28.9.07

Tropa de Elite

Eu ia escrever sobre Nissar, ex-pintor da Cachemira que me abordou hoje no estacionamento de Media City, mas deixo para depois.

Chegou às minhas mãos uma cópia "alternativa" do filme Tropa de Elite, que estréia nos cinemas no dia 12 de outubro (ei, qual seria a possibilidade de eu conseguir assistir a este filme por aqui?).

Trata-se de um dos filmes mais pesados que vi ultimamente, com heróis, bandidos e figurantes que a gente se envergonha de ter na vida real. Filme sobre o quotidiano do BOPE(Batalhão de Operações Especiais), a versão carioca da ROTA (Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar) paulista.

Vou tentar definir o termo pesado. Há tempos que Hollywood tenta fazer filmes chocantes. Tenta encontrar o "inimigo no.1", que já foram os russos, os alemães, os vietnamitas, os terroristas lutadores de artes marciais. Extra-terrestres, fenômenos da natureza: ciclones, tsunâmis. E tome efeitos especiais, granadas, bombas atômicas. Mas o assustador de repente surge da crueza, da simplicidade: a realidade que não se quer ver. Terminei o filme me perguntando sobre o que acontece nas favelas de Rio, São Paulo e Haiti, no Iraque, no Afeganistão, enquanto a mídia se pergunta se é ético ou não mostrar imagens de um ditador sendo enforcado.

Muita gente verá semelhanças entre Cidade de Deus e Tropa de Elite. Achei o último muito mais perturbador.

Depois de ver o filme, acho que entendi por que ele não foi indicado para concorrer ao Oscar. Entre ele e a versão brasileira do argentino Kamtchacka e do chileno Machuca ("O ano em que meus pais saíram de férias"), parece ter valido o ditado "roupa suja se lava em casa". Escolheu-se água com açúcar para gringo chorar.

Mas estou sendo injusto: ainda não vi "O ano em que...". Vou tentar resolver isso até a próxima semana. Tudo indica que o filme é bom também, daqueles que faz a gente lembrar da infância, assistindo jogos da Copa do Mundo (de futebol) em família, todo mundo de verde-e-amarelo. Que saudade...

Depois alguém aí me lembra de escrever algo sobre o Nissar, rapaz da Cachemira que me abordou no estacionamento de Media City.

5 comentários:

Gnomo disse...

Mmmm, faz tempo que não acompanho os lançamentos do cinema nacional, se é que posso chamar de nacional o cinema brasileiro enquanto moro na Espanha.
Mais alguma sugestão de filme bom?

Eduardo disse...

E aí, rola de eu pegar uma cópia alternativa com vc tb? Ou dá pra achar fácil no bit torrent?

Abraços,

Fábio Gonçalves disse...

Quer ver um filme chocante sobre a realidade paulistana? Procure "O Invasor". Violência urbana do ponto de vista da classe média, destilada com frieza e verossimilhança.

veri disse...

Esse filme é um fenômeno. Hoje (quinta) ia rolar um debate com o diretor dele aqui no Espaço Unibanco. A fila virava a esquina. Anteciparam o lançamento dele pra esta sexta. Engraçado é que anteciparam o lançamento de um filme que a maioria já viu...pra mim, esse é um outro fenômeno que o filme gerou. Todo mundo agora resolveu gostar de ver violência?

Michael disse...

Só entrando para lembra-lo de Nissar, o pintor da Cachemira...será que vc ainda se lembra do que iria nos contar?