaréu que cai nesse momento em Dubai, alagando tudo.

Mas nada se compara a notícia que acabo de receber que ao que tudo indica procede: em virtude da visita de George W. Bush marcada para amanhã à Dubai, por questões de segurança, amanhã não haverá expediente (estamos próximos ao percurso dos chefes de estado).

E a criançada de terno com ranho no nariz chora de alegria, abanando bandeirolas norte-americanas:

- Thank you Mister Bush!



Atualização de última hora: as principais avenidas de Dubai - Sheik Zayed Road e Jumeira Beach Road estarão fechadas ao tráfego durante todo o dia amanhã.

É isso aí, pessoal. Bush Mubarak a todos!

Trabalhar na Emirates?

Carlos La Terza pergunta:

Olá Sheik,

Gostaria de saber se você tem conhecimentos com alguém da Emirates Airlines aqui em São Paulo, no Brasil, afim de que pudesse mandar currículos do meu filho, para que ele pudesse trabalhar aqui em São Paulo na companhia aérea.

Agradeço uma resposta.

Abraço

Carlos La Terza


Olá Carlos,

Infelizmente, não conheço ninguém que trabalhe na Emirates aí em São Paulo. Entretanto, todas as vagas disponíveis na Emirates estão disponíveis na rede através do endereço abaixo:

http://www.emiratesgroupcareers.com/

Há posições para todos os níveis, de camareiras a garçons, de enfermeiras a dentistas, de engenheiros de software a engenheiros aeronáuticos, gerentes de publicidade a diretores de RH, e também em diversos países: África do Sul, Nova Zelândia, Austrália, Índia, Filipinas. Infelizmente, não encontrei nenhuma posição no Brasil.

Em um último caso, você pode tentar obter alguma informação diretamente no escritório da empresa em São Paulo. Há rumores de que a empresa está montando filiais no Rio de Janeiro e Buenos Aires, para onde a companhia estaria em vias de estabelecer novos vôos diretos a partir de Dubai.

Boa sorte!

Abraço de sheik.

11.1.08

Cartão Dubaimlm?!

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Médicos e profissionais de saúde":


Oi !

Gostaria de saber sobre o Cartao de credito Dubaimlm, se trata de uma empresa seria ? e Realmente, e um cartao que funciona e aceito ai nos Emirados Arabes ?

Um abraco.

Cosme


Caro Cosme,

Nunca ouvi falar deste cartão.

Os sheiks são bondosos, mas a princípio extremamente desconfiados: tudo que parece vantajoso demais tem grandes chances de ser um "górpe".

Desconfie de tudo que ofereça possibilidades de ganho fácil e rápido, principalmente de pirâmides financeiras vestidas com a atraente roupagem de "marketing de rede" ou "marketing multi-nível".

Idéias de pirâmides financeiras não são novas e a forma como terminam são quase sempre muito semelhantes. O melhor exemplo que existe a respeito creio que é o caso albanês, que quase ocasiona uma guerra civil no país.

Antes de se empolgar e entrar de cabeça em um cartão milagroso desses, proponho que você leia este texto aqui da Wikipedia.

Abraço de sheik.

O homem religioso, as axilas, e o chulé

Era uma vez um rapaz muito religioso e muito gordo. Ele não conseguia controlar o seu desejo de comer. E comia de tudo: cebola, cabritos, doces, coisas apimentadas. Fazia calor no local de trabalho, o que facilitava a transformação de tudo aquilo que decompunha em seu estômago (cebola, cabritos, doces, coisas apimentadas) em odor, que exalava fortemente por suas axilas. Seu odor variava com a sua alimentação: por vezes, doce, por vezes sufocantemente acre. Mas invariavelmente pesado nos meses de verão, quando suas glândulas sudoríparas trabalhavam a todo vapor, deixam para trás um enorme rastro de anõesinhos mortos.

O rapaz não era muito afeito a certos luxos ocidentais, dentre eles o desnecessário gasto diário de água para deixar suas partes do corpo com cheiros inumanos: lavanda, rosas, creme de aveia. Talvez porque em sua terra natal tal hábito fosse, mais do que um luxo, algo inadmissível: no deserto, a água destinada a um banho pode ser a diferença entre ter ou não água por vários dias.

Seus colegas de trabalho não tinham o menor interesse em compreender sua razões e já arquitetavam planos para forçá-lo a adaptar-se aos hábitos de uma cidade que, apesar de desértica, garantia água-doce a seus habitantes através de usinas de dessalinização. “Viva o progresso! Viva o cheiro de lavanda!”, diziam seus amigos que reclamavam de seu odor. “Carniça pura!”, diziam alguns, “Se ele passar espátula nas axilas, sai um creme!” diziam outros. Outros com imaginação mais fértil diziam que perto dele o ar era tão pesado que se poderia cortá-lo com faca. Arquitetaram assim um plano que colocariam em prática tão logo ele voltasse de suas orações.

O rapaz era muito religioso, já disse: religiosamente realizava suas orações. Atento a outras modernidades, possuía no celular um iman eletrônico, que o avisava cantando em alto e bom tom para ele e todos os coleguinhas de trabalho o horário das orações. “Alahu al akbar!”.

Ele religiosamente se levantava e seguia para o banheiro. Estrategicamente, utilizava sapatos mocassim, sem cadarço, que facilitava o ritual: lavava o rosto, lavava mãos e antebraços. Por fim sacava o sapato, as meias e lavava ali mesmo, na pia, os próprios pés. Lavava cuidadosamente entre os artelhos, por vezes com o próprio sabão líquido disponível. Isto feito, secava-os com as próprias meias os pés e seguia para a sala destinada às orações, com os tapetes já dispostos na direção de Meca.

Logo ao voltar, um amigo lhe dá despretenciosos tapinhas nas costas: “E aí, camarada? Enta kifãk?”. Ele não entendeu muito bem, mas seguiu trabalhando. Os colegas riam, ele ria também. Por fim, desligou o computador e seguiu para casa. Foi então que a esposa retirou desconcertada um pedaço de papel colado em suas costas: “Sou fedido, e daí?”

A partir deste dia, o rapaz religioso passou a ter mais atenção com a aparência e com a higiene pessoal, tomando banho e trocando de roupa com mais freqüência (ao menos uma vez por semana).

Moral da história: quem lava o pé, não tem chulé.

9.1.08

Primeiro post do ano

E o leitor está desesperado. Sentado na cama de palha em seu barraco com teto de zinco, derretendo de calor, não consegue mais dormir: "Onde estão minhas notícias de Dubai?"

Então vamos a algumas novidades de 2008 neste importantíssimo post (o primeiro do ano!):

- dia 5 de janeiro comemorou-se por aqui 2 anos da ascensão do Xeque (que feio esse termo em português) Mohammed bin Rached Al Maktum, vice-presidente e primeiro-ministro do EAU e governador de Dubai ao poder;

- faz frio (frio mesmo) por aqui: o xamal (ou chamal? Ou shamal? Certo mesmo, só em árabe) está soprando forte há dias, trazendo chuva (em Dubai nem tanto), ondas (muitas), tempestades de areia e baixando as temperaturas. Esta madrugada registrou-se em Dubai temperaturas de 10 graus Celsius. No meio do deserto a temperatura foi ainda mais baixa. Se esta notícia for lida no verão (43 - 50 graus), vão achar que é mentira;

- nos primeiros dias do ano, os habitantes de Dubai notaram as ruas mais vazias, e se registrou uma queda acentuada nos congestionamentos. Autoridades da RTA apressaram-se a atribuir esta queda como um "benefício do SALIK". Mas tão logo a comunidade de expatriados começou a voltar de suas férias de final-de-ano, ficou claro que não é bem assim: é preciso mais que um pedágio para reduzir congestionamentos (e que venha logo o metrô!);

- o preço do petróleo chegou à marca dos US$ 100/barril nos últimos dias. O fato foi tratado na mídia local como um acontecimento "abençoado";

- o Internacional de Porto Alegre bateu o Stuttgart e o Internacional de Milão e sagrou-se campeão de um campeonato cujo nome eu não sei;

- amanhã (ou hoje?) é o feriado de Ano-Novo no calendário muçulmano. Entenda-se feriado no trabalho (droga! Não vou poder trabalhar!) e lei-seca (nenhum bar venderá álcool a partir das 18h de hoje e amanhã o dia todo);

- amanhã também começa um campeonato de três dias de corridas de cavalo aqui em Nad Al Sheeba (Nad Al Xiba? Nad Al Chiba? O correto mesmo, só em árabe). Preços: um dia por 50 dh, 3 dias por 125 dh, um dia com refeição elegante inclusa por 250 dh. Vamos aí?

- dia 18 ocorre a Maratona de Dubai. E aí, vai encarar?

- meu aluguel subiu 20%;

O que, e o Irã?! Acalmem-se. Depois, depois. Agora deixa eu praticar meu hobby: trabalhar.