14.11.06

Últimas leituras



1. Mãos de cavalo, Daniel Galera

"Nara?", ela pergunta, e sorri de um jeito meio triste. Vem à
sua mente uma séria de momentos compartilhados, agora tão distantes no tempo,
mas suficientes para sentir que ainda dividem algo especial, só deles, em
memórias que ainda podem ser recuperadas, embora já não signifiquem quase nada
na prática.
Outra passagem:

"Naiara, eu não gosto de ti. Quer dizer, gostar do tipo
ficar junto. Desculpa."

"Que pena, porque eu gosto de ti".
(...)
Aquilo o impressionava mais que a morte, querer amar uma
pessoa com todas as forças e não ser capaz disso, pois não se trata de uma
escolha. (...) Se por um lado trazia uma sensação de impotência, por outro ia
tornando mais claro, por contraste, que tipo de coisa ele queria e
poderia
conseguir. Endireitou a coluna e se reacomodou na cadeira. Só
sairia dali quando estivesse cheio de certezas.


O livro é ótimo!

2. Help us to divorce - Irael & Palestine: between right and right, Amon Oz

For the idealogical movements of the first half of the last century the mantra use to be 'tomorrow will be a better day - let's make sacrifices today', let's even impose sacrifices on other people today, so that our children will inherit a paradise in the future.

Somewhere around the middle of that century, this notion was replaced by the notion of instant happiness, not just the famous right to strive for happiness, but the actual widespread
illusion that happiness is displayed on the shelves and that all you have to do is simply make yourself rich enough to afford happiness with your wallet.

The notion of 'happily ever after', the illusion of lasting happiness, is actually an oxymoron. Either plateau or climax. Everlasting happiness is no happiness, just like an everlasting orgasm is no orgasm at all.

Uma surpresa ter encontrado este livro a venda em Dubai, deste escritor israelense. Ensaio com reflexões muito pertinentes sobre o conflito Israel x Palestina, sobre as origens do fanatismo, e sobre a época em que vivemos.

Depois de lê-lo fiquei olhando para os pequenos apetrechos do mundo moderno a minha volta: câmera, celular, mp3 player, notebook, ... a eterna busca da citada felicidade instantânea e duradoura.

O antes...


Essa calçada fica no caminho para o trabalho. Daqui a alguns dias, eu tiro outra foto deste lugar.

Shisha


Mesquitas



Sheik Luís responde

Julia Montenegro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Pubs, canadense de Barcelona e o chá":

OI oi! Uma perguntinha basica... O que vc faz em Dubai? Estou fazendo um processo seletivo para a emirates e achei seu blog. Julia Montenegro

Olá (aero) moça!

Eu sou sheik, e sheik não trabalha: possui hobbies. Atualmente, o meu maior hobby é passar 8h por dia ou mais em uma operadora de telefonia móvel que ainda não começou a operar.

Sobre o processo seletivo na FlyEmirates: que bacana! Sei que aqui há um grupo grande de mais de 50 brasileiros e brasileiras trabalhando lá, mas nunca encontrei ninguém. Na verdade, o mais próximo que cheguei deles foi um grupo de argentinas que encontrei na balada e que também trabalham na Emirates...

Se quiser falar com alguém que já trabalha por lá, troque uma idéia com o Júlio, ele pode te dar mais algumas informações úteis.

Boa sorte no processo! Quando chegar por aqui, avise.

Abraços do Sheik.

13.11.06

Chicão Brasileiro

Peço licença a Dubai hoje para falar de um pouco de Brasil.

Descubro com alegria no link acima a história de Francisco Brasileiro Pilagalo. Anterior aos irmãos Villas-Bôas, como eles, largou a vida em São Paulo para se aventurar pelo interior do Brasil, nas fronteiras do mundo civilizado com a terra virgem, e escrever assim uma singular história de vida.

Consta na reportagem que um dia ele escreveu: 'Seja tudo, nesta vida única, de plena consciência, porque se aqui estou, a tudo irei à última conseqüência, para ser o dono da minha própria aventura'.




Fica aqui então uma foto, tirada ali ao norte da Ilha do Bananal, na junção do Javaé com o Araguaia, onde a balsa leva o progresso do Tocantins ao Pará.

Rota da seda

9.11.06

Mais um que se vai


Hoje é a despedida do holandês Johan. Será no Malecon.



Dias atrás foi a vez do Wiliam (primeiro à esquerda), que voltou em definitivo para o Brasil. O Pavanelli foi, mas volta.


Dentro de alguns dias seguem para Cingapura o neo-zelandês Marc e a brasileira Monique.


E no Natal, dizem que não fica nenhum western. Um local outro dia me disse: "Dubai não é uma cidade, é um grande aeroporto. Todos vem e vão, poucos ficam."

Sobre os vídeos






No último evento da empresa, perguntado sobre quando ia ser a entrada em operação, o presidente saiu-se com esta saída do Corão:

"Alguém perguntou ao profeta:

- Mohamed, quando Ele virá?
- Não se pergunte quando, mas se você está preparado."


É isso. Os vídeos chegam logo. Mas vocês estão preparados??? :-)


Dans le dernier événement de l'entreprise, demandé quand on commence a opérer, le président s' est évasé avec cette citation du Coran:

"Quelqun demande au prohète:

- Mohamed, quand'Il viendra?
- Ne demande pas quand, mais si tu es préparé."


C'est ça. Les videos ils arrive bientôt. Mais... est-ce que vous êtes preparé???? :-)


Bom final de semana a todos!

Nova rota no Bikely



Bikely é um site bacana, onde se pode traçar rotas - urbanas ou não - de bicicleta. Ele apresenta o caminho sobre mapas ou fotos de satélite, incluindo um gráfico de subidas e descidas do trajeto. Muito legal!



Não havia nenhuma rota ciclística aqui em Dubai, mas agora tem: Jumeira 1 - Dubai Media City, meu trajeto diário casa-trabalho.


6.11.06

Viagem à França - Resumo









Viagem à França - Resumo

Na mala, uma lista com o endereço de todas as floriculturas de Barcelona. No aeroporto de Viena, a lista ganha a companhia de um mapa da cidade. E por fim, imprevistos, mal-entendidos, e não fui à Barcelona.

Arrependimento? Talvez, de não ter ido direto à Barcelona.

De qualquer modo, o resultado da viagem foi positivo: fui muito bem acolhido em Antibes e Toulon. Vinho. Novas amizades. Vinho. A França é muito legal! Vinho. Encontrei até as pernas da mesa que não encontrava no IKEA de Dubai...

Em breve, fotos, vídeos e mais histórias.

Danilo, Rémy, Emmanuel e família, Magali: muito obrigado!

Voyage en France - Bilan

Au sac, une liste de toute les addresses de floriculteurs à Barcelone. Au aeroport de Vienne, la liste gagne la compagnie d'une carte de la Ville. Et à la fin, des imprévus et malentendus, et puis j'suis pas allé à Barcelone.

Regret? Peut-être de ne pas être allé directement à Barcelona. Tant-pis.

Toutefois, le résultat du voyage a été trés positif: j'ai été trés bien accueilli à Antibes et à Toulon. Vin. Nouvelles amitiés. Vin. La France est cool! Vin. J'ai trouvé aussi les pieds de la table que je ne trouvai pas au IKEA de Dubai...

Bientôt, plus de fotos, videos et d'histoires.

Danilo, Rémy, Emmanuel et famille, Magali: merci beaucoup!




5.11.06

O individualista consumista, coletivos de periferia e o motorista pontual

Já imaginava a mini-geladeira prateada de 379 dh dentro do quarto exacerbando seu individualismo, evitando assim momentos desagradáveis como acordar de manhã sonhando com o iogurte comprado na noite anterior e descobrir que este foi devorado por alguém que acordou um pouco mais cedo e exerceu o coletivismo em toda a sua plenitude às custas alheias.

No Carrefour, reflexos de economia aquecida: a geladeira que há 2 dias ainda está lá agora conta com um papel colado no anúncio: out of stock. O famoso "tem, mas acabou". O melhor dia para comprar é de fato a quinta-feira: os estoques estão cheios e a horda sagaz (belo adjetivo, sagaz) de compradores insaciáveis ainda está se preparando para devastar as lojas nas sextas e sábados. O atendente diz: "volte a ligar na quarta... ou na quinta, inch'allah...". Esse filme é conhecido: a quarta vira quinta, que vira sexta da outra semana, que vira uma frustração. Aqui, ou é na hora, ou não é. Nada de inch'allah. Neste aspecto, a pergunta a se fazer é: quanto custa o sossego?

O táxi do Mall of the Emirates custou 60 dh até o Dubai Festival City num percurso de aproximadamente 20 km. Com os mesmos 60 dh, enche-se o tanque de um Mitsubishi Lancer, autonomia para 500 km. No IKEA, a estante custa 160 dh, mas há uma outra menor por 79 dh. Mas espera um pouco: não se gasta 60 dh de táxi para comprar uma estante de 79 dh. Lógica consumista: melhor ficar com a maior "para compensar". Só que a estante é grande, não cabe no táxi. Então é preciso pagar mais 100 dh de frete. Então, "para compensar", vale a pena levar junto no frete também a geladeira, a mesma do Carrefour mas de cor branca, por 395 dh, do HyperPanda. Mas como o motorista não é bobo, já embutiu no preço mais 30 dh da geladeira "porque é um peso extra". Se a compra fosse de 3 estantes, 1 cama e um guarda-roupas no IKEA seria 100 dh, mas com a geladeirinha, tem o adicional. Malandragem, malandragem.

19:30h, fim das compras, hora de de voltar para casa. O segurança filipino dá a super-dica: "Vá de coletivo sim, está fresco, bom pra caminhar. Vire aqui, vire ali, atravesse a pista e lá do outro lado tem um ponto de ônibus. Fácil!" Após seguir as indicações, descobre-se por fim que o ponto de ônibus é um poste ao lado de uma cratera lunar do outro lado da estrada, sem que haja um caminho seguro para o pedestre atravessar. Aliás, não há nenhum lugar para o pedestre, que se espreme entre os cones de construção, blocos de cimento e os carros que passam buzinando a mais de 100 km/h demarcando seu território. Veículos automotivos deveriam ter pênis sob as rodas traseiras, para que pudessem fazer como cachorros e urinar nos postes, demarcando assim seu território, sem buzinar. A solução é andar na contra-mão até encontrar 15 minutos depois mais 2 filipinos saindo de uma construção. "Aqui não tem ponto de ônibus do outro lado. Tem que pegar um coletivo aqui, e lá na frente trocar". E assim um ônibus passa e assim acontece.

Na primeira fileira há 2 filipinas, na seção do ônibus exclusiva para mulheres. São as únicas mulheres do recinto e são observadas em silêncio por mais de 30 homens, todo da construção civil, que só tiram os olhos delas para olhar para o único passageiro ocidental. Curiosidade que assusta.

O ônibus de 1,5 dh abre a porta em mais um canteiro de obras. Mal se desce do ônibus e um táxi passa buzinando com velocidade incompatível para aquilo deveria ser o ponto de ônibus, levantando a poeira no meio da rua cheia de cones. Atravessa-se então a pista e o que se vê é uma lanchonete indiana, com mais de 50 pessoas, todos homens. No ponto de ônibus, mais algumas dezenas de homens que esperam um coletivo para o centro. O local se chama Al Rashidyia.

40 minutos de espera é tempo suficiente para fazer e responder a perguntas:

"Você conhece Leila Barros, que joga vôlei?"
"Brasil fica na Europa?"
"Se o Brasil fica na América, então você entra nos EUA sem visto, né?"
"Que língua se fala no Brasil além do inglês?"
"David Beckham é brasileiro, não é?"
"Mas ele joga em um time brasileiro, não é?"

E por fim, perguntas difíceis:

"O que você faz aqui?"
"Por que Dubai?"
"Quanto você ganha?"

A última pergunta não foi feita, mas ficou implícita: "Por que você está usando ônibus?"

Ecos de uma questão conhecida da classe-média brasileira, implícita na compra da geladeira, e cuja justificativa às vezes está na necessidade imediata, às vezes na sua eficiência, às vezes no status proporcionado pela escolha: por que usar um serviço público quando se pode usar um privado?

Chega o coletivo. Este custa 2 dh. Seu trajeto é sinuoso e mostra coisas que não se vê ao lado das grandes avenidas ajardinadas, como o letreiro iluminado de uma academia de musculação com a foto de um homem de bigode e peito peludo fazendo força, ou a cortina semi-caída na janela empoeirada de um restaurante decadente de esquina. Passa pelo aeroporto, dá outras voltas, e a medida que se aproxima da cidade, mulheres - filipinas - entram no ônibus, até que por fim este chega a seu ponto final em Al Satwa. Caminhada até Al Wasl Road, e após 10 dh de táxi, chega-se por fim à casa, onde à porta um caminhão espera para realizar a entrega de uma geladeira e uma estante.

O dono do caminhão é malandro, mas é pontual: 22h, como combinado.

2.11.06

Fila indiana


Saída do trabalho na construção ao lado da Shatha Tower: indianos, paquistaneses e filipinos fazem fila à espera da condução que os levará até o alojamento da empreiteira.

1.11.06

Chaveco árabe




Repare na mão do árabe:

- Olá, gata! O meu celular é deeeesse tamaaaaanho...

Euforia tecnológica: vídeo-conferência no celular

Começaram os testes finais para a entrada da empresa em operação, e assim, acabo de ganhar um brinquedo novo: celular de terceira geração (3 G).

Brinquedinho interessante: na falta de uma, ele tem duas câmeras, que tiram fotos e fazem vídeos. A qualidade da foto não é lá essas coisas, mas é de 1.3 Mpixels (a do chefe é de 3.2!!!). Conecto a criança com meu notebook através de uma conexão bluetooth, transfiro alguns arquivos e quando vejo, estou lendo arquivos .pdf, documentos Word e planilhas Excel no celular. Transfiro algumas musiquinhas, e agora ouço mp3 também.

Resolvo ligar para o chefe. O brinquedinho novo me pergunta: "Você quer fazer uma chamada de voz ou de vídeo?". Ainda meio descrente, apertei a opção "vídeo". Euforia geral: não é que apareceu o chefe ali do outro lado mesmo?! Funciona!

Passada a euforia, lembro que a novidade já chega um pouco ultrapassada: o mesmo efeito já pode ser obtido com uma tecnologia muito mais simples - usar MSN, Yahoo! ou Skype a partir de um Palm ou notebook com conexão sem fio wi-fi. Só que a área de uso é restrita a recintos fechados. Existem projetos de redes públicas de internet sem-fio (WiMax) mas que estão sendo barrados ao máximo pelas operadoras de telecomunicações (por motivos óbvios: se isso se torna realidade, ninguém mais usa o telefone ou celular, vai ser tudo via messenger ou voz sobre IP).

Enquanto o WiMax não se torna realidade, saio andando pela rua fazendo vídeo-conferência no celular, só pra ver se funciona.