5.2.07

Aniversário na Emirates

Alguns flashes do festa de aniversário da semana passada. Vocês vão me desculpar, mas já não lembro mais do nome de todos:





A aniversarianteReece e seus quadros
Miguel e PedroTânia e Marcelo

Garota finlandesa
A portuguesa e Tânia


Mas ainda tem mais...

Barasti


Fazia tempo que não ia em um lugar com mais mulheres que homens. Logo na entrada, tenho que desviar de 2 que iam indo embora, fazendo um zigue-zague...

O Barasti fica no Le Meridien, hotel 5 estrelas localizado entre a Dubai Media City e a Marina. É um terraço ao lado da praia com vista para a Palm, com uma banda tocando reggae. E o melhor: não paga pra entrar.


Dubai High Society

Estava quase indo embora quando alguém olha pra bandeira presa a minha bolsa e pergunta:

- Are you Brazilian?
- Opa!

É a Thaís, engenheira da Embraer que mora há 2 anos em Paris. Veio a trabalho para Dubai, para algumas reuniões no Oriente Médio. Quase me convence a comprar um jatinho. Mas aí olhei para a carteira... hmmm... hoje não.



É isso aí, Thaís! Abraço do Sheik.

Local: Barasti
Preço: Não paga para entrar!

Kuya Disco - a discoteca filipina

Essa fica em um Hotel meio decadente em Deira. Para quem vem da ponte Al Garhoud, é virar à esquerda na rotatória do relógio (Clock Tower Roundabout) e entrar à direita após o posto de gasolina.

A pintura é meio escura, mesas em volta de uma pista de dança em frente ao palco. Uma TV branco-e-preto fica ligada em um canto, enquanto na mesa em frente alguns casais jantam o que parece ser um frango com farofa. Do lado esquerdo, um American bar e uma mesa de bilhar. No palco, rapazes com roupas de rappers tocam rock filipino, cantado por uma mulher em tagalog, inglês e algumas palavras perdidas em espanhol, enquanto 4 garotas de uma curta minissaia e um pequeno top dançam uma coreografia mal-ensaiada. Sensacional.

Você será um dos poucos não-filipinos no local, mas não se assuste: logo o garçom virá apertar sua mão e colocar um tigela de pipoca sobre a mesa, cortesia da casa. E se você não estiver dirigindo, poderá dar-se ao luxo de pedir uma das jarras de cerveja, e beber alguns litros de álcool antes de voltar para casa de táxi...

Definitivamente, esta balada não tem nada a ver com as baladas ultra-sofisticadas que acontecem do outro lado da cidade, mas justamente por isso, vale a pena uma visita durante uma eventual estada em Dubai.

Preço: 30 dirhams de entrada (dependendo do dia)

Murilo Benício em Dubai?

O celular toca:

- Oi! Você conhece um ator brasileiro chamado Murilo Benício?
- Hmm... sim, já ouvi falar. Por que?
- Porque eu tenho quase certeza que o vi há 1 hora atrás, aí perto de sua casa, caminhando na Jumeira Beach Road... é quase certeza que era ele.
- E...?
- Bom... e você é brasileiro também. Você não sabe onde ele está?
- E como eu saberia?!
- Não sei... você deve ter algum amigo que deve saber...
- Tá, vou procurar... mas como você o conhece?
- Pela novela The Clone, oras! Eu e minhas amigas queríamos muito tirar fotos com ele... e como ele não é tão famoso aqui, deve estar acessível, principalmente para um brasileiro, que fala a mesma língua...

Até tentei ajudar a garota, mas não encontrei o rapaz. Com tantos hotéis por aqui, seria muita sorte encontrá-lo. Se é que era ele...

4.2.07

Sheik Luís responde

Em 7 de janeiro, Felipe deixou um comentário sobre a sua postagem "Sheik Luís responde":

Oi Luis, blz? Uma perguntinha meu caro: Para se trabalhar aí realmente dá pra ser só com o English ou conhecer o Arab pode fazer falta para o exercício de uma função? ( de nível superior / área administrativa) Grande abraço e td de bom, Felipe


Olá Felipe,

Desculpe a demora na resposta. Para trabalhar e viver aqui, inglês é fundamental. Especialização em sotaque indiano lhe trará maior tranquilidade na vida quotidiana, hehehe...

Qualquer outro idioma - árabe, hindi, urdu, pushtu, tagalog, maleali, chinês, francês, espanhol, alemão - é algo a mais, que pode abrir portas dependendo da nacionalidade ou área de atuação da empresa onde você vai trabalhar ou de seus colegas de trabalho. Mas sem inglês, fica difícil sair do aeroporto.

Quem só fala árabe consegue emprego aqui, mas mesmo assim já fica muito mais limitado, porque pelo menos 50% das pessoas com quem vai interagir não falam árabe.

Quem tem nível superior, fala inglês e árabe possui o perfil ideal para trabalhar aqui e com certeza consegue uns trocados a mais que alguém com a mesma qualificação que só fala inglês.

Questão de respeito

Enquanto isso

No congestionamento...

Crianças



Em alguns momentos, parecia o Brasil em final de Copa do Mundo...

Comemorações na Jumeira Beach Road - 3

Este é o último da série...

Comemorações na Jumeira Beach Road - 2

Nacionalismo reprimido? Fanatismo por futebol? Desforra por algum motivo contra os expatriados? Algo me diz que se fosse um campeonato de golf ou de gamão, eles comemorariam do mesmo jeito. O fato é que os emiratis passaram o final-de-semana inteiro desfilando sobre os carros, todos pintados, pelas principais vias de Dubai.

Chegaram a bloquear as principais vias como a Shaikh Zayed Road, algo como a marginal Tietê de SP, e outras como Jumeira Beach Road e Al Wasl Road, andando a 20km/h, enquanto outros carros queimavam pneu no espaço que se abria a frente. O resultado foi um mega-congestionamento que literalmente parou Dubai por quase 3 dias.

Vídeos - Comemorações na Jumeira Beach Road 1

Vamos lá, pessoal. Coloco alguns vídeos que tirei no último 30/01, voltando do trabalho, quando eles aqui começaram a comemorar a vitória de 1x0 sobre Omã, que lhes deu o título de campeão da Copa Árabe do Golfo.

Maneira muito peculiar de comemorar: todos dentro do carro, em um congestionamento, olhando outros carros queimarem pneu e gasolina no asfalto.

1.2.07

Onipresentes



Eu me contentaria em ser apenas estampa de toalha-de-banho feminina.

O sorriso do palhaço e os arrependimentos eternos

Era uma tarde corriqueira de um dia de semana de uma pacata cidade do interior. Tempos de vida simples: ganhava-se pouco, mas as necessidades iam pouco além do estritamente necessário para viver. Os únicos luxos que a família dava-se o direito de manter era um aparelho de TV branco-e-preto e um telefone, pesado, cinza e grande, que repousava sobre uma pequena cômoda ao lado da TV, sobre uma toalha bordada à mão.

Algumas quadras dali, uma moça toma um chá, após o encerramento do atendimento aos clientes. Os dedos doem após uma tarde passando para letra de forma coisas que poderiam ser escritas a mão, mas que a formalidade daqueles tempos exigiam que fossem datilografadas em uma máquina Olivetti com o objetivo prático de que as pessoas não perdessem tempo em entender a escrita alheia. Ela nem imaginava que anos a frente aquele maravilha do mundo moderno desapareceria da face da terra substituída por uma máquina que já fazia a correção ortográfica e possuía teclas mágicas com nomes backspace e delete.

Pensou nos motivos que continuava a trabalhar em um emprego que não lhe agradava, na faculdade que não fez "porque é coisa de homens" e lembrou automaticamente das crianças que estavam quadras dali e na outra que estava em seu ventre agora. Tomou então o pesado telefone e ligou:

- Oi! Já vou chegar.

Muitos luxos tecnológicos servem para isso: para brincar de ditar o futuro, ou para se saber o que de fato já se sabe. E assim, temos relógios para saber que está tarde, termômetros para saber que está quente o suficiente para fazer suar, telefones para dizer "vou atrasar", quando na verdade atrasado já se está.

5:30h, já passa da hora. Ela fecha sua bolsa, guarda o caderno e as canetas na gaveta, coloca a capa de plástico sobre a máquina de escrever e vai embora. No caminho, passa em frente à padaria, sente então o vapor quente que sai pela porta, vapor de pão que acabou de sair. Entra, compra pão e pequenas rosquinhas doces. No caixa, viu algo que lhe fez lembrar novamente das crianças: um lápis, que na ponta possuía um palhaço encaixado. Não era nada de especial, mas imaginou os dois ali sentados na mesa com os pequenos braços esticados sobre a mesa, a fazer desenhos incompreensíveis e a conversar com o pequeno boneco encaixado na ponta do lápis. Levou 2, um para cada um.

Já são quase 6h. Os dois garotos já perguntam pela terceira vez que hora ele ou ela vão chegar. Após muita insistência, a empregada os deixa ir brincar na garagem, mas somente após confirmar que o portão de grades está fechado. "É perigoso", dizia. E eles ficavam ali, jogando bola, e paravam vez ou outra para sentir o cheiro de gasolina queimada que os carros que passavam do lado de fora deixavam no ar - e que consideravam cheiroso - ou para checar, mais uma vez, se um deles apontava na esquina.

E por fim ela chega, e segue para o quarto com as duas crianças atrás.

- Eu tenho uma surpresa - e tira da bolsa então um lápis para cada um, e fica parada, esperando a reação que imaginou na fila do caixa.

Um deles olha para o lápis, olha para ela: viu olhos grandes de expectativa, uma profunda olheira e cabelos desarmados pelo vento e por um dia de trabalho. Profusão de sentimentos que culminam em um único gesto: partiu o lápis ao meio e lançou-lhe ao chão. Puxou a coberta da cama e saiu correndo do quarto gritando de raiva... galo de briga não arreda pé: foi para o quintal e ficou lá, de braços cruzados e boca cerrada, aguardando a punição, de certo umas palmadas, que misteriosamente não vieram.

Curioso, caminhou até a cozinha, e da cozinha até a sala de jantar e viu então ela sentada no sofá, silenciosa, a trabalhar em um bordado. Ela fura minuciosamente o tecido com a agulha, indo buscá-la do outro lado, e furando mais uma vez, formando no tecido figuras incompreensíveis. Chega mais perto, e enfim a punição:

- Por que? - diz isso olhando nos olhos. Ela chorava.

Voltou para o quarto e recolheu os 2 pedaços de madeira. Tentou juntá-los, mas por alguma razão, eles não se juntavam mais. Queria voltar o tempo, mas mesmo que andasse de costas, o tempo simplesmente não voltava. Apenas o palhaço continuava ali a sorrir.

Lembraria deste sorriso anos mais tarde, tão distante em anos e léguas dali, quando o mesmo palhaço sorriu para ele, preso a um lápis à venda em uma banca de jornais. Comprou um, mas não o partiu ao meio. Desta vez, não teve a chance de dizer obrigado. Concebeu então que na vida não há segundas chances, e que certos arrependimentos são eternos.

Procurando lugar para morar

A internet é uma ótima fonte para quem procura um lugar para morar em Dubai:

http://www.dubizzle.com
http://www.expatriates.com/classifieds/
http://www.gulfnews.com/classifieds/index.html
http://www.khaleejtimes.com/ClassNewL.asp?loc=DXB

Mas talvez a maneira mais tradicional de fazer qualquer tipo de negócio seja mesmo consultar os prosaicos painéis disponíveis nos supermercados.

Isso já é uma tradição local: todo Spinneys tem um, todo Choitram também. É nestes painéis que a sociedade se comunica de maneira mais primária, seja na doação de um animal, na venda de móveis, uma oferta de trabalho, de um carro ou de um quarto para alugar. A frase em um deles, dá o tom de algo bem árabe que a comunidade de expatriados aqui incorporou: "all prices are negotiable" (todos os preços são negociáveis)... no fundo, acredito que há pessoas que compram produtos para vendê-los logo em seguida, apenas pelo prazer de negociar.

Foi assim que vi este anúncio que me interessou: uma casa grande, com piscina.


Epa! Mas é em Algarve, Portugal. Fica para a próxima.

Ciclovia



Foto tirada próximo ao Jumeirah Beach Park, em Jumeira 2. Dispensa comentários.