29.7.07

Madrugada


Dubai 29/07/2007, 04:55h.

27.7.07

Acabou

Enfim, acabou. Que venha Dubai outra vez.

Nada a ver, mas lembrei desta aqui:

Sabiá lá na Gaiola
Hervé Cordovil e Mário Vieira

Sabiá lá na gaiola
fez um buraquinho
Voou, voou, voou, voou
E a menina que gostava
Tanto do bichinho
Chorou, chorou, chorou, chorou

Sabiá fugiu pro terreiro
Foi cantar lá no abacateiro
E a menina vive a chamar
Vem cá sabiá, vem cá

Sabiá lá na gaiola...

A menina diz soluçando
Sabiá estou te esperando
Sabiá responde de lá
Não chores que eu vou voltar

19.7.07

Antes da alvorada

Seguia por uma estrada fria, sinuosa e úmida que após uma série de infinitas curvas apresentava agora uma casa aqui, outra acolá e por fim, séries de moradias encostadas umas as outras acotovelando-se à margem da estrada após a ponte sobre o riacho: chegara ao povoado.

Reconheceu de imediato aquele senhor e aquela senhora de feições tão familiares, mas que jamais vira antes. Um fato insólito os colocava agora frente-à-frente; talvez eles nem saibam quem ele é, talvez ela jamais tenha contado.

- É por ali. Estamos indo para lá também – diz o senhor que agora o guia pelo vilarejo atravessando a outra rua, virando à esquerda e à direita, subindo a suave colina asfaltada, passando o grande portão de pedras beges e adentrando a grande e antiga edificação onde um senhor de vestimentas aristocráticas os aguarda do outro lado de uma mesa retangular de madeira maciça. Ele explica os termos da proposta de renovação do contrato:

- Madame et… Messieurs, je vous demande de lire attentivement le contrat et de le signer à la dernier page en trois vois. Basiquement, il s’agit de une réaccommodation des actifs que compose le…

Entra silenciosamente na sala uma garota. Após tanto tempo, meses que pareciam anos, anos que pareciam décadas, foi vê-la assim, em sonhos: linda, serena, elegante, de jaqueta jeans fechada com um cachecol vermelho enrolado no pescoço. Ela vem em silêncio e o observa com uma gravidade que ele não compreende totalmente. Ele também está surpreso e a acompanha com os olhos até o momento em que senta do outro lado da mesa, ao lado de seus pais. Franja dourada sobre a testa, olhos verde-azulados – ou seriam azul-esverdeados? – grandes e abertos apontados para o fundo de seus olhos.

- … et je vous demande aussi de faire attention que vous serez demandés de faire une nouvelle invertion complementaire pour que les…

- Excusez-moi, Monsieur. Je ne suis pas d’accord. En fait, mon désire est de sortir de l’association.

Um rapaz adentra o recinto. Ele vem de calça jeans, blusa bege e cachecol verde e possui cabelos castanhos-claros e curtos e ligeiramente ralos com uma entrada do lado esquerdo e outra do lado direito. Possui também olhos verde-azulados, ou azul-esverdeados e um longo bigode, que desce contorna a boca e desce pelas laterais do queixo. Ele sorri, senta ao lado dela, envolve-lhe com os braços e lhe dá um beijo na boca. O rapaz lhe olha, sorri e comprimenta com um movimento de cabeça.

- Bon, en étant votre désire, donc, je vous démande de remplir ce formulaire ici avant partir.

Ela ainda o mira, ainda que inibida pela presença do rapaz que a enlaça. Ele começa a preencher o formulário enquanto o outro diz:
- Vamos?

O casal jovem se levanta e sai andando, conversando baixinho. Ela ainda olha para trás uma, duas, três vezes, até ser interceptada por um longo beijo. Fez menção de lançar ainda um último olhar ao virar a esquina, mas não terminou o movimento e olhou apenas o outro lado da rua. Seguiam agora em busca de mais intimidade para troca de confissões, fluidos e carinhos que lhes energizavam com o sentimento de vida pulsante e os distanciavam, ainda que por alguns instantes, da morte.

O senhor a sua frente aceitou a proposição, assinou rapidamente as três vias do documento e deixou o recinto com sua senhora. “Que força é essa que une as pessoas por tanto tempo?” perguntava-se ele enquanto seguia preenchendo aqueles velhos formulários. Sentia-se incapaz de se apaixonar novamente. Terminou pacientemente, saiu caminhando, virou a mesma rua à esquerda, a mesma rua à direita. Tardes frias, noite que chega com frio sobre as ruas vazias.

Sons de música saem agora de uma taverna logo a frente como a fumaça da chaminé, que também envolve seus sentidos. Ele entra e pede uma bebida quente. Talvez seja esta a casa dos rapazes solitários: aos seus lados, muitos rapazes de idade entre 20 e 30 anos, de expressões sérias e roupas pretas que caminham com um ar pusilânime. Os rapazes entram e saem descalços de uma sala quente. Eles ficam sentados nesta sala por um quarto de hora até que os pés inchem e em seguida sobem para a sala de onde emana a música. Nesta ampla sala, eles dançam conforme a tradição, homens tristes de braços atados pela ponta de dois dedos, batidas firmes de pés inchados sobre o chão de madeira, entremeadas por flexões sincronizadas dos joelhos direitos, olhares graves mirando o infinito perdidos em pensamento. Passos da tradição, dores hereditárias.

***

Faz frio dentro da casa de alto pé direito. A chuva molha os terreiros e inibe os galos de cantar. Silêncio. Valério se levanta e segue para a sala. Busca na escuridão desesperadamente um pedaço de papel e qualquer coisa que escreva. Senta e, sobre a mesa, sem acender a luz, eterniza em palavras imagens e sentimentos tão reais que viveu em sonho antes que a luz e as imagens da realidade ofusquem-nas da memória. Risca, rabisca, se esforça para ver o que escreveu. Discorda, faz setas de um lado para o outro do papel indicando a ordem mais adequada dos parágrafos, até ver cansado os primeiros raios do sol entrando pela janela.

(Continua)

Manequins

O último fio de esperança

- Você viu?
- O que?
- Um avião derrapou em Congonhas hoje... acabou de acontecer.
- Ah! Derrapar! Todo dia derrapa um...
- Não... ele bateu em um barracão.
- Então relaxa, não há de ser nada grave...

A esperança de que haja sobreviventes na aeronave é um desejo até mesquinho, quase uma necessidade, de todos aqueles (eu incluso) que por razões diversas voam ou precisam voar para manter seu estilo de vida. Esperança que suporta o culto à tecnologia que nos salva, nos liberta do tempo e nos torna ultra-pós-modernos, onipresentes.

Mas as imagens mostram que a coisa não é bem assim: o avião cruzou a pista, sobrevoou a avenida e acertou um prédio fora do aeroporto... e por fim, alguém vem e mata de vez último o fio de esperança e expõe toda a nossa fragilidade: "não há sobreviventes".

+++

- Did you see?
- What?
- An airplane slid in Congonhas today... it's just happened.
- Ah! Slide! Everyday one slides...
- No... it has crashed in a warehouse.
- So, relax, it may not be something serious...

The hope of having survivors in the aircraft is an even mean desire, almost a necessity, of those (including me) who by several reasons fly or have to fly to maintain their lifestyle. Hope that supports our cult to technology that saves us, free ourselves from time, and makes us ultra-post-modern, omni presents.

But the images show that it's not the case: the airplane crossed all the landing lane, flew over the avenue and hit the building outside the airport... eventually someone comes and kill the last thread of hope and exposes all of our fragility: "no survivors".

Perplexity


17.7.07

Detalhes de SP e o tempo que passa


Recebi dias atrás um e-mail de minha irmã: "É...as coisas mudam por aqui...", disse ela. Na seqüência, um link para este texto.

O texto citado acima e a reportagem do Guia da Vila são merecidos reconhecimentos ao seu Armando e a sua família (descubro pela reportagem que ele se chamava Armando), um cara que conquistou seu espaço na noite de São Paulo. E quem é que nunca comprou ou deu de presente a alguém um de seus bonequinhos?

Muita gente pergunta o que é que um lugar hostil como São Paulo (barulho, poluição, impessoalidade) tem de bom a oferecer. E quando penso nas coisas boas da cidade, vem-me a cabeça justamente esses pequenos detalhes como os bonequinhos do Armando, as pulseiras e colares dourados do garçom do bar da Frei Caneca com a Peixoto Gomide, os livros de histórias de cabra-macho nordestino, de poesias (de cordel ou não), os álbuns de música de artistas anônimos que levam a vida assim, de bar em bar, na esquina do metrô, na porta do cinema, no vão-livre do MASP.

O tempo passa e dá até um frio na barriga... na estante do Ó, os bonecos do seu Armando ainda estão lá: sonhos de permanência.

14.7.07

Ó do Borogodó

MASP


MASP = Museu de Arte de São Paulo

Avenida Paulista, 13 graus

Uma língua

Essa banda é uma língua na minha vagina


Garota explica para a amiga na Avenida Paulista que as músicas de sua banda preferida lhe causam prazer.

+++

This band is a tongue in my vagina


Girl explain to her friend at Avenida Paulista (São Paulo, Brazil) that the musics of her favorite band give her pleasure.

A maior chatice do Brasil

Estou aqui tentando descobrir qual é a maior chatice do Brasil:

- comemorações pela eleição do "Cristo Redentor" como uma das "7 maravilhas do mundo moderno" (tudo nesta história é lamentável: o concurso, o ufanismo brega mundial em prol do enriquecimento privado, e por aí vai)

- Domingão do Faustão (aliás, por que eu liguei a TV em um domingo?)

- Jogos Panamericanos (o apresentador diz isso aqui enquanto os atletas desfilam: "é o Brasil, o Rio de Janeiro, de braços abertos para o mundo! A festa é praticamente a de uma Olimpíada!". Ora, ora... será que só eu me incomodo com esse ufanismo brega?)

Definitivamente, ninguém merece isso. Ou não...

Pessoas estranhas


"PROIBIDO entrada de pessoas estranhas". Será que eu entro?

Cumbica

E o avião da Alitalia realiza um pouso tranqüilo e quando ele pára...

- Clap! Clap! Clap! Clap! Clap...

O rapaz ao meu lado explica:

- Típico.

+++

And the Alitalia airplane lands safely and when it stops...

- Clap! Clap! Clap! Clap! Clap...

The guy by my side explains:

- Typical.

10.7.07

Duomo x Mall of the Emirates


Duomo, Milan, Italy

++++


Mall of the Emirates, Dubai, UAE.