15.8.07

O que interessa

Sonho bom: mulheres. Muuuitas mulheres. Todas nuas. Era São Paulo. Sabia porque tinha muuuita gente - mulheres - na rua. Nuas. De repente...

- piririririririrírírirîriririríririrírirírirîri...

Maldito despertador. Despertador de relógio chinês. Mas fui eu mesmo que o liguei... 7h. Caiaque... dormir... dormir... caiaque... tento voltar ao sonho, mas as mulheres se foram e a rua agora está vazia. Não tem mais graça. Caiaque.

Caiaque sul-africano, colete salva-vidas chinês que diz que atende especificações norte-americanas. Caiaque não: "surf-ski". Remador sulamericano. Mar do "Golfo Árabe". Ou "Golfo Pérsico"? Outras discussões que não cabem aqui. Dou uma voltinha na ilha em frente a marina de Umm Suqeimm 2, volto. Um peixe morto. Uma arraia foge rasteira pela água rasa. Qual será a nacionalidade dos peixes? Cantam eles hinos nacionais? Não dá tempo. O calor anuncia as horas e é hora de trabalhar.

Veículo poluidor japonês "gulf-spec". Obras sem pátria, trabalhadores filipinos, indianos, mais indianos, paquistaneses. Quem nasce no Sri Lanka é o que? Sri-lankiano? Sri-lanquense? Sri-lankense? Sri-lankator! Sri-lantchers. Sri-launderschnaiders. Isso. Buzina. Você está aí dentro desta lata isolado do mundo, mas buzina. O da frente também está isolado do mundo em outra lata, mas você buzina. Contar até dez. Um-dois-três-quatro-cinco-seis-sete-oito-nove-dez. Mas a justiça divina qualquer dia te pega: um tijolo que cai sem querer dos céus sobre o carro. E alguém do lado que diz: "Lei do oeste". Heresia. Mas sendo ateu, tudo bem, tanto faz tanto fez. Pensamentos que trazem um conforto gratuito, contentamento por algo que não aconteceu e não vai acontecer. Elevador.

Elevadorzinho vagabundo. Chinês? Vagabundo. Americano? Vagabundo. Ô do bigode, lá atrás. Lá atrás, sim, eu cheguei pri... (elevador abre a porta) ...sai, ô! Não encosta. Eu disse NÃO ENCOSTA.

Café-da-manhã. "Hi, I wanna coffee-latte and a chocolate croissant". "Ok, sir. Coffe-latte and a chocolate muffin. Thank you, sirrrr".

Almoço. Melhor nem dizer. Elevadorzinho... escada fedida. Já viu banheiro de fumante? Igual. Qualquer dia espalho cocô pelo corredor. Vão reclamar? Justifico: "cigarro fede e faz muito mais mal". Aliás, já viu alguém morrer por respirar cheiro de bosta? De cigarro, eu já vi. Não vi, mas já ouvi falar.

3h da tarde. Hmmm... fome... dentro da sacola tem: uma "banana chiquita", das Filipinas. Uma laranja-que-se-descasca-com-a-mão da Austrália, maçãs chilenas e um iogurte dos... dos... dos... (tambores, suspense, clímax, agora!) EMIRADOS ÁRABES UNIDOOOOOS!!!!

EEEEEEEEEEEEEEEEBAAAAAAAAA!!!!! (rojões, tiozinho soltando balões). Aquele que vale um bifinho.

E pensar que sai tudinho junto, tudo bem misturadinho, pronto para pintar a porcelana ou - eu disse que ainda faço isso - a parede da escada.

Janta. "ile o que?". "É espinafre local". Ele disse a palavra mágica: LOCAL.

EEEEEEEEEEEEEEEEBAAAAAAAAA!!!!! (rojões, tiozinho soltando balões, Popeye ficando forte).

20:30h. Opa. Lata poluidora again. Salsa = mulheres. Todos os homens de Dubai tiveram a mesma idéia. É simples: o prazer masculino só é completo quando a experiência é compartilhada com outro homem. Assim, se em uma semana um evento está cheio de mulher, é só aguardar 15 dias para ir de novo, pois na semana seguinte, todos os homens de Dubai estarão lá para presenciar "as mulheres mais gostosas que já vi na vida. E olhando!!!".

Quanto homem. "Procurem seus parceiros". Quase uma pancadaria. Não sobrou uminha mulher só pra contar história. Nem uma tortinha, dura, daquelas que dançam pulando. Mas homem sobrou um monte, que foram cabisbaixos ao balcão comprar cerveja. Aula começa. Aula de salsa ministrada por um cubano com uma garota russa regada a cerveja italiana. Luxo... não tem mulher, mas estamos em D-U-B-A-I.

22h. Dossier France, na Dubai Eye. One-o-three-point-eight. Um programa só em francês que inspira uma tradução de um texto preconceituoso.

0:40h. Releio tudo o que escrevi e acho uma bosta. Vou imprimir e esfregar na escada do prédio. Mas nas Olimpíadas, "o importante é competir". O importante é escrever, para ao menos, não perder o hábito. E depois, quem sabe, publicar um livro, e vender como Paulo Coelho. Quanta pretensão. Um botão e o post se perde para todo o sempre. Paródia da vida, em que trabalhamos, trabalhamos, e por fim, tudo acaba, tudo apodrece, desaparece. Até nós mesmos. Ponto-final.

2 comentários:

Anônimo disse...

adorei o blog, adorei o senso de humor! mulher...olha que aqui tem muita..brasileira, no brasil. insinuação aceita?

veri disse...

Vc anda irritado, mas escrevendo cada vez melhor.